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Sinteal reclama contra os ronaldízios

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| ODILON RIOS Repórter A posse do sexto secretário de Educação do governo Lessa, ontem, no Palácio Floriano Peixoto, não agradou ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), que reclamou da troca de secretários, no estilo do governador Ronaldo Lessa (PDT) apelidado de ronaldízio: Há interrupções constantes nas ações da secretaria. Não deve existir rodízio de ações, mas a cada secretário que entra é um recomeço, tem uma parada brusca, disse a presidente do sindicato, Girlene Lázaro. Para ela, a gestão do ex-secretário de Educação, Maurício Quintella, deixa poucas saudades, pois não eram só flores, listando os aspectos que faltaram ser discutidos. Vai deixar pouca saudade na questão salarial [dos professores], mas não vamos negar que tivemos discussão de pauta. Houve um ponto importante que foi a descentralização da merenda escolar, melhoria na estrutura de algumas escolas, apesar de em outras, como no Cepa, existirem problemas na iluminação, disse Lázaro. Houve muita coisa boa, como a reforma e reestruturação de escolas, mas isso não resume a Educação, ponderou. Pautas Outros itens serão discutidos com o novo secretário, José Márcio Malta Lessa, como a lei que aprovou o Plano de Cargos e Carreiras dos Professores, segundo Girlene ainda não colocada em prática; a nomeação dos professores concursados, o pagamento do retroativo dos professores, aumento da carga horária dos docentes da rede estadual e celeridade nos convênios com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) para que os professores da rede tenham graduação nas áreas de magistério e formação. Há professores que não têm formação em matemática, mas se identificam com a área, apesar de não terem habilitação. Isso acontece no interior do Estado, informou a presidente do Sinteal. Apesar da pauta considerada extensa, ela admitiu não acreditar que José Márcio mude o atual quadro de reivindicações. Mas a gente espera, não entregamos os pontos, apontou. Disputada Em uma solenidade concorrida, ontem pela manhã, o ex-secretário de Educação, Maurício Quintella, entregou o cargo ao seu pai, José Márcio. Quintella retornará à Câmara Federal, e já deverá participar da eleição do novo presidente da Câmara, que asumirá no lugar de Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou. O novo secretário foi professor e ex-reitor da Ufal, da Escola de Ciências Médicas, ex-secretário de Administração e de Educação quando o governador era prefeito da capital (1993-1996). Até ontem, ocupava a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal). O Diário Oficial do Estado publicou ontem a entrada do ex-secretário de Assistência Social, o petista Thomaz Beltrão, na fundação. Porém, no Palácio, era a transmissão do cargo na Educação que lotou o Salão dos Conselhos. As coordenadorias regionais de ensino de todo o Estado levaram faixas e cartazes elogiando a gestão Quintella na secretaria, enfocando a descentralização da merenda escolar, mesma idéia compartilhada pelo governador. No discurso, o ex-secretário elogiou o Sinteal. Se eu fosse professor, votaria nessa direção de novo, na Lenilda [Lima, uma das diretoras], na Girlene [Lázaro, atual presidente]. Lázaro comentou: A gente também elogia, mas não deixa de cobrar. Lenilda Lima não foi encontrada. ### Canuto deixa governo e volta à Câmara O ex-secretário extraordinário Eduardo Canuto voltou para a Câmara de Vereadores. A informação foi dada ontem pelo governador Ronaldo Lessa (PDT), pouco antes da posse do novo secretário de Educação, José Márcio. O Eduardo Canuto já entregou. Deve assumir a Câmara a qualquer instante. Ele alegou assuntos pessoais, disse Lessa. Canuto assumiu a vaga em julho para dar lugar ao suplente de vereador e primo do governador, Israel Lessa. Antes da declaração de Lessa, Israel, que estava presente na posse, afirmou não saber se continuaria na Câmara. Vou saber do governador hoje [ontem]. O ex-secretário extraordinário não foi ao evento, mas já esteve na Câmara ontem. De acordo com o secretário geral de Governo, Pedro Alves, houve consenso na saída de Canuto do governo. Ele negou a existência de racha entre ele e o governador. Foi uma exoneração dentro do consenso. Ele precisava de mais visibilidade, explicou. Segundo Alves, o ex-secretário quer disputar as eleições ano que vem, mas não decidiu se será para deputado federal ou estadual. Tensão Pela primeira vez, o governo admitiu, publicamente, que as relações entre o governador e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estão tensas. O adjetivo foi dado ontem pelo secretário geral de governo. Acho que o discurso do aeroporto diz como andam as relações. Tensas. Não de um rompimento total para se partir para uma oposição agressiva, mas o recado que o governador deu naquele discurso é de uma insatisfação do povo de Alagoas com a condução do processo econômico, apontou Alves. No dia da inauguração do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em 16 de setembro e na presença do presidente da República, Lessa criticou a política econômica e reclamou dos juros, considerados por ele altos, da dívida pública, pagos todos os meses ao governo federal quase 25% da receita do Estado. A tensão nas relações também foi admitida pelo porta-voz do PDT, Wellison Miranda. Ele [Lula] tem sido muito ruim para o Estado. Espero que ele mude essa atitude, porque senão vai ficar difícil o próprio governador continuar neste apoio. Comentou ainda a queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de setembro, com redução de 80,88%, mas o próprio Lessa evitou aprofundar as críticas em relação ao assunto. Pois é, enquanto isso eles estão cheios de dinheiro. No discurso de posse do novo secretário de Educação, a queda do FPM foi assunto descartado. |OR ### Abílio escolhe novo partido esta semana O vice-governador Luis Abílio, ainda no PSB, disse ontem que vai decidir até o fim desta semana se continua ou sai do partido. Estamos reunindo tanto o PSB quanto o PDT e verificando os prós e os contras disso, explicou. O governador Ronaldo Lessa (PDT) convidou o vice-governador a ir para o PDT na semana passada. Eu aleguei que a decisão era difícil e era preciso que tivéssemos conversações maiores. Ele fez um convite, não uma imposição, analisou. A declaração foi dada pouco antes da posse do secretário de Educação. Nas conversas, levam-se em conta os efeitos da verticalização, caso ela continue a vigorar ano que vem. A problemática maior é em relação à verticalização. Não se sabe se a reforma política vai ser votada, se a verticalização continua. Evidente que, com a verticalização, haverá alguns problemas. Hoje, o PSB está na base de apoio ao governo Lula. Não me imagino candidato ao governo do Estado em palanque diferente do governador Ronaldo Lessa, detalhou. Lessa apontou a razão da possível entrada de Abílio no PDT: Se o Abílio não vier, perdemos um governador. É um pedido da direção nacional do PDT, esclareceu, aconselhando, quando inquirido sobre a candidatura do vice ao governo ano que vem: Isso é outra história. Quem está no governo como ele vai ficar, a caneta vai ser dele, ele não poderá se candidatar a outra coisa. Se quiser, só poderá ao governo. Se eu fosse ele, não teria pressa. E, ao citar o presidente da Assembléia, deputado Celso Luiz (PMN), Lessa afirmou que ele deu estabilidade ao Legislativo. Celso é candidato ao governo, mas parece cada vez mais distante dos apoios de Lessa, andando mais na linha das conversas políticas com o deputado federal João Lyra (PTB). |OR

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