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Celso abocanha ALE e acelera 2006

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| ODILON RIOS Repórter O fim do prazo para a troca de partido político, na sexta-feira 30, trouxe pelo menos uma certeza no xadrez eleitoral alagoano: a força quase inquestionável do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN). No último dia para a mudança de legenda, o PMN abocanhou mais da metade do Legislativo estadual: 16 deputados, além de dois suplentes e um ex-deputado federal, Luiz Dantas. O número de parlamentares parece ter causado espanto ao governador Ronaldo Lessa (PDT), que chamou Celso às pressas no fim da tarde de quinta-feira ao Palácio Floriano Peixoto. Depois da conversa a portas fechadas, Lessa disse, na sexta, à Gazeta: Nós conversamos sobre esta questão de gente de cá para lá. Ele [Celso] disse que não está convidando os deputados. Mais adiante, insinuou uma suposta barganha para atrair nomes, garantindo a não existência de leilão: Se os deputados quiserem ir, tudo bem, mas não por ofertas. Não podemos basear a nossa relação nesse tipo de campo, não vou para campo de leilão. Ele [Celso] disse que não estava existindo isso. Eu confio, disse Lessa, no mesmo horário em que acontecia outra reunião, em local ignorado, entre o presidente da ALE e deputados. ### PMN sufoca legendas na Assembléia Em fevereiro deste ano, o PMN era um partido nanico, sem expressão no campo estadual e apagado do cenário político. Na sexta-feira, 30, desembarcaram 15 parlamentares, turbinando a legenda: Arthur Lira, Cícero Ferro, João Beltrão, Isnaldo Bulhões, Francisco Tenório (candidato a deputado federal), Sérgio Toledo, Cícero Amélio, Marcos Ferreira, Nelito Gomes de Barros, Fernando Duarte, Luiz Pedro, José Pedro da Aravel, Alves Correia, Gervásio Raimundo e Gilvan Barros. E mais dois suplentes, Antônio Holanda e Júnior Leão, além do ex-deputado Luiz Dantas. A previsão é eleger ano que vem 16 a 18 deputados estaduais, nos preparativos para o chapão, união de vários nomes em torno de Celso. No campo federal, o silêncio ainda é geral no partido. Alguns nomes circulam para uma cadeira estadual: os do ex-prefeito Hélio Brandão, de Mata Grande, região eleitoral de Celso Luiz; Kátia Freitas, esposa do prefeito de Piranhas, Inácio Loiola (PSDB) este com apoio de Celso na cidade, possivelmente candidato a deputado federal, até pouco tempo rival de Lessa. Sufoco e túmulo Os novos arranjos sufocam os outros partidos, e um rival do presidente da ALE, o também deputado Antonio Albuquerque, filiado ao PFL e ex-presidente da ALE, parece ser uma força em declínio no Legislativo. O partido comandado pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô, fica em segundo lugar na ALE, com mais três deputados, além de Albuquerque: Temóteo Correia, Francisco Carvalho e Gilberto Gonçalves. À beira do túmulo político, após a saída do vice-governador Luis Abílio, semana passada, o PSB fica resumido à deputada Maria José Viana, aparentemente sem interesse de concorrer à reeleição ano que vem, e a Dudu Albuquerque, líder do grupo de Arapiraca, com algumas indicações no governo, mas até quinta-feira indeciso sobre a mudança partidária. Iria para o PDT. Pronto, fico no PSB, disse à secretária Extraordinária Genilda Leão. Ele não mudaria não, sorriu Genilda, ao ouvir a resposta. pt e pps PT e PPS, rivais no campo nacional e no Legislativo estadual, possuem algo em comum em Alagoas: um deputado em cada partido, o petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, e Marcos Barbosa (PPS). O PMDB, nacionalmente representado pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, e praticamente parado nas articulações para a sucessão estadual, está reduzido, na Assembléia, a Ziane Costa. O PDT, sigla do governador Ronaldo Lessa, tem dois deputados: Judá Nicácio e Adalberto Cavalcante. Nos jogos palacianos, Cavalcante pode sair candidato a deputado federal; Nicácio, que herdou o mandato, não quer tentar a reeleição. |OR ### Chapão é baixo clero, diz analista A entrada de tantos deputados no PMN tem uma explicação, segundo o cientista político e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Alberto Saldanha: Isso é fruto de uma estrutura partidária fragilizada. Todo mundo se agrupa em torno de uma legenda, não por ela, mas para garantir a sobrevivência eleitoral, analisou o professor. De acordo com Saldanha, há um jogo de interesses privados e à população é debitado o papel de votar, esclareceu. O chapão diminui os riscos de não-sobrevivência. A idéia de ter um chapão é uma política de baixo clero, disse o professor da Ufal. A política local é trabalhada com partidos pequenos com interesses paroquianos, ponderou. Para o professor, o chapão não preocupa o governador Ronaldo Lessa (PDT), já que existe um acordo fechado entre Celso e Lessa de eleger o governador ao Senado em 2006. O presidente da Assembléia também estaria agindo como elemento unificador entre Lessa e o deputado federal João Lyra. Porém, no meio do caminho está o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), possível candidato ao Senado no grupo de Lyra, inimigo de Lessa. João Lyra não coloca obstáculos para Ronaldo, mas não há certezas, explicou. Nos bastidores, o quadro político configura-se assim: Celso pode sair como candidato a vice com o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) ou ainda vice de João Lyra. Porém, a vitória do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara e a articulação do senador para a vitória voltaram a colocar Renan como um possível candidato a vice do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ano que vem. Em Alagoas, nem o grupo de Lessa nem o de Lyra acreditam na candidatura de Renan ao governo. A desistência promete agitar consideravelmente o xadrez eleitoral alagoano. |OR

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