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Política

Não queremos mesmice na eleição

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| ODILON RIOS Repórter Presidente da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), a prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão (PMDB), defende uma candidatura própria ao governo de 2006, saindo da associação e envia um recado: Nós não agüentamos mais a verticalização, a coisa vem de cima para baixo e para acontecer na base é difícil. Gazeta - Presidente, a AMA articula atualmente uma candidatura ao governo estadual, um candidato municipalista. Por que essa idéia? Tem havido mais discurso dos candidatos ao governo em 2006 e menos ação? Rosiana Beltrão - A idéia central é ouvir todos em torno de uma proposta. Ninguém se lança candidato. Onde está se formando este diálogo? Na AMA, com os prefeitos, mas vamos expandir, ouvir os conselhos municipais, os fóruns de debates permanentes, as câmaras de vereadores. Vamos juntar idéias para formatar uma proposta. Nós não agüentamos mais a verticalização; a coisa vem de cima para baixo e para acontecer na base é difícil. Vamos ouvir. O que se espera do próximo governador de Alagoas? O que falta nesse espaço que estamos vendo agora? O que falta para melhorar e para formatar uma proposta? Como você vê a atuação do governo estadual dentro da sua situação municipal? Não podemos pensar o Estado isoladamente por municípios, mas em desenvolver regiões. É uma espécie de cruzada? Claro. Um município diz: meu foco é o turismo, o artesanato. É esse o sentido: formatar propostas. Teremos tempo e vamos ouvir todos os prefeitos. A pergunta que faremos nos municípios, faremos primeiro aos prefeitos. Sabemos que a maioria dos municípios vive de repasses constitucionais, ou seja, das verbas do FPM [Fundo de Participação Municipal] ou daquelas direcionadas para a saúde ou educação. Ficam pouquíssimos recursos para fazermos investimentos. É aí onde entra a parceria com o governo estadual. Tenho certeza de que com isso se consegue fazer um projeto grandioso. Não temos um nome direcionado, mas idéias. Não se pode aceitar que os destinos do Estado sejam discutidos entre um grupo muito fechado. A senhora fala em insatisfação de um grupo de prefeitos, só que a maioria é ligada aos três líderes eleitorais em 2006: o governador Ronaldo Lessa, o presidente do Senado, Renan Calheiros e o deputado federal João Lyra. Estes prefeitos entrariam em conflito com estes grupos? De jeito nenhum. A idéia não é entrar em conflito, mas pregar a união. Não vamos transformar a AMA em um palanque político, mas em um grande debate, tentar amenizar ou resolver os problemas que existem em Alagoas. A idéia é aproveitar os talentos. Ano que vem, claro que isso vai se encaminhar para o processo político eleitoral, mas, por enquanto, nós estamos defendendo fielmente, traçando o perfil do próximo governador de Alagoas. A senhora se lançaria nessa empreitada? Não é hora disso. Somos 102 prefeitos, todos temos talentos administrativos. No meio de 102, cada um vai identificar no colega a maneira de colaborar nesse processo. Os municípios têm problemas, mas os prefeitos parece não ter firmeza em conversar com o governador Ronaldo Lessa sobre essas dificuldades e cobrar ajuda. Há empecilhos para chegar ao governador? É uma relação muito personalizada. Não sou eu que devo dar essa opinião porque esse tratamento não é definido pela AMA, mas entre o Palácio e o município. Então é um relacionamento implantado pelo Palácio, que tem seus articuladores, os secretários. Nesse caso, existem os amigos e os correligionários. Não é nossa função intervir nessa relação prefeito-Palácio. Mas eles chegam ao Palácio? De uma certa forma, sim. São recebidos, mas não sei se as propostas são encaminhadas. Não sabemos, a partir daquela audiência, o que vai ser encaminhado e recebido. Há condições de avaliar se a crise política em Brasília atinge os municípios alagoanos? Ela atinge o andamento dos grandes projetos no Brasil. Nós temos a reforma tributária parada e isso atinge os municípios, porque dentro da proposta de reforma tributária está contido