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Desarmamento divide deputados de AL

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| PETRÔNIO VIANA Repórter O posicionamento dos membros da Assembléia Legislativa do Estado (ALE) em relação ao referendo que vai decidir sobre o comércio de armas de fogo e munição no Brasil ainda não está plenamente definido. A maioria dos deputados estaduais alagoanos inquiridos pela Gazeta é favorável ao desarmamento da população, mas ainda existem os indecisos, e pelo menos um parlamentar é contrário à proibição da venda de armas no país. A deputada Maria José Viana (PSB) acredita que a proibição trará conseqüências benéficas. A população armada contribui para uma maior violência, diz ela. O desarmamento é uma forma de prevenir. Mas trabalhar a violência não é só trabalhar o desarmamento. Tem que haver também um processo educativo da população, pondera. A deputada lembra que os resultados da proibição da venda de armas no Brasil podem levar um certo tempo para ser observados. Isso não é de um dia para o outro. É um processo gradual, avalia Maria José Viana. O deputado Júnior Leão (PL), de Arapiraca, também se diz a favor do desarmamento. Sou a favor da paz, claro que sou a favor do desarmamento, resumiu. O deputado acredita que a medida pode ter influências positivas nos índices de criminalidade em Alagoas e no Brasil. Isso deverá diminuir sensivelmente a violência no país, mas devem-se associar a isso outras ações do governo de combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, porque esse é um segmento muito forte e gera muita violência no nosso país, argumentou Leão. Luiz pedro: INSEGURANÇA Na opinião do deputado Cabo Luiz Pedro (PDT), o desarmamento deve ser tanto para a população quanto para os criminosos. Eu sou a favor do desarmamento, mas não sou a favor de desarmar só o cidadão de bem. Ter conhecimento de que as pessoas estão andando desarmadas dá mais tranqüilidade, avaliou. O deputado aproveitou para criticar a situação da segurança pública em Alagoas. A segurança no nosso Estado, hoje, é insegurança. Tinha que voltar as subdelegacias e botar o pessoal para trabalhar. Hoje, está acontecendo um crime, a viatura só vai estar lá na hora em que está acontecendo o fato, disse. ### Alagoas terá que criar comitês estaduais O desembargador corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Humberto Martins, explicou que haverá comitês estaduais durante a campanha que antecederá o referendo para a proibição da venda de armas de fogo e munição no território nacional. O referendo vai obedecer às normas determinadas pela Corregedoria do TRE e será fiscalizado por representantes das frentes pró e contra o desarmamento, além do próprio TRE, disse. O deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), declarou que pretende participar da organização do comitê favorável ao desarmamento. Eu entendo que a campanha do desarmamento tem um caráter pedagógico para toda a sociedade, para que a gente possa criar uma cultura da paz, argumentou Paulão. O deputado concorda que outras ações do governo, voltadas para a área social, devem ser agregadas ao desarmamento da população. A questão maior é o fosso social. Enquanto você não investir em saúde, educação, moradia popular, em geração de emprego e renda, você vai ter sempre o problema da criminalidade. É necessário também reverter esse modelo econômico, para que se possa priorizar o social e diminuir a concentração de renda no nosso país, enfatizou o deputado. Paulão disse que pretende solicitar a realização de um amplo debate sobre o tema no plenário da Assembléia Legislativa, convidando o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) e os deputados federais Raul Jungmann (PPS-PE) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). |PV ### Dudu e Ferreira indecisos; Ferro neutro Entre os membros da Assembléia Legislativa do Estado (ALE) estão aqueles que ainda não se posicionaram em relação ao referendo que vai decidir sobre o comércio de armas de fogo no Brasil. O deputado Dudu Albuquerque (PSB) é um dos parlamentares que ainda têm dúvidas sobre a viabilidade e a eficácia da medida. Eu ainda tenho dúvidas sobre esse projeto. Não sei se o desarmamento realmente resolve o problema. Existem fatores que devem ser trabalhados desde o início, como a educação e a geração de emprego e renda, ponderou o deputado. Albuquerque também criticou o volume de recursos investidos na realização do referendo popular. Esse investimento poderia ser feito em outros setores, com bons resultados. Acho que é um pouco de demagogia, apesar da intenção ser das melhores. Acredito que deveria haver um estudo mais aprofundado antes da proibição. Se houver reforço no policiamento, pode ser uma ação válida, avaliou. O deputado Marcos Ferreira (PSB) concorda com Dudu Albuquerque. Na opinião de Ferreira, para que o desarmamento aconteça, deveria haver um contingente muito grande de policiais nas cidades. Os bandidos possuem verdadeiros arsenais. Na zona rural, a situação é pior. O pequeno proprietário vai ficar totalmente exposto. Eu vou esperar mais para ter uma definição sobre esse assunto, disse. O deputado Cícero Ferro (PMDB) foi localizado pela reportagem da Gazeta para opinar sobre o tema, mas preferiu manter a neutralidade. Eu ainda não me dediquei a esse assunto, declarou. |PV ### Tenório diz que vota não à proibição O vice-presidente da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), deputado Francisco Tenório (PPS), que também é delegado de polícia, foi o único parlamentar que assumiu para a reportagem da Gazeta ser contrário à proibição da venda de armas de fogo e munição no território nacional. Na opinião de Tenório, o problema da violência no Brasil não será resolvido apenas com o desarmamento da população. O problema não está aí. O problema está na contenção do uso de armas irregulares por pessoas despreparadas ou por bandidos. É preciso se discutir a estrutura do aparelho policial para conter a violência, argumentou. O deputado diz não acreditar que a proibição da venda legal de armas de fogo irá provocar a redução dos índices de criminalidade do país. Eu acredito que o referendo vai proibir, mas a população vai responder ?sim? com base em estatísticas mascaradas divulgadas pelos idealizadores desse projeto, sem o conhecimento técnico do que é a segurança pública e de como se combater a violência. Não vai resolver o problema da violência, o projeto de proibição do comércio de armas no Brasil, proclamou Tenório. O vice-presidente da ALE lembrou da importância do reaparelhamento dos órgãos federais e estaduais de segurança pública. Com o aumento do número de agentes de polícia e melhorias técnicas no setor. Nos 102 municípios do Estado, falta polícia, faltam viaturas, falta combustível. O Brasil precisa também rever seu sistema penitenciário, lembrou Tenório. PV

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