Política
Lyra: Minha candidatura é irrevogável
| ODILON RIOS Repórter Falta um ano para a disputa eleitoral pelo governo estadual, mas o deputado federal João Lyra (PTB) colocou o bloco ou melhor, a caravana, com os secretários municipais da capital e o prefeito Cícero Almeida (PTB) nas ruas, em clima de caminhada rumo ao Palácio Floriano Peixoto. Nas quinta e sexta-feiras passadas, inaugurações na periferia viraram palanque do deputado. Discursando como candidato, repetia em todas as inaugurações o slogan Apaixonado por Alagoas, mote de sua campanha. Ciço [dirigindo-se ao prefeito], você é um apaixonado como eu por esse Estado, dizia João Lyra. A certa altura da entrega quase vertiginosa de obras na sexta-feira (pelo menos cinco, da Chã da Jaqueira ao Vergel), Almeida disse em discurso: Meu governador! e bateu no peito esquerdo do deputado. Na quinta-feira, pouco antes de um evento da Justiça Eleitoral, Lyra falou à Gazeta. Repetia que sua candidatura ao governo é irrevogável e disse acreditar que o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) não vai concorrer ao governo estadual: Não sou oposição a Renan. Gosto muito de Renan e tenho as minhas convicções de que, no final, nós vamos juntos. Ele vai junto conosco porque, na minha impressão, o Renan não vai trocar a posição no Senado pelo governo de Alagoas. Agora, a minha candidatura foi colocada de maneira irrevogável. Sou candidato desde o primeiro dia, afirmou Lyra. Quando esquematizo minhas coisas, não estou muito preocupado com os outros, completou, em um recado ao senador Renan. Sem acordo com Lessa A hipótese de um acordo com o governador Ronaldo Lessa (PDT) foi descartada pelo candidato ao Palácio Floriano Peixoto. Aliança, acho muito pouco provável. Acho que temos um caminho já traçado, vai muito bem, melhor talvez do que todos pensam. Tenho uma aliança muito grande com Renan, um grande companheiro. Hoje mesmo [27 de outubro] às 7h30 eu estava falando com ele por telefone sobre vendas, sobre uma série de coisas, explicou Lyra, sem especificar que vendas seriam. Indagado se a vaga de vice poderia ser do presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz (PMN), João Lyra sorriu e evitou polêmica: Celso é meu companheiro, um grande aliado, mas esses problemas de cargos, de vice, isso não é hoje. Perguntado sobre os pré-requisitos para ser vice de João Lyra, o deputado respondeu: É só gostar de trabalhar não digo nem pelo meu horário, que começa às 5h30; pode ser um pouco mais tarde. Gostar de trabalhar, ter bom senso, gostar de Alagoas, e hoje dentro daquele slogan meu: apaixonado por Alagoas. Já sobre o apoio ao Senado, Lyra acabou revelando que espera a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que vai julgar se Lessa é ou não inelegível por três anos. O processo judicial não foi encerrado para o atual governador, que é basicamente candidato ainda e que continua como candidato enquanto não encerrar esse processo. Temos de esperar, analisou. Nos bastidores, Lyra pende a apoiar o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô. Porém, se o governador alagoano permanecer na disputa, mudará a estratégia do grupo político de Lyra. Na sexta-feira, Nonô não escondeu a intenção de concorrer ao Senado, mas depende de uma série de fatores, sem especificá-los. ### Eu governo Alagoas com 10 secretarias Lyra compara governo a suas empresas: A coisa não foi muito bem encaminhada nesses anos, faltou uma programação, como existe hoje na prefeitura Na conversa com a Gazeta, João Lyra alfinetou a administração do governador Ronaldo Lessa (PDT), criticou a posição do governo em relação às greves dos servidores e lançou um desafio, caso ganhe a disputa pelo governo alagoano em 2006: vai administrar a máquina pública com dez secretarias. Meu amigo, não sei exatamente o número [de secretarias no governo Lessa]; uns dizem 39, outros 37, outros 38. Honestamente, sabe quanto precisa para administrar esse Estado? Dez. Com dez secretarias eu administro esse Estado, afirmou. Novamente indagado pela reportagem, Lyra falou da greve dos servidores e voltou a criticar o número de secretarias do governo. A greve é sempre resultado de alguma coisa que não foi bem-feita, de alguma falta de entendimento. De formação, de origem, o nosso pessoal não é de greve. Eu sei disso, sou empresário, tenho 12 mil trabalhadores comigo e nunca tive uma greve, disse, ao comparar o Estado com suas empresas. A coisa não foi muito bem encaminhada nesses anos. Faltou uma programação. Veja uma coisa: a nossa prefeitura está fazendo um bocado de coisas, argumentou, e, em tom de provocação ao governo: Falta humildade, não pode sempre querer falar de cima para baixo. Tem que conversar com esse pessoal, sentir qual é a dificuldade. Lyra não citou nomes. Inquirido se as secretarias do governo estadual teriam virado cabide de empregos, o deputado respondeu: As secretarias passaram a ser órgãos que precisam de cargos. Não estou dizendo que não fazem nada, fazem alguma coisa, mas tenho certeza de que dez secretarias é um número que tenho na cabeça. Foi além, esclarecendo que o Estado está sem dinheiro não por culpa da bancada federal, mas da falta de programação estadual. É só controlar, administrar, ver onde está saindo dinheiro, para que está saindo. Sai muito dinheiro de maneira desnecessária. |OR ### PTB faz convenção; governo paralisado O PTB realiza convenção em novembro para escolha do candidato ao governo estadual. Porém, não existem surpresas quanto ao resultado: o escolhido será o deputado João Lyra. Pelo menos até a semana passada, na bolsa de apostas, não havia outro placar. Se o grupo político de Lyra movimentava suas divisões à caça de votos na periferia da capital, no Palácio Floriano Peixoto a semana passada foi encerrada em clima de marasmo político. A única novidade foi uma forte virose que atacou membros do governo, além da ausência do governador Ronaldo Lessa (PDT), há duas semanas fora do Estado. A previsão de retorno era neste fim de semana, mas, até sexta-feira, não se sabia ao certo o que Lessa fazia fora do Estado. O governador assumiu o PDT estadual, afastando do posto o ex-vice-governador Geraldo Sampaio. Até sexta-feira, estava programada uma reunião entre Lessa e líderes pedetistas para amanhã, mas nada ainda estava confirmado. O governador falaria, oficialmente, como presidente do partido. Frentões Nas estratégias palacianas, constroem-se dois frentões, na tentativa de barrar o avanço político de João Lyra. De um lado, PDT e PSB. Do outro, PV, PT e PCdoB. Na bolsa de apostas políticas, não se arrisca se esses lados vão lançar candidatos próprios ou serão criadas candidaturas de fachada para ocupar espaço político na campanha. Nanicos O governo tenta, ainda inutilmente, um acordo para integrar os partidos nanicos na base aliada ou evitar tanto barulho dessas legendas, que se autodenominam emergentes e, aos poucos, estão sendo fisgadas pelo grupo político de Lyra. Um governista resumiu os desejos de alguns desses partidos: Toda vez que a gente reúne esse pessoal, eles pedem cargos e alguns não participam das reuniões por causa de outros. É só reclamação. As rebeliões são contidas por mais funções gratificadas em áreas de pouca expressão na máquina administrativa. |OR