Política
FHC: resta a Lula o quase-governo
| FOLHAPRESS São Paulo O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem que a crise reduziu o restante do mandato do seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a um quase-governo. Vamos ter, na melhor das hipóteses, rotina e o controle dos danos provocados pela crise. Não vejo muita possibilidade diferente disso. As declarações foram dadas ao jornalista Salomão Schwartzman, em seu programa na rádio Cultura FM. O cenário de quase-governo foi a melhor hipótese traçada por FHC, a de que o presidente não tenha nada que o envolva na questão em apuração, pelo menos diretamente. Para ele, a crise precipitou uma situação comum ao fim de governos, de que as pessoas acreditam que o governo já não tem mais capacidade de agir. Ora, quando as pessoas acreditam nisso, o governo perde as condições efetivas de agir. Quero dizer, que idéia nova pode surgir daí, que proposta, digamos, criativa, que possa melhorar o País ou a vida do povo, pode surgir? Nada!. Ano perdido Fernando Henrique disse que considera 2005 um ano perdido para o Brasil, apesar de a crise não ter afetado a economia. A questão é outra, é que como o mundo caminha muito depressa, quando o setor político fica paralisado, mesmo que a economia fique perdida, ela deixa de ganhar espaços. Nesse sentido, eu acho que o ano está sendo perdido. O ex-presidente não poupou críticas a seu sucessor. Eu já pedi várias vezes, agora desisti: o presidente deveria ter falado mais francamente ao País, o que foi, o que não foi, o que ele fez, o que ele pretende fazer, para que a população tenha um rumo, disse o ex-presidente. Ele voltou a dizer que não acredita que Lula não soubesse de nada que aconteceu no governo, o que, segundo ele, pressuporia que ele fosse uma espécie de rainha da Inglaterra. Eu não creio que seja isso não, eu conheço o presidente Lula, ele é um homem inteligente, disse ele, que acrescentou que Lula deveria dizer por quem se considera traído.