o aumento de 3% [no FPM], que na prática seria este ano de 3% e a gente está lutando primeiro pelo 1%. Nesse caso, nos trabalhos do Congresso, a crise atrapalha. Cadê as propostas? Cadê as reformas? Na prática, o senador Renan Calheiros, do PMDB, confirmando que é candidato ao governo, o que é que muda neste cenário? É um nome para a gente ouvir. É onde se encaixam as propostas e o diálogo. É um grande campo para se trabalhar e ouvir. Entre os candidatos lançados, ele tem a melhor arma na mão: é presidente do Senado. Isso quer dizer que, a partir de agora, ele já pode encaminhar grandes projetos para Alagoas, mesmo sem ser o governador. A paciência da AMA, ao articular um nome para o governo do Estado, acabou, comparando-se com outros candidatos? Não é a paciência que chegou ao limite, ela é ilimitada. O que não queremos mais é a mesmice: eu prometo, eu faço... Queremos inverter essa pauta, ou seja, mostrar o candidato que vai defender os interesses de Alagoas. A AMA quer brigar então por um nome? Não quero colocar isso, mas reivindicar. Quero reivindicar para que os municípios tenham melhor condição de desenvolvimento. Essa é a palavra-chave: reivindicar. A insistência da senhora em Brasília pelas verbas para as cheias de Feliz Deserto serviu de mote para esse projeto da AMA? Hoje, estamos muito mais perto dos recursos. Um passo importante foi a medida provisória 257, publicada há duas semanas, que garante recursos para os municípios atingidos pelas enchentes. No caso de Alagoas, Coruripe e Feliz Deserto. Então, os recursos chegaram? Estamos na fase da burocratização. Depois da medida provisória, ainda tem muito caminho a percorrer. O Ministério da Integração pediu alguns documentos, cerca de 28 itens para a prefeitura resolver: certidões, balanços, mapas. Tudo o que se possa imaginar. Quando isso estiver pronto, o Ministério faz um convênio com as duas prefeituras; no caso de Alagoas, Feliz Deserto e Coruripe, para que a gente assine esse convênio e garanta o recurso. Mas, eu diria que em uma caminhada de 100%, já caminhamos 90%. Quanto tempo? Até o final do ano? Acredito que assino isso em agosto. No final do ano, chamamos a imprensa para a inauguração da cidade. Dia 3 de agosto completam 90 dias da publicação do decreto. A prefeitura está arcando com a maioria das despesas, mas houve as doações. Alagoas possui muitos representantes em cargos-chave no Congresso Nacional. O prestígio tem sido revertido em verbas para os municípios alagoanos? Institucionalmente, mudou, é uma relação boa, mas, na prática, se os recursos chegam com facilidade, digo que não mudou nada. Não decepciona, depende de como cada um faz o encaminhamento. Pode ser o papa, mas se não encaminhar, não buscar a discussão... De fevereiro para cá, tem muita coisa para acontecer. Creio que essa pergunta no final do ano será respondida com mais consistência. Aqui, na vida das pessoas que moram nos municípios, nós continuamos vivendo a mesma amargura de sempre: quando chega no fim do mês, nesta época, o FPM cai porque os contribuintes recebem o imposto de renda, a devolução. Cai a arrecadação, mas os compromissos estão crescentes. É uma bola de neve. Como analisa o cenário político pós-Operação Guabiru? Vamos ver daqui a seis meses. Porque é tempo de formatação. Ninguém chega do dia para a noite e diz: aqui é um modelo de pessoa. Acho que o campo político-partidário não mudou. O que eu diria que mudou é a opinião das pessoas, é o eleitor, que está cada vez mais correto, mais exigente, mais fiscalizador, entende mais de política. Se o político não muda, o eleitor é que vai mudar. E conseqüentemente o político muda o seu direcionamento Como conseqüência disso, sai este ano a reforma política? Creio que não. Pelo cenário que está se desenhando aí, tem pouquíssimo tempo. Mas creio que a melhor reforma política está sendo feita pelo povo. ### QUEM É Nome: Rosiana Beltrão Idade: Segundo ela, mais velha que a Angélica e mais nova que a Xuxa Cargos: Prefeita de Feliz Deserto e presidenta da AMA Partido: PMDB Formação: Bacharela em Ciências Contábeis Hobbies: Trabalhar

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