Política
Renan ironiza ataques de Michel Temer
| JANDER RAMON Agência Estado O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou de ironia ao analisar, na última sexta-feira, as causas que levaram o presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), a fracassar em sua tentativa de se eleger presidente da Câmara. Uma coisa é disputar a presidência e outra é brincar de disputar. E eu não brinco. A [Luiza] Erundina tinha 13% das intenções de voto [quando foi candidata à Prefeitura de São Paulo, no ano passado, pelo PSB] e caiu para 3% quando o Temer entrou como vice [na chapa], declarou, durante encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. Renan Calheiros reclamou do fato de Temer ter retirado sua candidatura minutos antes da eleição. Se ele fosse candidato, poderíamos saber exatamente quantos votos ele teria, provocou. Sem consistência O presidente do Senado argumentou também que a candidatura do peemedebista não decolou porque, enquanto Renan fazia articulações com lideranças do PSDB, PFL e do próprio governo, Temer teria precipitado o lançamento de sua candidatura, antes do fechamento de acordo dos partidos. Defendi o perfil do Michel Temer, mas a candidatura não teve consistência, justificou, repetindo a mesma linha de defesa própria que adotou durante a semana que passou, diante das reclamações de Temer. Expulsão O presidente do Senado também disse considerar injusta a acusação feita por Temer de que ele seria um sacripanta, ao mesmo tempo que se mostrou tranqüilo em relação ao encontro que os governadores do PMDB fariam ontem (sábado), em Santa Catarina, e no qual Temer poderia apresentar proposta para expulsão dele (Renan Calheiros) do partido. Somos majoritários no Senado, na bancada da Câmara e na Executiva do PMDB, respondeu, referindo-se à ala governista da sigla, em comparação ao grupo chamado independente ou oposicionista. Este é o grupo que fez moção partidária contra mim e o senador José Sarney (PMDB-AP) e que, na primeira leva de ministros do PMDB, ameaçou expulsá-los. Isso não acontece porque nós [governistas] somos maioria. Pressões Renan disse ter havido pressão de lado a lado, do governo e da oposição, na eleição para a presidência da Câmara, que culminou na vitória do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás enviaram secretários, que também são deputados, de volta a Brasília justamente para a votação [em José Thomaz Nonô, candidato do PFL e do PSDB] porque não confiavam que os suplentes votariam na opção da oposição, afirmou. ### Para senador, vitória de Aldo surpreendeu Durante palestra para cerca de 200 empresários organizada pelo grupo Lide - Líderes Empresariais, o presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que o processo de eleição do deputado Aldo Rebelo para a presidência da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, foi uma decisão democrática, uma vez que a votação foi secreta, o que levou um pequeno grupo dos participantes do evento a iniciarem uma pequena vaia, que não encontrou abrigo na maioria dos participantes. Fritura Aldo Rebelo ganhou porque foi, ao mesmo tempo, o candidato do governo e vítima do governo, afirmou o presidente do Senado. Ninguém mais do que Aldo sofreu na relação dentro do próprio governo, e eu mesmo disse que o que fizeram com Aldo naquele período era algo que não poderia ser feito por ninguém, argumentou, referindo-se à fritura que o atual presidente da Câmara sofreu principalmente por parte de petistas no período em que foi ministro da Coordenação Política. Para Renan, foi surpreendente que Aldo tenha saído vitorioso na disputa com o candidato do PSDB e PFL, do José Thomaz Nonô (PFL-AL), pois, na sua visão, o ambiente político em Brasília está totalmente voltado para a oposição ao governo Lula. Ele também refutou a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recusado a presença dele num encontro mantido quinta-feira com Aldo Rebelo. Fui convidado sistematicamente a me encontrar com o presidente da República. Ontem [quinta-feira], fiquei por muito tempo reunido com o presidente Lula e voltarei a me encontrar com ele na próxima terça-feira, garantiu o presidente do Senado. |JR