Política
Vice-prefeito nega plano de assassinato
GILVAN FERREIRA Repórter O vice-prefeito de Senador Rui Palmeira, José Edivânio Bezerra da Silva (PP), preso no último sábado, em um trecho de rodovia, próximo à cidade de Olho d?Água das Flores, por porte ilegal de armas ele foi flagrado por policiais com uma pistola 380, um revólver 38 e munições escondidos em seu carro negou seu envolvimento em uma suposta trama para assassinar o prefeito do município Siloé Moura (PDT). Edivânio vinha sendo investigado pela Polícia Civil havia cinco meses. Ele é suspeito de comandar um plano para assassinar o prefeito Siloé Moura, com o objetivo de assumir o cargo. Edivânio rompeu com Siloé depois de ter sido demitido a Secretaria Municipal de Transportes. Investigado Segundo informações do diretor da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, Edivânio já havia sido interrogado, em agosto, sobre as denúncias de seu suposto envolvimento em uma trama para assassinar Siloé Moura. O vice-prefeito José Edivânio foi ouvido por nós, mas negou as denúncias contra ele. Inclusive, ele afirmou que era amigo pessoal do atual prefeito e que não era verdade que tinha se insurgido contra Siloé Moura. Mesmo com as negativas do vice-prefeito, nós continuamos fazendo investigações que resultaram na prisão dele por porte ilegal de armas, esclareceu Lisboa. Roberto Lisboa disse que está aguardando o depoimento de algumas pessoas para prosseguir as investigações. ACUSADO SE DefeNDE Em entrevista à Gazeta, ontem, na sede do Tigre, no Farol onde está preso desde sábado , o vice-prefeito José Edivânio contou outra versão para o caso. Ele alegou que é amigo pessoal de Siloé Moura e sugeriu que a vitória do atual prefeito na eleição do ano passado só foi possível graças à sua participação e de seu grupo político. Siloé já tinha disputado cinco eleições em Senador Rui Palmeira e nunca tinha vencido, disse Edivânio. Antes de se juntar ao nosso grupo, ele não tinha conseguido eleger nem o seu filho, Erisvaldo Moura, que perdeu a eleição para vereador no município, afirmou o acusado. ### Acusado diz que é amigo do prefeito Além de ajudar na eleição do Siloé, eu participei do seu governo até ser demitido do cargo de secretário de Transportes, em abril deste ano. Mesmo com minha saída, nós continuamos amigos e aliados políticos, afirmou o vice-prefeito de Senador Rui Palmeira, José Edivânio. A Gazeta tentou ontem ouvir o prefeito Siloé Moura por telefone, mas sua assessoria informou que ele estava em reunião e não poderia falar. Suspeito José Edivânio confirmou que já vinha sendo investigado pela Polícia Civil e garantiu que tinha pedido ao próprio prefeito Siloé Moura para investigar as denúncias de que teria um plano para matá-lo, depois do assassinato do filho do prefeito, Wilson Oliveira Silva, em dezembro do ano passado. Edivânio alega que as denúncias da trama para assassinar Siloé Moura partiam de grupos com interesse de desestabilizá-lo politicamente. Essas conversas de que eu queria matar Siloé não passam de fofocas. Isso é uma tentativa de me desestabilizar politicamente e atingir o próprio Siloé, disse o vice. Antes, eu desconfiava que as denúncias contra mim partiam de dois grupos políticos de Senador, mas agora, com a minha prisão, passei a acreditar que essas denúncias podem ter partido do próprio grupo do prefeito, afirmou. Essa inveja contra mim começou no início do governo. Eles passaram para a polícia que eu andava armado, e, a partir daí, passaram a me investigar, mas eu utilizava as armas para tentar me defender. Eles queriam me pegar de qualquer jeito. A Polícia Civil já tinha feito três ?botadas?, mas no último sábado eles conseguiram me prender com duas armas. Eu disse aos policiais: dos males o menor, ainda bem que foram vocês, pois eu poderia ter sido vítima de uma emboscada, comentou. Edivânio alegou à Gazeta que tem medo de ser assassinado, e não quis dizer qual será sua relação com o prefeito Siloé Moura depois que sair da prisão. O vice-prefeito também disse que Siloé Moura teria passado a temê-lo. Eu acho que o Siloé não confia em mim e passou a ter medo de mim, por tudo que ele já passou. Mas não tenho interesse em matá-lo. Acho que seria burrice. Eu mesmo falei para o Siloé que estavam comentando na cidade que eu queria assassiná-lo, inclusive pedi que ele me ajudasse a esclarecer isso. Mas hoje eu mesmo tenho medo de ser assassinado, disse Edivânio. A prisão de Edivânio aumentou o clima de tensão em Senador Rui Palmeira, no sertão, a 217km de Maceió, depois do assassinato do filho do prefeito, Wilson Oliveira, em 22 de dezembro do ano passado. O ex-prefeito Mário César Vieira (PMDB), que está em liberdade, é acusado de ser o mandante do assassinato de Wilson Oliveira. |GF