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Lessa volta a reclamar do governo Lula

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| GILVAN FERREIRA Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) mostrou que está perdendo a paciência com o presidente Lula. Ontem, durante o desfile da Independência, na Praia da Pajuçara (ver matérias na página A13), Lessa falou da possibilidade de seu afastamento do presidente e fez críticas ao que ele classificou de desvio de rota do governo e do não-cumprimento de promessas a Alagoas. Eu continuo apoiando o presidente Lula, pois acho que tirá-lo é pior. Hoje, é melhor ele continuar aí do que fazer o impeachment dele, e acho que ainda não há motivos. O povo o colocou aí e é preciso respeitar a vontade do povo. O fato de o presidente Lula estar tendo uma opção errada, a gente tem que lutar para mudar isso. Eu vou dizer isso a ele no palanque, no dia 16 de setembro, na inauguração do Aeroporto Zumbi dos Palmares. A gente tem que lutar para que ele honre a palavra dele e as promessas que fez durante a campanha, mas é preciso dizer que colocá-lo para fora, como quer a oposição, é antidemocrático. Só se for confirmado o envolvimento dele na corrupção. Caso contrário, a gente mantém o presidente. Darei todo apoio se ele for fiel ao que prometeu em praça pública, disse Lessa. STF Lessa confirmou que está entrando com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o valor do repasse dos juros da dívida pública do Estado, hoje avaliada em R$ 5 bi. Vou à Justiça, vou ao Supremo Tribunal Federal, disse. O que o governo federal está fazendo com Alagoas é um crime, uma extorsão. O presidente Lula fez uma promessa na campanha e não está cumprindo. Ele prometeu ajudar as regiões mais pobres, respeitar as unidades federadas, os estados, mas isso não está acontecendo no governo do presidente Lula, disse Lessa. Com relação à nossa dívida pública, acho que pode ser uma questão deliberada e deve ter ajuda do presidente. O que estão fazendo com Alagoas é um crime: um estado pobre que não tem condições de pagar o volume atual cobrado pelo governo federal da sua dívida pública, reclamou. Senado Lessa voltou a comentar a decisão do juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães, que o tornou inelegível por três anos e puniu com o pagamento de uma multa de 100 mil Ufirs, cerca de R$ 100 mil, por abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral do ano passado. Essa decisão do juiz James Magalhães é eivada de erros e vamos derrubá-la. Eu continuo com o projeto de ser candidato ao Senado, concluiu Lessa. ### Se Renan não quiser, Abílio na reserva Antecipando o debate sobre a eleição do próximo ano, o governador Ronaldo Lessa fez críticas ao PTB e ao deputado federal João Lyra, que há pelo menos dois meses passou a ser seu principal alvo do tiroteio pré-eleitoral. Lessa voltou a descartar qualquer possibilidade de uma aliança política com o grupo do deputado federal João Lyra. Têm tido importância as nossas diferenças. Não há como a gente imaginar fazer uma coligação com o PTB do deputado João Lyra. A prática do dia-a-dia tem mostrado que não é possível caminharmos juntos. Por exemplo, quem sustenta hoje e quem paga os advogados de ações contra mim? Será que é o prefeito Cícero Almeida? Vá perguntar a ele: não é. Todo mundo sabe a sustentação disso tudo, dessa crise que tentam fazer na Justiça. É o presidente estadual do PTB, deputado João Lyra, que se coloca sempre na condição de oposição à gente. Então, é muito difícil um acordo com esse grupo, declarou Lessa. Ainda espera O governador Ronaldo Lessa reafirmou que ainda aguarda uma posição definitiva do senador Renan Calheiros (PMDB) sobre a candidatura dele, Renan, ao governo de Alagoas. Não há nenhuma incompatibilidade do nosso grupo com o senador. O que não pode é existir espaço vazio na política. Se o senador Renan Calheiros, em janeiro, assumir que é candidato, as forças políticas que estão no mesmo campo sentam para discutir; não há nenhum problema, disse. Apoio a Abílio Lessa apoiou o lançamento da pré-candidatura do vice-governador Luis Abílio (PSB) ao governo do Estado, mas deixou clara a possibilidade de uma mudança de rumo no apoio ao seu atual vice-governador. O PSB quer mostrar que tem candidato ao governo do Estado e está forte. Luis Abílio é um homem probo, muito respeitado em Alagoas. Então, eu acho que é bom lançar o nome dele. Se a candidatura do Luis Abílio pegar, é bom para o partido, e se não pegar, negocia-se com as demais forças. Tudo isso faz parte do jogo político e está correto. Não vejo problema nenhum no lançamento dessa candidatura. Isso é salutar e não atrapalha a democracia, mas ainda vamos conversar e decidir o apoio a candidaturas, que vai ser definido até janeiro, concluiu Lessa. |GF ### Candidatura de Renan não existe O discurso do governador Ronaldo Lessa, que prega uma definição do senador Renan Calheiros (PMDB) para só depois definir o apoio a candidaturas ao governo do Estado, não tem o apoio da vice-presidente do diretório estadual do PSB, a ex-prefeita e secretária de Saúde, Kátia Born, uma de suas principais aliadas políticas. Kátia argumenta que o governador Ronaldo Lessa está em outro partido e vai disputar a eleição para o Senado. Ele [Lessa] está em outro partido, o PDT, não está no PSB. O governador tem o indicativo dele. Se o Renan saísse candidato, seria o candidato dele, mas o PSB tem um outro indicativo e temos certeza de que o governador Ronaldo Lessa vai apoiar o nome do Luis Abílio. Segundo Kátia Born, o PSB já tem candidato ao governo de Alagoas: O vice-governador Luis Abílio é o nosso nome. Eu não quero discutir a candidatura do senador Renan Calheiros ao governo do Estado porque ela não existe, afirmou Kátia. O que existe hoje são as candidaturas de Abílio e do deputado João Lyra. Fora isso, não estamos sentindo nenhuma outra candidatura. O Abílio tem o apoio dos 102 diretórios municipais e dificilmente sairemos do indicativo da candidatura dele, avisou a secretária. Kátia disse que ainda esta semana vai participar de uma reunião com os partidos da base aliada PDT, PT, PV, PCdoB, PTN e PAN, além da possibilidade da participação do PMDB e PMN. Kátia Born disse que também conversou com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), e sugeriu que ele não saísse candidato e assumisse o governo de Alagoas a partir de abril do próximo ano, quando o governador Ronaldo Lessa e o vice Luis Abílio renunciam aos cargos para disputar, respectivamente, o Senado e o governo do Estado, mas Celso Luiz não teria ainda aceitado a proposta.|GF

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