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Renan volta a pregar união em 2006

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| ODILON RIOS Repórter O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) voltou a pedir ontem, no interior de Alagoas, a união de todas as forças políticas para o desenvolvimento do Estado, sem citar nomes e evitando falar em sucessão estadual. Renan não confirma nem nega ser candidato ao governo do Estado no ano que vem. Em discurso na cidade de São Sebastião, na presença do governador em exercício, Luis Abílio (PDT) e do deputado federal Benedito de Lira (PP), Renan dizia: Alagoas precisa da união de seus filhos, independentemente dos partidos políticos a que pertençam, apontava. Mais adiante, esclarecia que os interesses do Estado deveriam estar acima de tudo. O recado se endereçava tanto a Abílio, apoiado pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) ao governo estadual, quanto a Lira, que está no grupo político do deputado federal João Lyra (PTB), também candidato à sucessão no Palácio Floriano Peixoto. A prática, porém, pelo menos para estes grupos, tem se revelado bem diferente (veja matéria abaixo). Abraçando os amigos, como dizia, Renan alfinetava: Esse exemplo de união devemos levar a Alagoas. Desde o ano passado, Renan prega o chamado pacto por Alagoas, a união de todas as forças políticas em torno de um nome ao governo. Porém, até hoje, a idéia não tem vingado. Após o discurso, aos repórteres, Renan dizia que a decisão sobre concorrer ou não ao governo estadual sairia ano que vem, mas não adiantou datas. Deve ser uma decisão tomada mais adiante. Não é pessoal, é uma decisão coletiva. Só que ao falar da possibilidade de o PMDB lançar seu nome à Presidência da República ano que vem, o presidente do Congresso não negou. Isso não está posto ainda. O PMDB tem grandes quadros, grandes nomes. Para ele, a decisão sobre a candidatura de seu partido sairá em março. Semana passada, o secretário de governo do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, de uma linha de oposição ao Palácio do Planalto e que entra em choque com os aliados pemedebistas do governo a exemplo de Renan e do senador José Sarney (PMDB-AP) , lançou-se como pré-candidato à Presidência da República pelo PMDB. Dívida pública Em um rápido discurso, o presidente do Congresso reclamava da dívida pública alagoana, que compromete 25% da receita estadual. Alagoas compromete 20% , 23%, mais de 25% de sua receita numa dívida monumental, equivocadamente contraída em vários governos, explicou. Alagoas não tem capacidade de se desenvolver , analisou. Essa dívida foi renegociada em 2002 e, atualmente, o Estado move uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ajustar os juros de pagamento da dívida alagoana com a União. As declarações de Renan foram dadas na inauguração de uma subestação da Ceal em São Sebastião. ### Candidatura é duvidosa, diz deputado A possibilidade de união de todas as forças políticas de Alagoas em torno de um nome para o governo do Estado, mesmo do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) parece cada vez mais distante. Segundo fontes ouvidas pela Gazeta, a idéia do próprio senador de se lançar ao governo estadual é praticamente descartada na política local. Cauteloso, o deputado federal Benedito de Lira (PP), que assistiu ao discurso de Renan em São Sebastião, disse: Acho que ele vai mais apoiar do que disputar. Não sei se Renan é ou não candidato, mas eu acho que a posição dele é confortável em nível nacional, explicou Benedito de Lira, lembrando: Não sei quem ele apoiaria [em Alagoas]. A idéia de juntar forças políticas em torno de um único nome não é bem vista, pelo menos por Lira. Essa unidade em torno de um projeto único... Acho difícil de acontecer. As divergências vão continuar, ponderou. Enquanto o deputado federal João Lyra (PTB) está em Minas Gerais, inspecionando suas áreas de cana-de-açúcar, na aproximação do período de safra, em Alagoas seus articuladores políticos não trabalham mais com um cenário em que Renan seria candidato ao governo. Porém, se o presidente do Congresso se lançar ao governo, pessoas próximas a Lyra garantem que ele não recua. Será uma disputa de alto nível, resumem. Benedito de Lira disse que não saberia a resposta sobre o futuro de Renan, apesar de encontrar o senador quase semanalmente em Brasília, no gabinete do presidente do Congresso. Essa certeza também acompanha o governador Ronaldo Lessa (PDT), que até ontem pela manhã estava no Rio de Janeiro praticamente incomunicável, inclusive com sua assessoria em Maceió. Eleito na surdina presidente estadual do PDT, no lugar do seu ex-vice-governador, Geraldo Sampaio, Lessa tenta fortalecer o nome do vice-governador em exercício, Luis Abílio (PDT), candidato ao governo. |OR

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