Política
Nonô condena acordão de Severino
| ODILON RIOS Repórter O vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), disse ontem que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), foi infeliz ao declarar, ao jornal Folha de São Paulo, que não acredita no mensalão, e, ao mesmo tempo, defendendo uma pena mais branda para os parlamentares supostamente envolvidos em recebimento de dinheiro de caixa dois por intermédio do publicitário mineiro Marcos Valério. Repreensão, censura Poucas vezes vi uma frase tão infeliz, afirmou o deputado alagoano, referindo-se às declarações de Severino, que tiveram forte repercussão ontem, no Congresso e na opinião pública. Não chancelo barbaridade de ninguém, acrescentou Nonô, repudiando os termos da entrevista do presidente da Câmara ao jornal paulista. Na entrevista de página inteira publicada ontem pela Folha, Severino Cavalcanti disse que os parlamentares envolvidos no caixa dois de Valério não deveriam ter os mandatos cassados, mas receberiam pena mais leve:uma repreensão, uma outra coisa. Mais adiante, pontuou: Perfeito, uma censura, sobre a punição que a seu ver seria a adequada. Essas declarações de Severino Cavalcanti alimentaram as especulações de que estaria em curso, no Congresso, um acordão para livrar deputados da perda do mandato por falta de decoro. O chamado mensalão propina que seria regularmente paga a parlamentares de partidos aliados em troca de apoio ao governo, cuja existência foi negada por Severino na entrevista foi denunciado pelo deputado carioca Roberto Jefferson (PTB), depois que ele foi acusado de participar de supostas irregularidades nos Correios. Jefferson é considerado o primeiro deputado da lista dos que provavelmente serão cassados se não houver o acordão. Sem briga De acordo com Nonô, existem indícios muito claros da existência de pagamento aos deputados, por parte do governo, podendo ou não ser mensal, nas palavras do vice-presidente. Nesse ponto, eu tenho divergência com o presidente [Severino Cavalcanti]. Nonô ressaltou que esses parlamentares, se tudo ficar provado, deverão sofrer a pena de cassação: A Câmara tem a obrigação de agir nessa linha, avaliou o parlamentar pefelista. Não quero brigar com ninguém, mas a declaração do presidente foi infeliz, asseverou o vice-presidente da Câmara, completando: Os pacotes fedem a excrementos, falando das provas sobre o mensalão que as CPIs, segundo ele, já teriam recolhido. Impeachment perto Para José Thomaz Nonô, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não vai resistir às denúncias. Acho que o impeachment do presidente está perto, não por nós, mas pela sucessão de escândalos nacionais. Está próximo ao [ministro da Fazenda Antonio] Palocci. Segundo ele, o governo parou o País: Não temos um governo, temos uma fossa destampada. Inquirido se com um eventual processo de impeachment o presidente de Câmara teria condições de assumir a presidência da República, Nonô desviou: Não trabalho com hipóteses.