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Para Lessa, Lula foi traído por petistas

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ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) disse ontem que o presidente Lula foi traído porque confiou em membros do PT, atualmente acusados de montar um esquema de corrupção no governo. Quando eu vejo alguma coisa e sinto que é uma traição, quando você tem uma conduta, zela por uma coisa e depois vê um negócio desses, eu não sei o que eu faria, disse Lessa, enquanto visitava as obras do Centro de Convenções, no Jaraguá. Aliado de Lula, Lessa evitou comentar se o presidente tinha conhecimento do suposto esquema, dizendo que, quando encontrou com o presidente, há cerca de dois meses, não tive coragem de perguntar sobre corrupção no governo. Inquirido se existe clima de impeachment no país, contra o presidente, o governador também não quis se aprofundar em detalhes. Acho que isso não resolve. Ainda não encontrei, pelas informações que tenho, apesar de ter passado duas semanas afastado, nada que pudesse tirar a autoridade do presidente. O povo ainda confia no Lula, ainda acha que ele pode resolver o problema, avaliou Lessa. Dilema O governador enfrenta um dilema desde que entrou no PDT, em 10 de fevereiro. Lessa defende Lula em uma sigla de oposição ao Palácio do Planalto e amanhã, no Rio de Janeiro, a legenda realiza reunião do Conselho Político para avaliar a crise no governo Lula. No próprio PDT nacional, o clima é de indecisão sobre a liderança de um movimento nacional pedindo o impeachment do presidente. Amanhã, haverá um ato contra a corrupção e contra a política econômica do governo, organizado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o PPS, P-SOL, PV, PCV e PSTU, além do PDT. Para evitar estardalhaço, o ato será em recinto fechado, um auditório da ABI. Fora Lula O debate no PDT nacional é sobre o slogan Fora Lula. Ontem, no site do partido, parece que, pelo menos por enquanto, a palavra de ordem foi suprimida. O presidente da ABI, Mauricio Azedo, explicou que a entidade participar de um ato contra a política econômica atual não teria problema algum, mas não seria a mesma coisa caso a palavra de ordem fosse, por exemplo, ?Fora Lula?, o que exigiria uma discussão e decisão anterior sobre este ponto, da própria diretoria da ABI. Os participantes decidiram elaborar um documento/carta, de comum acordo, para convocação de entidades que analisasse os últimos acontecimentos no Brasil e, especialmente, as conseqüências da política econômica implementada pelo governo do PT, explicou o PDT, em nota oficial, publicada ontem. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), por exemplo, no último final de semana, chegou a afirmar que as investigações em Brasília poderiam chegar ao presidente Lula e não estava descartado o impeachment do presidente. ### Chico de Assis: situação ainda sem definição A situação no governo do superintendente de Fomento à Atividade Cinematográfica e Audiovisual de Alagoas, Francisco de Assis Carvalho Júnior - o ator Chico de Assis - ainda não está definida, pelo menos é o que avaliou ontem o governador Ronaldo Lessa (PDT). Vou mandar a Procuradoria Geral do Estado ver o que isso pode representar em função do cargo que ele está, disse Lessa. Chico de Assis foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a restituir aos cofres públicos federais o montante de R$ 274.387,00, mais uma multa de R$ 20 mil, porque o TCU julgou irregulares as contas do Instituto Mangue Verde. Segundo o relatório do TCU sobre as contas do Instituto Mangue Verde - do qual Chico de Assis era presidente - a condenação aconteceu porque Assis não teria prestado contas de dinheiro federal recebido pelo Mangue Verde para o projeto Mundaú das Artes, idealizado pela bailarina Maria Emília Clark para crianças carentes da beira da lagoa, e patrocinado com verbas da Petrobras, entre 2001 e 2002. Segundo o TCU, a falta de prestação de contas, por parte de Chico de Assis, configurou omissão, improbidade administrativa e faz supor desvio de verba. Elogio Apesar da indefinição sobre o futuro do superintendente, o governador elogiou Chico de Assis, lembrando que ele é conhecido internacionalmente como ator e repetiu duas vezes que o superintendente é um homem decente. Chico é um homem decente, um homem decente. Espero que o que ocorreu possa ser esclarecido e a gente não perca uma pessoa da qualidade de Chico de Assis, avaliou. SEM VINGANÇA Lessa negou também que tivesse agido por vingança ao nomear o novo comandante