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Não vou me lançar para governador

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ODILON RIOS Repórter Primo do governador Ronaldo Lessa (PDT) e considerado como em plena preparação para um dia governar o Estado e sentar na cadeira do Palácio Floriano Peixoto que foi ocupada no começo do século passado pelo seu bisavô, Euclides Malta, o secretário estadual de Educação, Maurício Quintella, conversou na semana passada com a Gazeta sobre a espera dos partidos pela candidatura do senador Renan Calheiros ao governo. Quintella reconheceu que o salário dos professores da rede estadual é baixo, mas está na média do Nordeste, e disse que, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos professores, faria concurso público para ensinar no Estado. Seria uma grande honra, analisou. Gazeta - Dados do Ipea apontaram que Alagoas ainda está bem atrás no país quando o assunto é educação. Desde que o sr. assumiu a gestão ano passado até hoje, o que de fato foi alterado neste quadro? MAURÍCIO QUINTELLA- O índice de analfabetismo no Estado ainda preocupa, mas é importante que a gente tenha uma visão do que já foi feito. Há sete anos, em 1998, o índice de analfabetismo em Alagoas era de mais de 50%. Este ano foi divulgada outra pesquisa e estamos com índice de 30,4%. Como estamos combatendo o analfabetismo? Primeiro, tivemos uma grande expansão da matrícula dos ensinos fundamental e médio. No ensino médio, nos últimos sete anos, avançamos em 600% as matrículas, abrimos as portas das escolas do Estado e não temos mais aquele número de pessoas sem acesso à educação. Ao mesmo tempo, estamos fortalecendo a cada ano o nosso projeto de alfabetização de jovens e adultos. O Estado hoje tem três projetos de educação de jovens e adultos: o EJA [Educação de Jovens e Adultos], que atinge mais ou menos 35 mil alunos por ano; o Projeto Saber, que atinge mais ou menos 15 mil jovens e adultos por ano e o Alfabetizar é Preciso, em parceria com o governo federal, que é um projeto de alfabetização em massa, com 35 mil jovens e adultos alfabetizados. Se somar estes projetos, estamos alfabetizando de 80 a 90 mil jovens por ano. Nossa perspectiva é que em 2010 tenhamos 10% de analfabetos no Estado, um índice que ficaria abaixo da média nacional de hoje. O governador chamou os dados do Ipea de absurdos. São mesmo? Olhe, na realidade, precisa-se ver a sistemática de avaliação. Na questão do analfabetismo, isso é uma realidade. Ainda temos 30% de analfabetos do país. Está um pouquinho acima do índice do Nordeste, mas Alagoas já contribuiu muito mais fortemente com estes índices. Estamos 3% ou 4% acima deste nível. Já estivemos 20% acima, proporcionalmente. Temos muita gente analfabeta no Estado e isso se deve à negação da política pública de educação. Quem é o causador desta negação: é a pessoa que resiste em se alfabetizar, é o diretor da escola, é a Secretaria de Educação? Onde está o problema? Todas as nossas classes de alfabetização, quando são abertas as matrículas, são extremamente lotadas. A demanda é imensa. Há problema também na evasão escolar? Não, nos cursos de alfabetização não temos uma grande evasão. Na realidade, estes cursos são extremamente procurados. O que levou a esse número de analfabetos foi a negativa da oportunidade. Não se tinha vaga. Antes do governo do Ronaldo [Lessa], tinha-se apenas o projeto de alfabetização de jovens e adultos e a gente não atingia 20 mil alfabetizandos por ano. No ensino médio havia apenas 20 mil alunos matriculados na rede; hoje são 130 mil. E muitos terminavam mal o ensino fundamental e reincidiam no analfabetismo. No país, 60% dos que se reconhecem analfabetos já passaram algum dia por um processo de alfabetização ou por um curso regular de ensino. Esse é o grande trabalho da gente: propocionar o curso de alfabetização, que normalmente é de três anos, ou de alfabetização em massa, que é de seis meses, e garantir que esse aluno permaneça na escola. E o salário dos professores? O governador chegou a reconhecer que ele não é dos melhores. Implantamos a progressão automática deles, o sistema de avaliação, que permite ao professor a cada três anos ser