Política
TCE detecta situações anormais
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) concedeu prazo de 15 dias para que o ex-prefeito de Passo do Camaragibe, Manoel João dos Santos Júnior, o Júnior Pequeno, e sua ex-vice, Edvânia Farias Quirino Costa, se defendam das situações consideradas anormais, com indícios fortes de irregularidades, conforme relatório do tribunal, cujo relator foi o conselheiro Roberto Villar Torres. Quando do exame da documentação apresentada, atinente às receitas e despesas, os inspetores se defrontaram com situações consideradas anormais, com indícios fortes de irregularidades, as quais foram destacadas de forma clara e objetiva no supramencionado Laudo Técnico, imputando as responsabilidades aos gestores Edvânia Farias Quirino Costa e Manoel João dos Santos Júnior, nos períodos compreendidos de 01/01/2003 a 27/02/03 e 28/02/03 a 31/12/03, respectivamente, cujos agentes públicos encontravam-se à frente do Poder Executivo Municipal, na condição de prefeito, detalha o relatório. Entre as supostas irregularidades estão problemas com licitações, notas fiscais suspeitas, contratos vistos pelos técnicos do TCE como irregulares e pagamentos sem comprovantes. A reportagem tentou, mas não conseguiu, localizar Pequeno. Foi deixado recado no telefone celular de Edvânia Farias. Ela não retornou a ligação. No período citado pelo relatório do TCE, aconteceu uma das maiores disputas pelo poder no Litoral Norte do Estado, entre Edvânia e Júnior Pequeno, rivais políticos. Em 2003, Pequeno foi afastado pelo juiz da comarca de Passo, Sóstenes Alex Costa de Andrade, por ato de improbidade adminstrativa. Na época, a acusação recaia sobre supostos cheques sem fundos, consumo considerado excessivo de combustível e suposta compra de merenda escolar em empresas apontadas como fantasmas. No período de afastamento, Edvânia assumiu a prefeitura. A Justiça acabou pedindo o retorno do prefeito à sua função, meses depois. A vice pediu uma auditoria nas contas da Prefeitura, desconfiando de Pequeno; o prefeito, por sua vez, pediu outra auditoria, logo quando retomou o poder em Passo. Não se sabe o resultado. A guerra pelo poder em Passo colocava em campos opostos dois caciques políticos alagoanos: o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), e o governador Ronaldo Lessa (PDT). Celso apoiava Pequeno; Lessa, Edvânia. Um político influente na cidade recebeu, em praça pública, um tapa na cara dado pela sua sogra. O caso foi abafado. Ano passado, pouco antes das eleições, o juiz Sóstenes Alex chegou a solicitar tropas federais para o dia da eleição, mas o pedido foi negado. |OR