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TRE pode pedir que MP investigue PT-AL

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LUIZA BARREIROS Repórter O corregedor do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), desembargador Humberto Eustáquio Soares Martins, decide até a próxima sexta-feira se encaminha ou não ao Ministério Público Eleitoral (MPE) um pedido de providências sobre a existência de caixa dois na campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Estado, em 2002. Ontem, o desembargador determinou que sua assessoria faça o levantamento de todas as declarações feitas por dirigentes do PT de Alagoas à imprensa, nas quais admitiram ter recebido, após a eleição, R$ 160 mil que foram utilizados para quitar débitos não declarados na prestação de contas da campanha do então candidato Judson Cabral. Além das declarações feitas pelos membros do partido à imprensa, solicitamos ao setor responsável pelas contas no TRE cópia da prestação de contas da campanha de 2002 e todos os documentos juntados a ela pelo PT, explicou o corregedor. Segundo Martins, há várias decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que, diante de indícios de crime eleitoral, a posição adotada pela Corregedoria deve ser no sentido de encaminhar a apuração para o Ministério Público Eleitoral (MPE), a quem cabe adotar as providências que considerar necessárias. Havendo indício de crime, caberá ao procurador eleitoral a tomada de providências, explicou. Até ontem, o procurador Regional Eleitoral, Marcelo Toledo, ainda não tinha tomado nenhuma providência para apurar o caixa dois petista. Mensalão O dinheiro recebido pelo PT de Alagoas saiu da conta de uma das empresas do publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como sendo o operador do esquema do mensalão. O presidente do PT alagoano, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, o vereador Judson Cabral e o então coordenador da campanha de 2002, Ricardo Coelho, disseram desconhecer o esquema de Valério. Eles alegam que receberam o dinheiro prometido pelo então tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares. A explicação e a confissão de que houve caixa dois aconteceu depois que o nome do deputado Paulão apareceu na lista de depósitos apresentada pela diretora financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos, como Paulão - PT do Nordeste. O vereador Judson Cabral chegou a assumir que apenas 60% dos gastos da sua campanha ao governo em 2002 foram declarados ao TRE, e que o restante foi negociado com os devedores para ser quitado posteriormente com recursos que seriam enviados pelo Diretório Nacional. ### Brito: PT errou e pede desculpas O presidente da Ceal, Joaquim Brito, disse ontem que o delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, não usou o melhor procedimento ao receber depósito de R$ 80 mil do publicitário Marcos Valério na sua própria conta bancária, mas justificou que Coelho tinha débitos a pagar. Não há como afastar essa realidade. Eu diria que foi um procedimento indevido, entretanto sem dolo. Posso afirmar que Ricardo Coelho não utilizou um centavo desses recursos para seu benefício próprio. Foi a forma que ele encontrou para pagar a quem ele tinha compromisso de pagar. A conta pessoal não foi o melhor procedimento, mas não houve dolo, explicou. Brito é membro da Executiva Nacional do PT e defende a permanência do delegado regional do Trabalho no cargo. O PT alagoano recebeu R$ 160 mil da empresa SMP&B, de Valério, em janeiro de 2003. Metade do dinheiro foi depositado na conta da Staff, produtora alagoana; a outra parte foi para a conta de Coelho. O dinheiro que veio para Alagoas foi para pagar despesas de campanha, não para o bolso de ninguém, disse Brito. Mas eu coloco isso num contexto nacional. O PT está bastante desgastado, bastante ferido e, por esse ato cometido por quatro ou cinco dirigentes, o PT como um todo está acometido dessa lepra, justificou Brito. O PT pede desculpas à sociedade pelos erros cometidos. OR

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