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Política

Assessor do governo preso por agressão

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| EDNELSON FEITOSA Repórter Devis Klinger da Silva Menezes, 29 anos, assessor do governo do Estado, foi preso na madrugada de ontem, após desacatar uma guarnição do Batalhão de Rádio Patrulha e agredir o soldado PM Flávio Ferreira da Silva com um soco no rosto. Klinger, que é superintendente do Núcleo da Juventude da Secretaria de Articulação do Estado, estava na companhia de dois amigos, Virgílio Ferreira de Amorim Neto, 25, e José Monte da Costa Neto, 22, ambos assessores técnicos, por volta de 3 horas da madrugada, num veículo oficial. Os três vinham de uma festa. O soldado PM Flávio, que comandava a guarnição, declarou na Delegacia de Plantão III, em Cruz das Almas, que trafegava pela Avenida Amélia Rosa, na Jatiúca, quando percebeu que o veículo Fiat Uno, placa MVD 7175-AL (de uso exclusivo para serviços do Estado) e com adesivo do governo de Alagoas, caiu num buraco e estourou um dos pneus. Em seguida, um rapaz, exaltado era Devis Klinger desceu do carro, abriu e bateu com força no capô e começou a chutar o veículo e o pneu vazio, aparentando descontrole. Carteirada O PM Flávio relatou que, quando percebeu que poderia se tratar de funcionários públicos, decidiu parar a viatura policial com o propósito de ajudar. Assim que os militares desceram da viatura e perguntaram o que estava acontecendo, foram agredidos com palavrões e desacatos, dirigidos por Klinger ao comandante da guarnição. O soldado Flávio tentou se aproximar para acalmá-lo. Foi aí que entrou em cena a chamada carteirada. Klinger, gritando que era secretário de Estado, se exaltou ainda mais, partindo para a violência. Ele deu um soco no PM Flávio. Os PMs relataram depois que não entenderam atitude tão agressiva. Nem os ?maloqueiros? tratam a polícia daquele jeito, afirmou o soldado PM Emerson Fonseca Oliveira Filho, que também estava na guarnição. Não havia alternativa. Dei voz de prisão ao suposto secretário, destacou Flávio. Ameaças e suborno Os policiais da Rádio Patrulha contaram que Klinger reagiu à voz de prisão e tentou enfrentar os PMs. Flávio e Emerson precisaram usar da força necessária para conter o superintendente do governo. Só que os dois amigos também entraram na briga e um deles, José Neto que dirigia o carro oficial e estava embriagado , tem quase dois metros de altura e pesa mais de 100 quilos. O tumulto tomou conta do local. Foi preciso muito vigor físico para os militares não acabarem desmoralizados, explicou um oficial da RP. Já estava tudo sob controle e eles seriam levados para a Deplan III, mas o Virgílio começou a fazer ameaças de morte, dizem os policiais. Mas foi José Neto quem tentou resolver o problema da maneira mais humilhante possível. Entregou seus documentos e ofereceu R$ 50,00 para a guarnição esquecer o incidente, afirma o chefe da guarnição, revelando a tentativa de suborno. Levado à Delegacia de Plantão III, onde se encontrava o delegado Edésio Costa, Klinger voltou a desafiar a polícia, causando novo tumulto, e chegou a se negar a assinar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). ### Assessor alega que estava trabalhando Depois de chegar na delegacia e ser preso, Devis Klinger ainda agrediu um preso, identificado como Alciron Cícero dos Santos, 18, dentro da carceragem, e discutiu com o pai. Mas os três tiveram que ficar atrás das grades até a manhã de ontem, quando foram soltos para responder ao processo em liberdade. Depois de liberados, enquanto Klinger deixava a Deplan III sem falar com ninguém, Virgílio procurou minimizar o problema quando conversou com a Gazeta. Ele chegou a alegar que nem estava no veículo, mas seu nome também consta como acusado no TCO feito pelo delegado Edésio Costa. José Monte Neto também concordou em conceder entrevista. Mais calmo, após ser autuado em flagrante pelo delegado Edésio Costa por dirigir embriagado, fato confirmado pelo exame de bafômetro, ele admitiu que Klinger se exaltou, bateu no capô do veículo e se irritou com a presença dos policiais. TRABALHO 24 HORAS Numa primeira entrevista, a uma emissora de TV, José Monte Neto, usando óculos escuros, deu uma explicação curiosa para o fato de os três estarem usando um veículo oficial em plena madrugada de sexta-feira: É que o nosso trabalho é 24 horas por dia, de manhã, de tarde e à noite, alegou. Por acaso, esse fato veio a acontecer justamente no dia em que a gente estava usando o carro. Mais tarde, falando à Gazeta, o assessor admitiu que o grupo vinha de uma festa na noite anterior e que havia ingerido bebidas alcoólicas até a madrugada. No entanto, disse que jamais esperava que o amigo Klinger fosse capaz de uma atitude violenta. Não posso criticar a polícia, pois os militares queriam ajudar, frisou ele. Em nenhum momento fui maltratado aqui na delegacia. Quero pedir perdão pelo constrangimento, completou ele.|EF ### Klinger deve perder cargo como punição O superintendente do Núcleo da Juventude, vinculado à Secretaria de Articulação do Estado, Devis Klinger, pode perder o cargo depois de ter se envolvido em uma confusão com policiais na Jatiúca. Pelo menos esse é o entendimento da secretária de Articulação, Fátima Borges. Vou conversar com o governador. Fica difícil a permanência dele na secretaria. Acredito que ele não deveria ficar [no cargo], analisou a secretária. Ela avisou ainda que conversou ontem pela manhã com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, para que o fato fosse apurado. Não posso compactuar com coisas desse tipo, afirmou, comentando: Somos adultos e devemos assumir os nossos atos. Ele terá de responder pelo que aconteceu, explicou. Ontem pela manhã, o governador Ronaldo Lessa (PDT), durante entrega de viaturas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, pela manhã, na Praça dos Martírios, disse que iria se informar sobre o que aconteceu. O Klinger não é secretário de Estado, esclareceu Lessa. A gente quer dar o status de quase secretário, quer dizer, é uma espécie de superintendência dessas áreas. Então, fica claro que ele é um líder estudantil que se projetou e foi colocado no governo nestas condições. Soube que houve um incidente com ele, vou me informar. Em seguida, demonstrando irritação, atacou: Em sete anos, não mandei liberar qualquer coisa. Quem faz, perde a moral, disse, mostrando que o critério amigo do governador, segundo ele, não funciona. LÍDER ESTUDANTIL Klinger era estudante do curso de Direito do Cesmac e foi, por duas vezes, dirigente do Diretório Central dos Estudantes (DCE-Cesmac), onde realizou uma gestão vista como polêmica: é considerado o responsável por um racha da presidência da instituição com os estudantes. O fato aconteceu há quatro anos. Foi nesse período que fundou a União dos Estudantes do Estado (UEE). Entretanto, ainda era ligado à entidade pelo menos até o mês passado, quando realizou um congresso em Arapiraca para tentar legalizar a UEE em Alagoas, que não é reconhecida pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Ano passado, Klinger apresentava-se como líder de um movimento para pressionar a então prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB) a não aumentar a passagem de ônibus e surpreendeu ao concorrer à eleição para vereador pelo PSB, mesmo partido de Kátia. Não foi eleito e, em janeiro, ganhou o cargo de superintendente da Juventude. Sua atuação é considerada apagada. OR

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