Política
Senador do P-SOL confirma dízimo
| JO ONLINE Brasília Em entrevista concedida ao Jornal do Brasil, o senador do P-SOL Geraldo Mesquita Júnior (AC) lançou mão de um eufemismo para justificar o desconto ilegal de 40% nos salários dos servidores de seu gabinete: Isso é o que eu chamo de solidariedade militante. Embora não endosse os termos do diálogo entre o seu ex-funcionário Paulo Santos Freire e Dóris, chefe do escritório do senador no município de Sena Madureira (Se eles repetirem o que falaram na minha frente eu vou processá-los), Mesquita confirma existir um acordo, pelo qual o que exceder a verba para despesas nos escritórios políticos é custeado pelos funcionários. Entendo que essa é uma atividade política. Os servidores têm consciência disso. Nunca coloquei um centavo no bolso. Esse diálogo [os telefonemas gravados que confirmam o mensalinho] é um gesto tresloucado de pessoas que talvez tenham se confundido em sua missão. Entendo que os membros dos partidos devem participar da composição das nossas despesas acrescentou. Mesquita atribui a contribuição militante?? ao fato de ele não possuir outras fontes de financiamento, ao contrário do que, segundo ele, ocorreria com outros políticos do estado que manteriam uma relação promíscua com empresários. Sobre a denúncia ter chegado à imprensa, o senador creditou o fato a uma tentativa dos seus opositores, no Acre, de desmoralizar sua imagem. Claramente desolado, o senador empalideceu ao ler trechos da transcrição da conversa entre o ex-servidor e a funcionária. Conversa fiada disse, ao se inteirar de trechos da primeira gravação. Após ler o conteúdo da conversa, veio o desabafo: Eita, tá brabo isso aqui. Mesquita ficou conhecido após a denúncia, em abril, da existência de 9 parentes lotados em seu gabinete. e demitiu 12 servidores, entre parentes e indicados, que engordavam sua renda em R$ 20 mil mensais. ### Heloísa: assessores não são obrigados O salário de um senador é de R$ 12.720. Ele tem direito a cinco assessores técnicos com salário de R$ 8.700, seis secretários parlamentares com remuneração de R$ 7.300 e nove assistentes de vencimentos variados. Isso [a contribuição] é coisa espontânea, voluntária. Eu acho isso da maior normalidade. Não vejo qualquer irregularidade nisso: funcionários se cotizarem para comprar pó de café, o companheiro colocar o carro dele para rodar por aí. Estou falando desse tipo de contribuição??, acrescentou Mesquita. A senadora Heloísa Helena (AL), principal dirigente do P-SOL, se mostrava contrariada com a revelação do dízimo cobrado por Geraldo Mesquita. Contribuição de militante não tem vinculação com a ocupação de cargos??, afirmou a senadora. Ela diz que dá 70% de seu salário para o PSOL, mas nenhum funcionário de congressistas do partido é obrigado a contribuir. Jamais existiu um movimento sistemático no sentido de cobrar. Em época de festas, dia das crianças, Natal, não sei mais o quê, os funcionários voluntariamente se reúnem e se cotizam. São movimentos espontâneos, esporádicos. As pessoas não são induzidas a fazer absolutamente nada. Isso é de uma maldade incrível??, afirmou Mesquita.