Política
Ausências esvaziam debate na Câmara sobre as armas
| PETRÔNIO VIANA Repórter O referendo popular que vai decidir sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil, a ser realizado no próximo domingo, dia 23, foi o tema de uma sessão especial promovida pela Câmara Municipal de Maceió na manhã de ontem. A sessão, de acordo com o vereador Alan Balbino (Prona), teve o desfalque de alguns convidados, devido ao horário do debate e às atividades profissionais de cada um. Cerca de 50 entidades representativas foram convidadas. O presidente da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis), Fernando Tourinho de Omena Souza, por exemplo, está em Belo Horizonte e não compareceu. Tourinho iria defender a manutenção do comércio de armas e munição. O secretário de Defesa Social do Estado, Paschoal Savastano, não compareceu à sessão, mas mandou um representante, assim como o comando da Polícia Militar (PM) e a Polícia Civil. Apenas a metade dos vereadores esteve presente à sessão. Evangélicos O bispo da Igreja Evangélica Lindomar Souza elogiou a iniciativa da Câmara de promover o debate, mas criticou a ausência de vereadores e de parte da imprensa. O religioso argumentou em defesa da proibição, procurando não envolver as questões políticas que cercam o tema. O bispo preferiu falar sobre o papel da igreja na sociedade. O brasileiro não sabe fazer prevenção, só remediar. O problema não é ter ou não ter uma arma. O cidadão precisa ter consciência e equilíbrio, apontou. ### Bispo defende sim e delegado o não Na avaliação do bispo Lindomar Souza é necessário restaurar os valores familiares e individuais. A ordem pastoral a qual pertenço é favorável à proibição porque todas as estatísticas mostram que a maior parte dos crimes com armas de fogo acontece em bares, no trânsito e dentro de casa, e não pela mão dos bandidos, justificou o bispo, que considerou a sessão de ontem positiva para um maior esclarecimento a respeito do referendo. O delegado Carlos Alberto Reis, que responde pela Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos da capital, não declarou ser contrário à proibição, mas apresentou dados e estatísticas que demonstraram alguns riscos que envolvem a medida. Segundo o delegado, em 2003 o número de veículos roubados em Alagoas foi de 230. Em 2005, até o mês de setembro, esse número já superou a casa dos 800 roubos. Na opinião de Carlos alberto Reis, a proibição do comércio de armas de fogo e munição deveria ter sido discutida dentro da realidade nacional. Um aspecto apontado por Reis foi o trecho do Código Penal que aborda a questão da legítima defesa. Esse trecho vai deixar de ter valor? Como o cidadão vai poder fazer a legítima defesa se não poderá ter uma arma?- questionou. O delegado não acredita que o povo brasileiro esteja preparado para deliberar sobre o tema. O vereador Alan Balbino (Prona), que sugeriu a realização da sessão especial, considera que os objetivos da sessão foram atingidos. A Câmara prestou sua colaboração para o esclarecimento da sociedade. O objetivo foi alcançado, avaliou. |PV