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Lessa se diz quase contra transposição

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| ODILON RIOS Repórter Depois de ter defendido, nos últimos meses, a transposição das águas do Rio São Francisco, o governador Ronaldo Lessa (PDT) recuou ontem e disse que o apoio ao projeto está condicionado à liberação de dinheiro federal para as obras do Canal do Sertão em Alagoas. Estou quase sendo contra a transposição, disse Lessa. Pelo projeto, parte da água será distribuída para Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Movimentos contra denunciam que a obra beneficia apenas grandes empreiteiras. Inquirido sobre o motivo da mudança de opinião, Lessa detalhou: Porque o dinheiro não chegou e comigo tem que vir o dinheiro para o Canal do Sertão. O apoio à transposição é correto. Transposição não seca rio. Se for bem feita, não tem nenhum problema técnico; agora, é um problema político. Não tem sentido levar água para outras regiões se a gente não tem acesso à água. Se não sai o canal de Alagoas, Sergipe e Bahia, porque outros vão ter direito a essa água? A água para beber eu acho indiscutível. Água para outras finalidades eu apoio, desde que seja feita a revitalização e as nossas obras saiam. Se não, vamos ser contra também, afirmou o governador, encerrando a entrevista e aparentando irritação. As declarações foram dadas na visita de Lessa às obras do teatro do Centro de Convenções, com previsão de inauguração no próximo dia 29. Dos estados doadores de água, Alagoas, através de Lessa, era o único a ser favorável ao projeto e, pela apuração da Gazeta, a cobrança é mais um sintoma do racha entre o governador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acelerada pela crise política em Brasília, a queda nos índices de popularidade do presidente e as pressões da cúpula do PDT nacional, que faz oposição ao governo Lula. Na primeira vez em que criticou publicamente o presidente, Lessa reclamou da dívida pública e do atraso da verba federal para a conclusão das obras do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Depois, na inauguração do aeroporto, o governador falou, diante do presidente, sobre a dívida e recebeu como resposta que houve um acordo assinado no governo anterior (Fernando Henrique Cardoso) para pagamento do débito, que consome 25% da receita líquida alagoana. Porém, os ataques de Lessa neste período eram intercalados com uma visita ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, ministério responsável pelas obras de transposição das águas do São Francisco, e idas a Brasília, especificamente a ministérios, tentando a liberação de verbas que chegam a conta-gotas ao Estado. O Canal do Sertão foi lançado em 1992, durante o governo Geraldo Bulhões, e sua proposta original seria a de promover o desenvolvimento socioeconômico do Sertão e Agreste do Estado, abrangendo 42 municípios em seis microrregiões. O projeto começa em Delmiro Gouveia e vai até o povoado de Folha Miúda, em Arapiraca. Duzentos e sessenta mil habitantes estão previstos para serem beneficiados através de projetos de irrigação e abastecimento e o custo total da obra é de R$ 531.040.000, porém, foram investidos até hoje R$ 33.126.425,20.

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