Política
Nonô apóia luta do Estado contra dívida
| ODILON RIOS Repórter Pela primeira vez em sete anos do governo Ronaldo Lessa (PDT), o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), que faz oposição a Lessa, se dispôs a apoiar, como disse, o governador no caso da dívida pública alagoana, que compromete quase 25% da receita do Estado, retida mensalmente nos cofres da União. O governador Ronaldo Lessa tem denunciado e feito críticas quanto à parcela excessiva do numerário alagoano para pagar a dívida. Quero dizer que, mesmo sendo seu opositor, ele está coberto de razão nessa matéria, disse Nonô. Quando foi feita a negociação com o ministro Malan, me orgulho de dizer que fui o único contrário à consolidação dos débitos do Estado. Acho que a forma consolidada foi equivocada. Alagoas não pode se dar ao luxo de entregar ¼ de sua receita para esse tipo de coisa, porque isso inviabiliza o Estado como um todo, afirmou ontem, em entrevista pelo rádio. Nonô não apóia a posição de Lessa no comando da crise, como classificou, que o Estado atravessa. O deputado lembrou as greves em setores como a Polícia Civil, a ameaça de aquartelamento da Polícia Militar, há duas semanas, a greve dos servidores da Saúde e a possível, mas ainda não definida, greve dos professores estaduais. Agora, vamos ao pedaço que [Lessa] não tem razão. É obrigação do comandante, no momento de crise, estar à frente do navio. O que se ressente em Alagoas, que está vivendo um momento grave, momento de pré-convulsão, com greves em categorias essenciais, mas não vejo a presença do governador comandando. O Abílio [vice-governador] é uma pessoa boa, responsável, mas presidente é presidente, vice é vice. O governador não é o Joaldo Cavalcante [secretário de Comunicação], é o Ronaldo Lessa E acho que as pessoas vêem no governador o seu interlocutor ideal. De acordo com Nonô, nos próximos dias outro problema poderá causar prejuízos monumentais ao Estado: a safra de cana- de-açúcar. É outro fator que vai nos causar prejuízos. A redução da safra de cana em Alagoas este ano é sem precedentes na história do Estado. Ninguém tem idéia do tamanho da crise que vem por aí no setor canavieiro. Como plantador de cana, Nonô diz que perdeu este ano 30% de sua produção. ### Racha será discutido semana que vem O racha do PFL alagoano, na Câmara de Vereadores da capital, entre o presidente da Casa, Arnaldo Fontan, e o vereador Cristiano Matheus, será discutido na semana que vem, pela presidência do partido. Foi o que disse ontem o presidente estadual do PFL e vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô. Apesar de não ter informado datas, ele deixou escapar que chega na próxima quarta-feira. Venho para Finados e fico. Não entrou em detalhes. A disputa aconteceu por causa de uma manobra política de Fontan, que antecipou a data da eleição da presidência da Câmara a abriu caminho para sua própria reeleição. A manobra foi neutralizada por Matheus que, semana passada, apresentou outra chapa para concorrer com o presidente. A disputa pelo poder na Casa, além de partir o PFL, atrasou os trabalhos na Casa. Uma tentativa de conciliação estava marcada para o início desta semana, em um café da manhã, que acabou desmarcado. Ao discutir o assunto na imprensa, ontem, o deputado Nonô tentava passar um clima de tranqüilidade na Câmara com a bancada pefelista e, ao mesmo tempo, evitava se aprofundar no assunto, além de não apontar possíveis erros na disputa. Externo até minha opinião sobre essas coisas: a discussão gira em torno de uma presidência da Câmara. A presidência da Câmara vai ser alterada no dia 31 de dezembro de 2006; eu estou no dia 28 de outubro de 2005 [ontem]. Não é preciso ser muito sábio para perceber que temos um espaço de tempo monumental. Não interessa a ninguém uma precipitação, uma dissenção, analisou. À Gazeta, disse: São postulações legítimas. Uma das grandes honrarias dos vereadores é tentar presidir a casa. Pelo que vejo, o Arnaldo preside a casa e pretende ser reeleito, e o Cristiano se apresenta como alternativa para essa eleição. O PFL são eles dois e ainda o Gerônimo [Ciqueira], o Diogo [Gaia]. Temos uma bancada e vamos discutir coletivamente. Essa crise acaba na primeira conversa que eu tiver com eles. Ponto, resumiu o deputado. Porém, apesar do discurso de apaziguamento de Nonô, a crise na Câmara parece estar longe de acabar. Pelo menos é o que se entende das declarações do vereador Cristiano Matheus, que acompanhava ontem o prefeito Cícero Almeida (PTB) em inaugurações na periferia. Inquirido se abriria mão da disputa pela presidência da Casa, Matheus foi taxativo: Não abro mão porque no partido tenho hoje a maioria, tenho os dois vereadores, o Gerônimo Ciqueira e o Diogo Gaia e o Arnaldo está só. Quero contar com o apoio do deputado [Nonô] e que ele convença o Arnaldo, já que ele já teve oportunidade e me pediu para votar no Arnaldo. Matheus se ofereceu para o diálogo. |OR ### Aftosa e mensalão na pauta da Câmara Na segunda-feira, o deputado Nonô e o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), vão ter uma reunião em Brasília para discutir a febre aftosa. Focos da doença, que ataca o rebanho de bovinos, foram descobertos há duas semanas no Mato Grosso do Sul. Relatório do Departamento de Operações na Fronteira (DOF), divulgado pelo governo do Mato Grosso do Sul, reforça os indícios de que a doença teria vindo do Paraguai. Segunda-feira, o deputado Aldo Rebelo e eu vamos ter uma reunião reservada com mais cinco ou seis deputados escolhidos a dedo, com o ministro Roberto Rodrigues para discutir a aftosa, para discutir os equívocos do governo Lula no tratamento desta questão, o prejuízo de bilhões causado ao País pela incompetência do governo, e vou aproveitar para inserir na conversa a discussão da cana, apontou o vice-presidente da Câmara. Criticando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por causa da doença, Nonô afirmou quem faltaram investimentos no setor agropecuário. O vice-presidente da Câmara dos Deputados disse, ainda, acreditar que o deputado José Dirceu (PT-SP), acusado de participar de um suposto esquema de mensalão no Congresso Nacional, será cassado. O governo se empenha em salvar seus deputados. O José Dirceu era aparentemente o grande organizador deste esquema de corrupção e tinha como chefe o presidente da República. Apesar de Nonô não ter falado em impeachment do presidente, essa tese começa a ser levantada em Brasília. Dois deputados são emblemáticos nesse processo: Roberto Jefferson e José Dirceu. Porque eles representavam as figuras proeminentes. Há um terceiro, que é o deputado José Jatene, que está tentando escapulir por outra via, que é a aposentadoria por cardiopatia grave. Mas isso vamos discutir para a semana. Acho difícil que a Câmara os absolva, analisou Nonô.|OR