Política
Tropa reage à declaração do governador
| PETRÔNIO VIANA Repórter As entidades representativas de oficiais, cabos e soldados da Polícia Militar de Alagoas (PMAL) reagiram às declarações do governador Ronaldo Lessa (PDT), feitas durante esta semana, contra as reivindicações de reajuste salarial da categoria e as contestações de promoções de oficiais de carreira da corporação. Lessa declarou que ninguém tem a obrigação de ser policial militar e, na manhã desta sexta-feira, foi mais fundo: disse que os militares que estão insatisfeitos poderiam pedir baixa da corporação. De acordo com o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), major Eduardo Lucena, as declarações do governador não podem ser consideradas como um desafio, mas demonstram o desprezo pelo funcionário público e, principalmente, pelo militar. É assim desde o começo, desde que ele [Lessa] assumiu. Não há como negociar, conversar com o governador. Não existe diálogo, reclamou o major. O governador não tem como desafiar a PM. Isso é uma loucura. Ele acha que pode falar o que quiser que vai ficar por isso mesmo, que não vai haver resposta, disse. O oficial lembrou do episódio em que o governador teceu duras críticas ao Judiciário alagoano e acusou de corrupção dois juízes do Tribunal Regional Eleitoral [TRE], sem ter apresentado comprovação de suas denúncias. É só ver o que ele fez com o TRE. Ele [Lessa] já está fazendo discurso de candidato, falando o que o povo quer ouvir, mas a comunidade está vendo como ele trata as entidades. Ele não tem compromisso com a PM. Nunca existiu um canal de diálogo com o governo do Estado, apontou Lucena. O militar reclama que o governador não anunciou a data-base de reajuste de salários da categoria, que seria no mês de setembro. Nós vamos buscar todas as alternativas legais, cabíveis e necessárias para fazer com que o governador cumpra com suas obrigações. Acho que o povo tem que conhecer quem está no governo, declarou. O major informou ainda que existe uma movimentação da Associação das Mulheres de Militares no sentido de cobrar do governador uma solução para o impasse. ### PMs fazem bicos e morrem na rua Para o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar de Alagoas, Wagner Simas, as declarações do governador foram lamentáveis. O soldado lembrou que as entidades que representam os militares sempre estiveram abertas ao diálogo com os órgãos de segurança pública do Estado. Tentamos o diálogo de todas as formas, mas a postura do governo não foi a que a gente esperava. Do mesmo jeito que ninguém é obrigado a ser policial militar, ele [Lessa] também não é obrigado a ser governador. Se não quer cumprir suas obrigações, é só deixar o cargo, comparou. De acordo com Simas, Lessa deveria tomar providências para resolver a situação dos militares, senão como governador do Estado, mas como presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública. Nós não temos aparato, uma contrapartida do Estado. Os policiais estão tendo que fazer bico, estão morrendo nas ruas. Ele [Lessa] era socialista, hoje é democrata, mas não existe democracia no governo, acusou. O soldado questionou a declaração de Lessa de que o governo já teria dado reajuste salarial para a PM neste ano. O governador fez uma colocação equivocada. O reajuste que ele deu foi referente à data-base de 2004 e nós estamos discutindo a data-base de 2005, que já devia ter sido reajustada em abril, explicou Simas. O militar não acredita que o governo do Estado volte a negociar com a categoria. Acho que não vai haver mais negociação. Ele [Lessa] já tomou uma decisão, não vai mais discutir, disse. Simas anunciou que novas manifestações estão sendo programadas. Estamos trabalhando a possibilidade de um outro ato. Não sei ainda como, mas vai acontecer, avisou. |PV ### Entidades falam em aquartelamento As lideranças das entidades representativas dos militares alagoanos comentaram a possibilidade de greve ou aquartelamento da corporação, diante das negativas do governo do Estado em reabrir o diálogo sobre as reivindicações da categoria. Os militares ainda não discutiram um indicativo de greve, mas a possibilidade não está afastada. Segundo o major Eduardo Lucena, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de Alagoas (Assomal), os militares irão se reunir na próxima semana para debater a questão e ver o que vai ser feito. O major reclama da realização do concurso para soldados voluntários da PM, o que considera um gasto desnecessário. O Estado vai gastar R$ 1 milhão por mês para custear as despesas com soldados voluntários, quando poderia reverter essa quantia para os militares que estão na reserva e têm condições de trabalhar, já com experiência e treinamento. Essa é uma medida inoperante, onerosa e ridícula, desabafou Lucena. O major considera que os desfechos para essa situação, no momento, são imprevisíveis e que não espera mais resposta à carta de solicitação mandada pela entidade ao governador do Estado. Existe ainda o movimento das mulheres de militares. A situação é complexa e eu não sei como isso pode terminar, concluiu o major. Gigante adormecido O soldado Wagner Simas, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, é mais emblemático sobre a possibilidade de paralisação das atividades da corporação. A PM é um gigante adormecido. Mas eu acho que não vai haver necessidade de greve, mesmo porque não vai haver mais policiais trabalhando nas ruas. O governo, em breve, não vai mais ter nem como se preocupar com a segurança pública. O governador vai ter que contratar seguranças particulares para ele, ironizou. De acordo com Simas, a medida de aquartelamento vai depender da postura do governo em relação às reivindicações dos militares. O governo simplesmente não quer resolver o problema. Nós vamos continuar tentando abrir espaços para alcançar as melhorias que são necessárias. Se isso não acontecer, não sei se o gigante vai acordar, alertou. |PV