loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Mortes por arma de fogo caem no País

Ouvir
Compartilhar

| EDITORIA DE POLÍTICA Com informações das agências Brasil e O Globo Uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada ontem em Brasília, revelou que o número de mortes por arma de fogo foi reduzido em 8,2% em 2004, ano que marcou a campanha do desarmamento do governo federal. É a primeira vez, em 13 anos, que esse índice cai. Enquanto em 2003 foram registradas 39.325 mortes por arma de fogo, em 2004 foram 36.091. A redução foi verificada em 18 estados, inclusive Alagoas, que ficou em sexto lugar no Nordeste em redução das mortes (empatado com o Maranhão, ambos com redução de 1,8% em relação a 2003) e em 17º lugar entre os 27 estados. Em números absolutos, o Estado em que foi registrada a maior redução foi São Paulo, com 1.960 mortes a menos. O segundo lugar ficou com o Rio de Janeiro, que registrou 672 mortes a menos. Já as maiores variações percentuais foram registradas em Mato Grosso (-20,6%), São Paulo (-19,4%), Sergipe (-17,1%), Pernambuco (-14,5%) e Paraíba (-14,4%). NÚMEROS Em Alagoas, a redução em 1,8% no número de mortes por arma de fogo em 2004, em relação ao ano anterior, significou, como nos outros estados, uma reversão de tendência: em 2002 tinha havido aumento de 17,8% e em 2003, aumento de 7%. No âmbito do Nordeste, só dois estados tiveram desempenho pior que o de Alagoas na pesquisa: o Ceará, que reduziu as mortes por arma de fogo em apenas 0,6%, e o Rio Grande do Norte, onde houve um aumento de 9,2%. Nacionalmente, dez estados apresentaram aumento do índice ou redução inferior à de Alagoas: além do Ceará e do Rio Grande do Norte, o Amazonas (o maior do país, com 29,3% a mais de mortes), Pará (+11,4%), Paraná (+7,9%), Rio Grande do Sul (+1%), Minas (+7,2%), Espírito Santo (+0,2%), Roraima (+4,4%) e Goiás (+1%). A escalada de violência nos dois maiores estados (Amazonas e Pará) é atribuída aos conflitos pela posse da terra. MINISTRO COMEMORA Estamos vivendo um momento de crise no País, mas hoje é um dia de grande alegria. Estamos comemorando a poupança de milhares de vidas. Estou feliz hoje disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que participou da cerimônia de divulgação do Índice Nacional de Óbitos por Armas de Fogo, ao lado dos ministros da Saúde, Saraiva Felipe, e da Secretaria Geral, Luiz Dulci. O ministro da Justiça disse não acreditar que a crise política vá prejudicar o referendo, previsto para 23 de outubro, que vai decidir se a comercialização de armas de fogo e de munição no Brasil deve ser proibida. Nesse mesmo dia, termina o prazo para os brasileiros entregarem armas nos postos da Polícia Federal em troca da remuneração financeira. Após esse dia a campanha vai continuar, mas o governo não vai pagar pelas armas entregues. Para o ministro Saraiva Felipe, o envolvimento da população com a campanha pelo desarmamento teve papel decisivo nos números positivos. A conscientização da sociedade vem contribuindo com a redução significativa no número de mortes por armas de fogo, principalmente, como também para a criação de uma cultura de paz no Brasil, disse. As mortes por arma de fogo vêm atingindo, de 1992 a 2004, especialmente homens jovens (entre 10 e 29 anos) e matando mais do que doenças respiratórias, cardiovasculares, câncer, Aids e acidentes de trânsito. É um problema extremamente grave e que atinge uma faixa etária teoricamente muito promissora, lamentou o ministro Saraiva Felipe. A campanha do desarmamento já recolheu 443 mil armas de fogo desde 15 de julho do ano passado, cinco vezes e meia mais do que a meta inicial, que era de 80 mil armas. ### Em 2003, armas foram maior causa de mortes de jovens A pesquisa sobre o índice nacional de mortes por arma de fogo, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, mostra que, em 2003, o uso de armas era responsável pelo maior número de mortes (31%) na faixa dos 15 aos 29 anos. Entre 15 e 19 anos, a mortalidade por armas de fogo foi de 34%; entre 20 e 24 anos, alcançou 35%; e entre 25 e 29 anos, 26%. Nessa faixa etária, o uso de armas é seguido, como causa de mortes, por outras causas externas (responderam por 21% do total), doenças infecciosas (5%), neoplasias (4%) e doenças infecciosas (4%). As causas externas incluem acidentes de transporte, quedas e suicídio, entre outras. A mortalidade por arma de fogo crescia ano a ano no início da década de 90, atingindo especialmente o homem jovem, comenta o ministro da Saúde, Saraiva Felipe. Matava mais nessa faixa etária do que doenças como Aids, infarto, derrame e acidentes de trânsito, ceifando uma população jovem com expectativa de vida e produtividade na economia, na força de trabalho. O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, fez questão de ressaltar que o número de mortos caiu. Ele lembrou que, nos últimos 12 anos, a curva era ascendente, com expectativa de continuar nessa trajetória, sem a campanha do desarmamento. Não só não cresceu (o número de mortos), como reduziu, disse. ### Renan comemora pesquisa: Salvaram-se muitas vidas O presidente do Senado, Renan Calheiros, comemorou ontem o resultado da pesquisa do Ministério da Saúde que aponta queda no número de mortes por armas de fogo em 2004, em comparação com 2003, pela primeira vez em 13 anos. Segundo a pesquisa, mais de três mil vidas foram poupadas com a redução do uso de armas de fogo, a partir do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, foram 39.325 mortos por armas de fogo; em 2004, foram 36.091. Renan Calheiros foi o autor do projeto de lei original, aprovado pelo Congresso Nacional, que se tornou o Estatuto do Desarmamento. Essa nova pesquisa vem reforçar nossa convicção de que o Brasil só tem a ganhar com a proibição do comércio de armas de fogo e munição no País. É claro que o desarmamento não vai acabar com a violência, mas vai, sem dúvida, reduzir a criminalidade e salvar inúmeras vidas inocentes, afirmou o senador. Latrocínios Ele lembrou que os novos números do Ministério da Saúde vêm se somar a estudos anteriores, que também apontam resultados positivos do Estatuto e da Campanha de Desarmamento. O Centro de Estudos Brasileiros de Oxford, na Inglaterra, divulgou recentemente pesquisa apontando queda de 17,8% no número de latrocínios no Estado de São Paulo e de 25,9% na capital paulista desde a aprovação do Estatuto.

Relacionadas