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Em Alagoas, Jefferson torce por Nonô

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| ODILON RIOS Repórter O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) disse ontem, pouco depois de pousar em Alagoas, que torce pelo presidente interino da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL) para a eleição na Casa, mas está afastado do processo eleitoral. Torço pelo Nonô. Porque o Nonô daria envergadura à Câmara neste momento em que o Legislativo está em baixa, afirmou. O deputado veio ontem como convidado em um evento, mas sua palestra foi cancelada (ver detalhes abaixo). Nonô é um dos candidatos a disputar a presidência da Câmara. Imagem Segundo Jefferson, Nonô fortaleceria a imagem da Câmara no sentido de independência, além de acabar com essa coisa de o Legislativo ser homologador de leis que já vêm prontas do Executivo. O deputado é eleito para legislar. A única coisa que ele não faz é isso, analisou. É preciso um presidente como Nonô, que pegue a medida provisória e devolva. Não tem relevância ou urgência, devolve, aconselhou. De acordo com ele, não seria negativo o fato de Nonô já ter declarado de antemão que não iria desengavetar pedidos de impeachment contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Não acho [negativo]. Ele está sendo moderado, apontou. Porém, o ponto mais importante defendido por Jefferson é a recuperação do prestígio da Câmara dos Deputados, após as denúncias do mensalão, suposto esquema de propina pago a parlamentares para apoiar as decisões do governo. E outra coisa: ele [Nonô] é o homem para fazer o discurso do seguinte: tudo bem que tem corrompido aqui na Câmara com o mensalão, mas os corruptores estão ali, do outro lado da praça. Esse núcleo do governo Lula está atolado nisso até o cabelo, acusou, lembrando que parlamentares estão sendo punidos, mas não quem pagou. Sobre o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, denunciado por Jefferson como um dos operadores do mensalão e uma entrevista dada por Dirceu no último fim de semana na imprensa, declarando a não existência do mensalão, Jefferson provocou: O que o José Dirceu diz eu não escrevo. Para mim, ele é um episódio superado na minha vida. Inquirido se alguém ainda assinaria embaixo nas declarações do ex-ministro e atualmente deputado federal ameaçado de cassação, Jefferson afirmou: Eu é que faço esta pergunta à imprensa: ela escreve? e em seguida, rompeu numa sonora gargalhada. ### Palestra em evento lojista é cancelada O ex-deputado Roberto Jefferson, que teve o mandato cassado há duas semanas por quebra de decoro parlamentar, chegou ontem ao Estado para participar da 46ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, no Centro de Convenções, em Jaraguá. A convenção acontece até hoje. Apesar de seu nome não constar na lista de palestrantes, Jefferson era aguardado no evento. A Gazeta apurou que o deputado não faria mais a palestra. Os Correios, o Banco do Brasil e a Petrobras não estariam aceitando a palestra de Jefferson. O presidente do PTB Jovem, Anderson Xavier, confirmou o cancelamento da palestra, sem dizer nomes. Os patrocinadores federais realmente não queriam que ele falasse e disseram que não dariam a cota de patrocínio. No Centro de Convenções, ninguém sabia informar o motivo do cancelamento. Jefferson não foi encontrado pela Gazeta no hotel em que estava hospedado. Informações apontavam que o ex-parlamentar tinha saído para local ignorado, sem previsão de retorno. Xavier disse que não poderia dizer onde estava o deputado e que provavelmente hoje o deputado daria uma coletiva. Antes de sumir, Jefferson desembarcou no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, às 13h30, com 40 minutos de atraso, no mesmo vôo em que estava o governador Ronaldo Lessa (PDT), vindo de Brasília. Lessa estranhou a movimentação e não tinha visto no mesmo avião o deputado cassado que denunciou o suposto esquema de propina a parlamentares da base aliada do governo federal. No aeroporto, Jefferson era aguardado por correligionários petebistas, como o suplente de deputado Marçal Fortes e o vereador Marcelo Victor (PTB). Segundo Fortes, estavam ali a pedido do deputado federal João Lyra (PTB), presidente regional da legenda. Ele [Lyra] pediu que a gente viesse. Está em Brasília, afirmou o suplente. Jefferson distribuiu abraços e acenos, conversou com a Gazeta e, pouco antes de almoçar em um restaurante com comidas típicas, como esclareceu Fortes, sem dar nome, perguntou sobre uma praia no interior alagoano, enquanto colocava as bagagens no carro. O Gunga?, alguém perguntou. Essa mesmo. Que beleza, que beleza!. |OR

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