Política
Renan é candidato mais do que nunca
ODILON RIOS Repórter A candidatura a governador de Alagoas está se aproximando mais do que nunca dos objetivos do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). Foi o que ele declarou ontem em entrevista à Gazeta: Dificilmente eu não serei candidato [ao governo], hoje mais do que nunca. Essa decisão é para janeiro, até março do próximo ano, mas se tivéssemos que antecipá-la e dependesse de mim, hoje sou pela candidatura a governador. Mais do que nunca, sou pela candidatura a governador, repetiu o senador, que permanece este final de semana no Estado, percorrendo o interior. Até mais ou menos cinco meses atrás, uma eventual candidatura de Renan Calheiros ao governo do Estado era considerada remota, já que, com sua eleição para a presidência do Senado, abriam-se amplas perspectivas nacionais para o senador alagoano. Isso gerou ensaios de articulações para uma provável sucessão sem Renan em Alagoas. Mas, em março, o senador deu entrevistas em Alagoas afirmando que não descartava a candidatura ao Palácio dos Martírios. Isso criou expectativa em todos os grupos políticos alagoanos, esperando uma definição para a movimentação do xadrez eleitoral. Mas parece que tudo mudou com o estouro em Brasília do escândalo de mensalão, envolvendo membros do governo federal e a cúpula petista (ver matéria abaixo). SEM ANTECIPAR O senador, porém, preferiu não antecipar as discussões eleitorais - pelo menos em pronunciamentos públicos -, apesar de saber que, nos bastidores, o governador Ronaldo Lessa (PDT) e o deputado federal João Lyra (PTB) estão se movimentando na capital e no interior com vistas a 2006 - Lessa é candidato declarado ao Senado e Lyra não nega a vontade de disputar o governo. Acho que não é recomendável antecipar as decisões, disse Renan ontem. Ele insistiu na tese da candidatura de união de forças. Candidatura a governador tem de ser desejo coletivo. Ela tem que ser conseqüência do que os partidos querem, os movimentos sociais, os empresários, os trabalhadores querem. Quando se coloca uma candidatura que não representa isso, que significa apenas interesse pessoal, ela está fadada ao insucesso, a ter mais dificuldade. Não dá para fulanizar o processo. Se a vontade de Alagoas for pela minha candidatura, não sou de fugir da luta, refletiu, que na entrevista feita ontem pela manhã falou três vezes sobre sua candidatura ao governo ano que vem. Lessa x Lyra Questionado sobre o conflito político entre o governador Ronaldo Lessa e o deputado João Lyra por causa de um suposto esquema de mensalão denunciado pelo governador e que envolveria Lyra, Renan preferiu não fazer comentários: Não quero entrar em aspectos desta briga. Não me compete fazer isso. Sou amigo dos dois. Não quero entrar nessa discussão porque não tem como sair bem dela. No começo do ano, no Palácio Floriano Peixoto, Renan chegou a defender a idéia de um chapão, unindo setores da esquerda e da direita em torno de um nome - que poderia ser o seu. Só que a tentativa de unir Lessa e Lyra tem sido cada vez mais improvável e, mesmo que Renan se lance hoje candidato ao governo, dificilmente conseguiria juntar os dois grupos. Entendo que o esforço de quem quer viabilizar uma candidatura, e principalmente de viabilizar o Estado, é trabalhar para unir todos os segmentos da sociedade. Minha candidatura só teria sentido representando tudo isso: a união de alagoanos para que Alagoas possa se desenvolver e implementar um projeto de Estado, resolver aspectos de infra-estrutura, retomando investimentos, articulando com o governo federal o refinancimento da sua dívida pública. Alagoas paga hoje algo em torno de R$ 35 milhões, com a dívida todos os meses. Isso é muito para Alagoas, que tem pouco para investir com recursos próprios, disse Renan. ### Para senador, Lula não está envolvido No aspecto nacional, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB), disse ontem, na entrevista à Gazeta, em Maceió, que tem certeza do não-envolvimento do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em esquemas como o do mensalão, em que o Partido dos Trabalhadores se envolveu. Renan afirmou ter convicção da inocência do presidente da República, detalhou as instruções que deu para que as investigações disponham de toda a estrutura necessária para se chegar às responsabilidades, mas evitou comentários ou fazer juízo de valor sobre fatos até agora descobertos e pessoas supostamente ou comprovadamente envolvidas em irregularidades no chamado valerioduto. SEM envolviMENTo Se há uma certeza hoje que começa a ficar clara é com relação ao não envolvimento do presidente, afirmou Renan. O Congresso trabalhou no recesso, eu recomendei que a Comissão Parlamentar de Inquérito se debruçasse sobre os documentos, os extratos bancários, se for necessário vou contratar peritos contábeis, fiscais, chamar auditores tributários, enfim fazer o que tem que ser feito. Se for necessário responsabilizar, vamos responsabilizar; se for necessário punir, vamos punir exemplarmente, afirmou o senador, evitando falar mais sobre a CPMI dos Correios. Cassações Eu tenho me recusado, para ter a isenção e a coerência necessárias, a entrar no mérito da investigação. Eu trabalho para que a CPI tenha força, aprofunde a investigação e dê as respostas que a sociedade cobra, avaliou, também sem querer entrar em detalhes ou enumerar a possível cassação de parlamentares envolvidos nas denúncias. Ainda é cedo para dizer se isso vai acontecer ou não. Como disse, tenho me recusado a discutir o mérito da investigação porque, quando se entra nesse tipo de discussão, fica difícil sair dela. E acaba colaborando com pré-julgamentos, antecipando decisões, sentenças, e não é bom quando isso acontece porque não é isso que o País quer, explicou. PMDB DIVIDIDO Outra crise adminIstrada pelo presidente do Congresso é o racha interno em seu partido, o PMDB, após a entrega de três ministérios a pemedebistas, na reforma ministerial c oncluída este mês pelo presidente Lula. Na própria negociação para o PMDB continuar ajudando a garantir a governabilidade, ajudando na sustentação congressual, nós incutimos o projeto de poder próprio, a possibilidade da candidatura própria, que eu entendo que é algo que pode unificar essas correntes do PMDB amanhã. Não agora, mas em março, abril do próximo ano, quando nós vamos começar a decidir, disse o presidente do Congresso. PMDB COM PT Renan também não descartou a possibilidade de unir, no mesmo palanque, PMDB e PT no ano que vem, no campo nacional. É cedo para responder taxativamente, mas pode, sim. Por enquanto, o PT tem um projeto de poder e o PMDB também tem um projeto de poder. Quer dizer, você vai compatibilizá-los? Não sei, só os fatos dirão. Claro que hoje está muito mais difícil que ontem, porque o PMDB cresceu, cresceu muito. De modo que o partido tem hoje, mais do que nunca, condição de ter um candidato próprio a presidente da República, com viabilidade, desde que ele tenha um projeto de nação. Acho que, unindo as suas correntes em torno de uma candidatura, o PMDB pode eleger um presidente da República, avaliou. |OR