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FHC garante que não vai ser candidato

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| PETRÔNIO VIANA Repórter O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) negou, ontem, em Maceió, que esteja articulando, dentro de seu partido, sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2006. O ex-presidente esteve em Maceió para realizar uma palestra, na Associação Comercial, sobre a conjuntura política e econômica, dentro do ciclo de palestras promovido pelo diretório regional do PSDB. Fernando Henrique lembrou suas passagens por Alagoas quando ainda era presidente, falou sobre as ações desenvolvidas durante seu governo e fez uma avaliação do panorama político atual. É o momento de pensarmos no que faríamos, e não no que fizemos ou deixamos de fazer. Na conjuntura atual, é preciso pensar no que vai ser feito do País, alertou. Na opinião de Fernando Henrique, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é marcado pela desarticulação política e administrativa. O ex-presidente apontou para o aumento da capacidade de produção do Brasil mas, na sua opinião, o País continua apresentando três tipos de problemas distintos: políticos, econômicos e sociais. Os econômicos são os mais fáceis de resolver. Aprendemos a lidar com a inflação, mas não com as taxas de juros e com o câmbio, avaliou. Para FHC, existe uma questão que ainda não foi respondida, e que propicia a maior parte dos problemas econômicos verificados hoje. Como aumentar a taxa de crescimento sem elevar o câmbio e os juros? A média de crescimento do Brasil ainda é menor do que em algumas regiões da África e da América Latina, comparou o ex-presidente. Segundo FHC, as soluções para os problemas econômicos do país passam pela conversa com o povo brasileiro. É preciso conversar com o país. Precisamos de força para encontrar soluções. Hoje, não existe no Brasil uma nenhuma proposta fora da política de mercado, e o mercado tende a predominar, exceto com políticas públicas adequadas e o fortalecimento das instituições, disse. ### Máquina pública não tem dinheiro Fernando Henrique Cardoso foi discreto, preferindo não ser contundente em seus comentários a respeito da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, algumas críticas puderam ser percebidas. O Estado tem que ser conduzido com políticas públicas. Não se pode ficar discutindo as instituições, mas criar instituições. A própria máquina pública não tem dinheiro para funcionar, atacou o ex-presidente. É necessário reconstruir o Estado brasileiro, um Estado moderno, e não arcaico, onde se valorizem os profissionais e entidades reguladoras que enfrentem o mercado, com profissionais competentes e não com indicações políticas. Quando não há agências fortes, há abuso de poder econômico, alfinetou FHC, lembrando das agências reguladoras, como a Anatel, de telecomunicações, e a Aneel, de energia elétrica, criadas durante seu governo. O ex-presidente defendeu ainda a política de privatizações, amplamente praticada em sua administração e criticada pela oposição da época e enfatizou que a saída para os problemas econômicos e sociais do Brasil está na educação. A chave é a educação. O governo atual está desviando a atenção com a reforma do ensino superior, que não vai sair, quando a base de tudo é a educação fundamental. Precisamos entrar mais a fundo na questão da qualidade do ensino, com uma visão tecnológica, política e técnica, apontou FHC. Fernando Henrique acusou o governo atual de não ter dado a atenção necessária ao processo de reforma agrária, que considera, com a saúde e a educação, uma premissa fundamental para a afirmação da democracia brasileira. A área social tem que ficar fora da barreira política. É preciso aumentar a competência do Estado, criar instituições e aumentar a democracia. Não existe política pública para distribuição de terras. Tem que ser feita a reforma agrária, mas com competência, observou. O ex-presidente comentou ainda as propostas de reformas política e tributária, cogitadas no Congresso Nacional. É preciso dar mais liberdade ao governo para realizar a reforma tributária. A cobrança de tributos deve visar a uma distribuição mais igualitária da renda. Não sei o que chamar de reforma política. Não acredito que, no momento atual, seja possível fazer essa reforma. É uma questão de moralização, emendou. |PV ### Sistema partidário está apodrecido O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comparou as denúncias de corrupção dentro do governo federal a outras crises políticas da História do Brasil, como a renúncia de Jânio Quadros, o suicídio de Getúlio Vargas e a derrubada de João Goulart. Na crise atual, não houve denúncias por parte da oposição, somente da imprensa. O fato novo é que a corrupção era organizada por um partido do governo. Isso mostra o apodrecimento do sistema político e partidário brasileiro, reclamou FHC. Fernando Henrique, mesmo acreditando que o momento não é favorável, defendeu a efetivação de uma reforma política e partidária profunda. É preciso reformar o sistema eleitoral, mudar a maneira que se vota no Brasil. A corrupção e a impunidade tiram a confiança da população na classe política. A culpa não é dos juízes, mas da lei. Os