avaliado e crescer na carreira. Nós modificamos a carreira de professor; foi um acordo com o Sinteal [Sindicato dos Trabalhadores em Educação], que foi negociado com eles durante três ou quatro meses. O professor tinha, do início da carreira até o final, um crescimento de apenas 20%. Daqui a cinco anos, ele passa a ter mais de 30% de avanço na carreira. O governo deu aumento em todos os anos, só não no ano passado. Demos este ano um aumento entre 14% e 24% à classe do magistério. Ainda é pouco, mas Alagoas está na média do Nordeste, está pagando bem melhor do que se pagou em outros tempos. O sr. faria hoje concurso para ser professor do Estado, recebendo pouco, como o senhor disse? Eu me formei em Direito, sou funcionário do TRT [Tribunal Regional do Trabalho]. Não é um salário de professor, é um salário melhor, e me submeti a um mandato popular e estou exercendo a minha profissão. Quem sabe, na hora em que eu sair da política, por vontade do povo ou minha, eu não tenha vontade de cumprir uma missão na rede pública estadual? Isso é muito relativo. Eu digo que teria uma grande honra de trabalhar para o Estado, e como professor. Nos bastidores, diz-se que o senhor está sendo preparado para disputar o governo mais à frente e percebe-se que no ano que vem o quadro é um pouco confuso, especialmente no PSB, partido ao qual o senhor pertenceu, que está em uma disputa branca entre o vice-governador Luis Abílio e a secretária de Saúde, Kátia Born. Como o senhor analisa isso? Estou preparado para a vida pública. Acho que o quadro atual tende para um apoio à candidatura do senador Renan Calheiros [ao governo]. Nós estamos pelo PDT trabalhando para que essa candidatura se configure: Renan como candidato ao governo e o governador candidato ao Senado. Se isso não se configurar por decisão do senador - e acho que o PSB vai ter essa compreensão também, porque estamos no PDT agora mas mantemos uma relação muito próxima ao PSB - se não acontecer a candidatura de Renan, internamente teremos um processo de escolha de um candidato. O PSB tem um vice-governador que teria todas as condições de administrar o Estado. Ele [Abílio] não estaria mais interessado em uma vaga no Tribunal de Contas? Não, não acredito. Ele é um excelente nome. Kátia tem pretensões e também se coloca em condições de pleitear o cargo dentro do PSB. No PDT eu estaria colocado, mas não vou colocar óbice em uma possível candidatura de Renan ou até em uma discussão interna. Não vou passar mais por esse processo que eu passei na Prefeitura de Maceió. E a gente ainda tem o Celso [Luiz, presidente da Assembléia] que tem a simpatia da classe política, muita força numa região do Estado que é o Sertão. Se o Renan não for candidato, o jogo zera e vamos passar por um processo de escolha deste candidato que pode chegar até junho ou julho do ano que vem, como aconteceu na Prefeitura de Maceió. Do outro lado, como acontece no campo da oposição, é a candidatura do deputado federal João Lyra (PTB) e a senadora Heloísa Helena (P-Sol). Qual a relação do senhor com o deputado João Lyra ? Nenhuma. Nem política nem institucional. Nenhuma. Acredita que ano que vem o quadro eleitoral corre o risco de não ter um candidato que tenha força nas urnas, como se espera? Acredito que quem chegaria com muita força pelas pesquisas é o senador Renan Calheiros. Fora ele, o jogo zera. Há a possibilidade de o senhor se lançar na disputa em 2006, como candidato ao governo? Não, não há. Porque acho que o PDT tem outro objetivo: a consolidação da candidatura do senador Renan Calheiros e Ronaldo Lessa ao Senado. O senador Renan Calheiros, lançando-se ao governo, vai conseguir unir Ronaldo Lessa e João Lyra? Acho que não. Nem há esse interesse do grupo do PDT. Estamos em campos opostos no Estado. Bem definidos. João Lyra é visto como uma ameaça ao grupo do governador? Não. Vejo como candidato de oposição ao grupo que está aqui. ### QUEM É Nome: Maurício Quintella Malta Lessa Idade: 34 anos Cargo: Deputado federal licenciado e secretário de Educação desde março de 2004 Foi eleito vereador em 2000 Partido: Primeiro membro do PSB a migrar para o PDT, em janeiro.

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