Política
PFL e PT debatem crise e mensalão
| ODILON RIOS Repórter O primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL-AL) e o presidente estadual do PT em Alagoas, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, participaram, no final da manhã e início da tarde de ontem, de um debate na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Alagoas, no Centro de Maceió. O tema principal do debate foi a crise no governo federal depois das denúncias de mensalão, envolvendo membros da cúpula petista e do governo, e que agora, com novas investigações e denúncias, atinge também políticos do PFL e do PSDB, aliados na oposição ao governo Lula. O debate foi organizado pelo curso de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). política e economia O objetivo do debate é estabelecer uma interface entre a crise política e a situação econômica, disse o vice-presidente da Ordem, Everaldo Patriota. Ao mesmo tempo, Patriota afirmou que o modelo eleitoral hoje vigente no Brasil está falido, não leva a uma democracia plena, reduziu a democracia. Vota-se sem ter compromisso com a legitimação do processo. Patriota evitou falar em um movimento Fora Lula, que começa a ser articulado por setores oposicionistas mais radicais. Se chegar a se concretizar esse movimento, a Ordem tomará a posição adequada, analisou o vice-presidente da OAB-AL. CRISE MONUMENTAL O vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô, disse em sua exposição inicial que o Brasil vive uma crise monumental e reclamou dos juros, chamando-os de imorais. O deputado Thomaz Nonô protagonizou alguns pontos altos do debate. Figura carimbada Já o presidente estadual do PT argumentava que o governo Lula, através da Polícia Federal, conseguiu colocar muita gente na cadeia. Paulão avaliou que a crise não chegaria no presidente da República e afirmou, referindo-se ao escândalo que se iniciou com denúncias de corrupção nos Correios: O erro foi o secretário do PT, Delúbio Soares, se envolver com uma figura carimbada como essa, o publicitário Marcos Valério. Esse foi o erro e a gente está pagando um preço muito alto por isso. Valério é apontado como o principal operador do chamado mensalão. ### Denúncias de farpas de parte a parte Durante quase três horas, os deputados José Thomaz Nonô e Paulo Fernando dos Santos analisaram a crise e trocaram farpas entre si, enquanto faziam longos intervalos para ouvir aplausos dos grupos levados como torcidas organizadas ao auditório da OAB-AL. O auditório estava lotado e parecia haver vivo interesse da platéia em torno da crise política que eclodiu desde a denúncia de corrupção nos Correios. Estavam prsentes estudantes, sindicalistas, dirigentes e membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), militantes do P-Sol, o delegado regional d Ministério da Agricultura, Évio Lima, e o secretário estadual de Direitos Humanos, José Roberto Mendes do Amaral (ambos petistas), além do secretário municipal de Saúde, João Macário, indicado por Nonô para o cargo. A certa altura da discussão, Paulão chegou a proclamar: O PT tem o Delúbio e o PFL, Roberto Brant. Foi vivamente aplaudido pela claque petista. Roberto Brant é deputado federal pelo PFL de Minas, ex-ministro da Previdência do governo Fernando Henrique Cardoso e confessou ter recebido doação através de caixa dois do publicitário Marcos Valério, de R$ 102,8 mil para campanha eleitoral, sem declarar à Justiça. Nonô revidou: Se a CPI tiver tempo, os Correios serão uma delícia. Toda a cúpula dos Correios foi demitida. Toda, repetiu, sob o silêncio de membros do PT, alguns de cabeça baixa. O deputado estadual Paulão lembrava do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o comparava ao governo Lula, acusou lojas de Maceió de servirem para lavagem de dinheiro e fez ainda acusações genéricas ao Poder Judiciário. O vice-presidente da Câmara rebatia as acusações de que é representante dos usineiros na Câmara Federal, lembrando que o governo tinha dado um reajuste aos funcionários públicos de 0,01% e refletiu: Não vou comparar [as denúncias de corrupção] com o governo do FHC, Juscelino Kubitschek ou D. Pedro II e sentenciou: Eu votei no Lula e foi muito pior. |OR