Política
Decreto passa tesoura no gasto estadual
| ODILON RIOS Repórter O governo estadual publica hoje decreto no Diário Oficial do Estado (DOE) com medidas para enxugar a máquina pública. O secretário do Gabinete Civil, Arnaldo Paiva, confirmou a informação, mas preferiu não adiantar detalhes. Ele ainda será assinado pelo governador, esclareceu o secretário. A medida do governador Ronaldo Lessa (PDT) é tomada há um ano das eleições gerais e servirá, segundo o governo, para enxugar a máquina e otimizar o Estado, conforme apuração da Gazeta. Ainda de acordo com essas informações, as medidas seriam uma espécie de sinalização de Lessa para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que teria colocado como uma das condições para aceitar a candidatura ao governo do Estado a redução do tamanho da máquina administrativa estadual. Uma das medidas a serem tomadas a partir de hoje seria a extinção do escritório de Alagoas em São Paulo, bancado pelo governo. Além disso, veículos locados à disposição de membros do governo serão devolvidos à locadora. As quatro secretarias regionais Norte, Centro, Agreste e Sertão se transformam em subsecretarias. Esses secretários receberão salário menor. Atualmente, o salário líquido de secretário é de cerca de R$ 4.700. O pagamento da dívida pública é o coração dos cortes. O grande problema são os juros, analisou o secretário geral de Governo, Pedro Alves, também confirmando a publicação do decreto. De acordo com ele, o objetivo do governo é transferir o dinheiro economizado para compensar os 25% da dívida. Ele lembrou que o pacto dos governadores, assinado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, previa o comprometimento da receita do Estado em 15%. Ontem, o governador voltou a reclamar do pagamento da dívida, e disse que hoje será publicado no DOE o que o governo paga de FGTS, de INSS, tudo dívida da década de 80, que estou consertando, afirmou Lessa. Ronaldízio O secretário geral de governo, Pedro Alves, reassume a Gestão de Articulação Colegiada, cargo ocupado por ele no começo do ano. Além disso, as atribuições mudarão: a secretária de Articulação, Fátima Borges, vai cuidar especificamente das ações do governo no interior alagoano; Alves cuidará de outras pastas. Ontem, assumiu o novo secretário de Assistência Social, Jurandir Bóia, prometendo políticas de inclusão para 1,5 milhão de alagoanos abaixo da linha de pobreza. ### Lessa: Abílio é candidato natural O vice-governador Luis Abílio, desde ontem no PDT, assinou a ficha de filiação no partido e foi lançado como candidato natural pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). No Estado de Alagoas só há um candidato natural, que é o Luis Abílio, analisou o governador. Inquirido se o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB), não seria mais candidato ao governo, Lessa recuou e amenizou: Não disse isso. Disse que o candidato em potencial é o Luis Abílio. As declarações de Lessa foram dadas antes da filiação de Abílio ao PDT, pela manhã, na sede regional da legenda, no Centro. Em entrevista, Lessa chamou a secretária de Saúde, Kátia Born, para o PDT, mas ela recusou o convite. Assumo a partir de amanhã [hoje], às 10 horas da manhã, o comando do PSB, revelou Kátia, convidada para assistir à filiação de Abílio ao PDT e ao esvaziamento do sua legenda. Ela negou desentendimento com o governador e confirmou ser candidata a deputada federal. Ontem, porém, houve novo desfalque no PSB: a secretária extraordinária, Genilda Leão, entrou no PDT. O secretário de Desenvolvimento Humano, Petrúcio Bandeira, ou o suplente de deputado George Clemente poderão fazer o mesmo. Lessa também chamou petistas, sem citá-los, lembrando da eleição do Campo Majoritário do PT que disputa o segundo turno para a presidência nacional da legenda. Perguntado sobre o conselho que daria aos membros do PT, sorriu e recuou: Fiz uma reflexão. Não vou dar conselho ao PT. Analisando o governo do presidente Lula, Lessa deu nota nove para a política externa e reprovou o governo quando o assunto era o pacto federativo. Ele ainda provocou: O PDT não tem que voltar para a base, tem que fazer oposição. Mas olha, a oposição não significa ser contra Lula. A oposição é responsabilidade com o País. Ser oposição não é trabalhar com o fígado. |OR