culpados devem ser apontados e punidos. Qualquer transgressão, mesmo que pequena, deve ser punida, enfatizou o ex-presidente, referindo-se aos escândalos atuais. Filiação A ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, aproveitou a visita do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para oficializar seu retorno ao PSDB. Célia Rocha havia deixado o partido em 2002. Na ocasião, a disputa eleitoral para o governo do Estado acabou por afastar Célia Rocha do PSDB. A então prefeita de Arapiraca decidiu apoiar o ex-presidente Fernando Collor de Mello para o cargo, enquanto seu partido preferiu firmar compromisso com Ronaldo Lessa (PSB), candidato à reeleição, no que foi chamado de aliança branca. Agora, a intenção de Célia Rocha é entrar como vice em uma chapa para o governo do Estado. A preferência, revelada pelo atual prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, é a composição com o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB). Luciano Barbosa, que foi ministro de FHC, também esteve na Associação Comercial. |PV ### FHC confirma aliança com PFL por Nonô O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), depois de sua palestra na Associação Comercial de Maceió, concedeu entrevista coletiva à imprensa. FHC foi questionado sobre sua intenção de candidatar-se novamente à Presidência da República em 2006. Eu nunca disse que seria candidato. Não vejo razão para ser. O partido está bem, com pelo menos três candidatos [o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin]. Se não houvesse opções, eu colocaria meu nome, mas nessa situação, porque me candidatar já tendo sido presidente?, argumentou FHC. O ex-presidente não quis revelar sua opinião sobre qual seria o candidato mais forte do partido para disputar as eleições. É difícil dizer. Hoje, as pesquisas dizem que é o Serra, amanhã pode ser o Alckmin ou o Aécio. O importante é que nós temos bons candidatos, vários, avaliou. Fernando Henrique comentou a sucessão de Severino Cavalcanti (PP-PE) na presidência da Câmara Federal. O ex-presidente confirmou que o PSDB deverá mesmo apoiar a candidatura do deputado alagoano José Thomaz Nonô (PFL) para o cargo. Pelo que eu tenho visto, pelo que eu tenho me informado, já existe uma relação dessa natureza, está havendo esse acordo, disse. FHC também levantou a possibilidade de uma aliança com Michel Temer (PMDB), caso o deputado venha a disputar o segundo turno. Temer faz parte de uma dissidência do PMDB que faz oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. FHC declarou conhecer Nonô há décadas e considerá-lo um político combativo, inteligente e correto, sempre pronto a dizer o que ele pensa. Certamente o Nonô tem postura de presidente da Câmara, definiu. PV ### Ex-presidente diz que erro de Lula foi ter lavado as mãos O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso informou que o PSDB estará realizando, em novembro, a eleição para o novo presidente do partido. A partir dessa eleição, será discutida a candidatura da legenda à Presidência da República. O atual presidente do PSDB é o senador mineiro Eduardo Azeredo. Na opinião de Fernando Henrique, a responsabilidade pelos fatos que provocaram a atual crise política nacional é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há nenhuma acusação direta contra o presidente. É uma questão política. O presidente é sempre o responsável pelo que ocorre no seu governo. Responsável não quer dizer que você é penalmente responsável. Não é isso, é politicamente responsável. O que ocorre com o presidente Lula é ele ter lavado as mãos. Isso não pode ocorrer, criticou. FHC opinou sobre a distribuição do poder no atual governo. Quem está exercendo o governo tem que ter uma visão de Estado. Um dos erros do governo atual foi que ele partidarizou muito a máquina pública. Isso não quer dizer que a orientação não deva ser partidária, mas o contato com as pessoas, as nomeações, o prestar atenção nos problemas do país, aí a visão tem que ser de Estado, disse. |PV ### Quem grita 'fora Lula' não é do PSDB; não é democrático O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso explicou por que não concorda com a utilização de palavras de ordem do tipo Fora Lula, como a oposição bradava Fora FHC durante seu governo. Essas palavras de ordem não são democráticas. Quem hoje grita ?Fora Lula? são pessoas que não são do PSDB. O PSDB deve ser duro na cobrança, disse. FHC atribui a estabilidade da economia, mesmo em meio à crise política, ao trabalho que foi feito durante seu governo e à continuidade que foi dada. É mérito do ministro Palocci [Fazenda] e também do presidente, que manteve certas linhas. E a economia mundial voltou a crescer. É a coincidência desses fatores, avaliou. Aldo e Heloísa O ex-presidente não quis comentar o apoio do PT a Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a presidência da Câmara Federal, que atribui à vergonha pelas denúncias de corrupção, mas comentou o crescimento das intenções de voto na senadora Heloísa Helena (P-SOL) para a Presidência da República nas últimas pesquisas de opinião. Isso se deve ao descontentamento das esquerdas com Lula e ao desempenho dela, que tem sido vibrante. |PV

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