do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), coronel Jair Cordeiro, que perdeu uma medalha de mérito à Justiça depois de criticar o Poder Judiciário. A decisão foi do juiz James Magalhães, que também é juiz da 3ª Zona Eleitoral, decidiu pela ineligibilidade do governador Ronaldo Lessa e do secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira, há um mês. Depois da decisão, Lessa acusou o juiz de participar de um esquema de mensalão, que seria mantido pelo deputado federal João Lyra (PDT). Lyra revidou insinuando que Lessa era louco. Acha que vou dar tanta importância a esse James Magalhães, mudar os bombeiros por causa dele? Desculpe, mas ele não tem essa importância toda, alfinetou o governador. |OR ### Ministério entrou com R$ 1,4 milhão Enquanto o governador Ronaldo Lessa inspecionava, junto com assessores, as obras do Centro de Exposições e Convenções do Jaraguá, no final da manhã de ontem, um representante do Ministério do Turismo passeava discretamente pela obra, para saber se os recursos enviados pelo ministério estavam sendo aplicados integralmente. O ministério foi responsável pela parte externa do centro, orçada em R$ 1,4 milhão. Achei que está ficando muito bom o acabamento da obra, acho que vai atender às expectativas, disse Carlos Camilo Boni, representante do ministério, que terá de elaborar um relatório sobre a contrapartida dos investimentos do ministério. Ao mesmo tempo, ele evitava aprofundar suas impressões sobre a obra. Aparentemente, falava medindo as palavras. Acho que não vai ter nada [a contestar no relatório], declarou. inauguração A previsão é que o Centro de Exposições seja definitivamente entregue em 15 de setembro, quando será concluído o teatro, que funcionará na parte interna do centro. O custo total da obra é de R$ 24 milhões, com contrapartidas do Estado e da Prefeitura de Maceió, além de verbas federais. A empresa responsável pela obra é a Construtora Santa Bárbara. A Santa Bárbara a mesma empreiteira que construiu o presídio Baldomero Cavalcanti, que vem recebendo severas críticas pelas falhas na estrutura física e os erros de concepção. ação pública O Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública contra o Estado e a construtora, denunciando que houve superfaturamento de 190,07% nos custos do presídio, e apontando o uso de material de qualidade inferior à que constava no projeto original. Apesar de ter sido anunciado como um presídio de segurança máxima, o Baldomero tem sido um dos mais vulneráveis de todo o país: ali já foram registradas mais de 100 fugas. Recentemente, o Estado voltou a contratar a Santa Bárbara para fazer a reforma no sistema prisional. |OR ### Renan deve chegar no fim de semana O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) está com previsão de chegar a Alagoas neste final de semana, mas, segundo sua assessoria, em Brasília, ainda não está definido o dia em que ele chegará ao Estado. Possivelmente, informaram assessores, o senador almoça no domingo com a família, na capital alagoana. Renan tem viagem marcada para amanhã ao Rio de Janeiro, para participar das comemorações dos 80 anos do jornal O Globo. Na sexta-feira ele vai a Recife para a posse do novo comandante militar do Nordeste, general Heron Marques. A assessoria do presidente do Senado não soube informar se do Recife ele virá direto para Alagoas. Segundo in formações de bastidores, o senador tem preparado as lideranças políticas do interior alagoano para uma eventual candidatura sua ao governo estadual nas eleições do próximo ano. Ele decide no início de 2006 se disputa ou não a sucessão ao Palácio dos Martírios. Apesar da dúvida, os outros dois principais líderes políticos alagoanos - o governador Ronaldo Lessa (PDT) e o deputado federal João Lyra (PTB) -, em linhas opostas, percorrem o interior alagoano à caça de apoios para a campanha eleitoral. Lessa tenta o Senado e João Lyra tem lançado balões de ensaio na imprensa, insinuando que poderá ser candidato ao governo. No Palácio Floriano Peixoto, houve divisão nas tarefas da campanha: a secretária de Articulação, Fátima Borges, viaja ao interior para o contato com as lideranças. O secretário geral de Governo, Pedro Alves, faz política na capital. Lyra tem viajado freqüentemente e no final de semana passado, no hotel Bitingui, em Japaratinga, à tarde, em um almoço, falou sobre sucessão a um grupo de políticos locais. Inquirido se era candidato, dizem que colocou um boné azul, com os dizeres João Lyra 2006e teria perguntado: Ainda tem dúvida?. |OR

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