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Kátia lança hoje Abílio para governador

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| ODILON RIOS Repórter Um dia após o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), admitir com exclusividade à Gazeta que deverá ser candidato ao governo estadual, o PSB alagoano resolveu contra-atacar o suposto aliado: escolheu o vice-governador Luis Abílio (PSB) como candidato ao governo ano que vem. Abílio coloca seu nome na disputa hoje, no sítio Arara Azul, na Serraria, às 11h da manhã. A informação foi dada pela secretária de Saúde, Kátia Born, que também é vice-presidente da legenda. Quinta-feira, Renan disse à Gazeta que atualmente está disposto a ser candidato mais do que nunca, praticamente descartando uma eventual reeleição à presidência do Senado ano que vem ou um projeto nacional como o lançamento do seu nome à Presidência da República, para tentar unificar o PMDB, ou como vice em uma chapa com o presidente Lula, que enfrenta uma crise no governo com denúncias de mensalão a parlamentares da base aliada, e que atingiu membros do governo. Mudança Com a decisão anunciada ontem, Kátia se retira de vez da disputa majoritária em 2006 e vai tentar uma vaga na Cãmara Federal. Amanhã [hoje], o Abílio será lançado o candidato do consenso do PSB. Saio da disputa, disse Kátia. Sou candidata a deputada federal, afirmou. De maneira taxativa, ela argumentou que o presidente do Senado não será candidato ao governo ano que vem, ao contrário do que o póprio Renan anunciou. Acho que o Renan não é candidato, sentenciou Kátia. O candidato vai ser João Lyra, apontou. Para ela, a estratégia do senador é deixar o nome em evidência tanto no cenário estadual quanto nos municípios. A maior dúvida a partir de hoje, com o lançamento de Abílio ao governo, é o discurso, ou seja, se ele será de oposição a Renan. A partir de amanhã [hoje], o PSB tem candidato, repetiu a ex-prefeita da capital, evitando esclarecer se o vice-governador vai bater em Renan. Segundo Kátia, entre os socialistas, não vão existir mudanças com o lançamento de Renan ao governo. Não muda nada porque estamos muito longe das eleições, refletiu. Nos bastidores, o nome da ex-prefeita de Maceió não era considerado forte o bastante para disputar o governo alagoano. Isso porque Kátia teria alto índice de rejeição em pesquisas do PSB alagoano, chegando à casa dos 80%. A rejeição, segundo apurou a Gazeta, acabou afastando de vez o projeto da secretária de Saúde de se lançar ao governo alagoano, apesar de ela percorrer, pelo menos duas vezes por semana, o interior alagoano e expor na mídia a Secretaria de Saúde, evitando, porém, aparecer nas imagens, por recomendação de sua assessoria jurídica. Esvaziamento Segundo apurou a reportagem, com o lançamento de Abílio ao governo, separam-se as decisões do governo e do partido, que desde o começo do ano enfrenta esvaziamento com a saída do governador Ronaldo Lessa, que assinou ficha de filiação ao PDT em fevereiro. Abílio é o único membro do grupo de Lessa que não saiu do PSB. Por causa da sucessão estadual, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN) abandonou o PSB e pode esvaziar ainda mais a legenda. Celso era um dos candidatos ao governo estadual, mas foi colocado de lado pelo Palácio. ### João Lyra diz que nada muda com Renan no páreo Através de sua assessoria, o deputado federal João Lyra (PTB) afirmou ontem que nada foi alterado no quadro partidário, após a confirmação da candidatura do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB), ao governo estadual. Independente dos nomes, sou candidato ao governo, disse o deputado, sem descartar uma composição: Há escolhas, disse. A assessoria, porém, não quis cogitar uma possível união entre Lyra e o governador Ronaldo Lessa (PDT), em um mesmo palanque, ano que vem. O assunto, segundo informou a assessoria, não foi tratado pelo deputado, após a decisão política do presidente do Congresso. Lyra estava ontem em Minas Gerais, visitando suas usinas. Quando está em Alagoas, percorre o interior e prepara os diretórios do PTB para 2006. Renan Calheiros disse anteontem que sua candidatura ao governo só terá sentido se conseguir unir todos os grupos políticos alagoanos. Mas quando foi questionado sobre o recente conflito político entre Lessa e Lyra, Renan evitou comentar. Sou amigo dos dois, disse. Farpas Lyra e Lessa trocaram farpas na imprensa no final de junho, quando o governador denunciou um suposto esquema de mensalão, uma mesada, paga a juízes alagoanos e que seria patrocinada pelo deputado, que negou as acusações e insinuou insanidade mental em Lessa. No grupo de João Lyra, parece que as acusações de Lessa não tiveram um efeito tão devastador, tanto que atualmente o deputado federal aceitaria conversar com membros governistas sobre uma possível composição ano que vem, apesar da resistência do grupo político palaciano. |OR ### PSDB avisa que não quer ficar palitando os dentes Os tucanos não ficaram surpresos com o lançamento da candidatura do senador Renan Calheiros (PMDB) ao governo estadual, mas lembraram da existência de uma promessa: a de que a vaga de vice será do PSDB. O vice será do PSDB, não se abre mão, disse o secretário regional da legenda, Claudionor Araújo. De acordo com ele, se não for lançado um nome do PSDB como vice de Renan, a questão fica complicada. O PSDB não admite ficar palitando os dentes. Queremos apresentar o vice, completou o secretário regional. A vaga de vice de Renan, no PSDB, poderia ser ocupada pela ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, como se cogita nos bastidores, apesar de ela ainda não ter assinado a ficha de filiação, esperando pela vinda do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ao Estado, possivelmente em agosto. Caso o PSDB não obtenha a vice, em uma composição com Renan, escolheria outros nomes, ao governo, da própria legenda, em uma composição estilo puro-sangue. Apesar de batalhar pela vaga de vice, os tucanos discretamente realizam encontros no interior alagoano, lançando os nomes do partido ao governo e organizando os diretórios regionais. O último aconteceu em Pilar. Além disso, para dar mais visibilidade à legenda, os tucanos programam até o final do ano uma série de palestras debatendo a conjuntura nacional com candidatos a presidente do partido, como FHC, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Os eventos começaram com a vinda ao Estado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, considerado atualmente com poucas chances de concorrer à vaga com o presidente Lula, que disputaria a reeleição. |OR

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