Política
Célia é candidata, mas não sabe o cargo
| PETRÔNIO VIANA Repórter A ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), será candidata nas eleições de 2006. A ex-prefeita ainda não definiu o cargo que vai disputar, o que, segundo ela, vai depender da vontade popular e das negociações internas no PSDB, partido pelo qual administrou Arapiraca por dois mandatos consecutivos e ao qual retornou no mês de setembro, na ocasião da passagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por Maceió. Célia Rocha poderá concorrer a uma vaga na Câmara Federal, na Assembléia Legislativa do Estado (ALE) ou até mesmo ao Senado ou na composição de uma chapa majoritária para o governo estadual. Vai depender do que o povo de Arapiraca e do Agreste espera de mim. Não quero o poder por ele mesmo, diz. De volta ao Estado depois de passar um mês em Brasília, onde aproveitou para estudar e acompanhar de perto as atividades no Congresso Nacional, Célia Rocha manifestou sua preocupação com os rumos da administração estadual e com a piora nos índices sociais de Alagoas. Na década de 70, Alagoas era o quinto entre os nove estados do Nordeste. Em 90, passou a ser o sétimo, e agora em 2000 é o oitavo. Em relação aos outros estados do Nordeste, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH] está caindo. O IDH é saúde, educação e renda, e isso está involuindo, lamenta. Na avaliação de Célia Rocha, um dos fatores que contribuem para esse quadro é o valor da dívida pública do Estado, que onera o orçamento anual do Estado em cerca de 22%. É uma situação desesperadora. Imagine você tirar 22% da receita líquida de um Estado que não tem a menor atenção com saúde, educação, com segurança. Isso tem que ser renegociado, até porque a Constituição coloca como limite os 15%. Porque senão inviabiliza tudo, revela. A ex-prefeita aponta também o afastamento do governo estadual dos setores produtivos como fator que aprofunda a crise financeira do Estado. Quase 30% dos empregos estão no setor público, que cresceu. O setor industrial tem 23%, menos do que o número de funcionários públicos do Estado. O setor sucroalcooleiro não tem muita perspectiva de crescimento. É preciso buscar uma alternativa. Esse é um Estado cheio de potencialidades, mas não existe um posicionamento do governo, uma linha que vá atrás do crescimento, observa. ### Transposição é projeto eleitoreiro Na opinião da ex-prefeita, PSDB deveria ter Geraldo Alckmin como candidato à sucessão de Lula. Ele é um homem muito preparado A ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a dependência de Alagoas em relação aos recursos repassados pelo governo federal. O Estado é muito dependente dos recursos do governo federal. O Estado está falido, ameaçando um colapso financeiro absoluto. Isso só reforça a idéia da dependência. Ninguém pode negar que houve um maior volume de recursos liberados no período do presidente Fernando Henrique Cardoso para os municípios. Os municípios tinham como trabalhar. Hoje, existe uma grande quantidade de obras importantes para o Estado paralisadas, avalia a ex-prefeita. Na opinião de Célia Rocha, o diálogo com o atual governo federal é mais difícil do que durante a administração de FHC. Hoje me parece que os ministérios atendem com muito mais dificuldade do que atendiam antes, até para receber, para conversar, para dar uma atenção aos políticos, aponta. Célia Rocha defende a candidatura própria do PSDB à Presidência da República. Na opinião da ex-prefeita, o partido dispõe de quadros com competência sufuciente para ocupar o cargo. Entre os prováveis presidenciáveis do PSDB José Serra, prefeito de São Paulo; Aécio Neves, governador de Minas Gerais; Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e o próprio Fernando Henrique Cardoso Célia acredita que Alckmin tem maiores chances de ser o escolhido pelo partido para a disputa. Eu acho que Geraldo Alckmin seria o nome. É um homem muito preparado. Tive oportunidade de ir a São Paulo, e a gente fica bobo de ver como ele é respeitado. Ele é muito capaz e está saindo de um Estado que tem tudo para mostrar para o Brasil o que ele construiu. Entre as críticas que faz ao governo Lula, Célia Rocha aponta o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco como um projeto absurdo, de cunho totalmente eleitoreiro. Eu sou a favor da revitalização, que é outra obra importantíssima que o governo federal esqueceu que existe. Não dá para acreditar em uma transposição. O governo federal só vai fazer o canal central. Quando chegar na Paraíba, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, o Estado é que vai fazer as adutoras, fazer a distribuição? Não vai nunca! Então, é um monte de concreto que não vai levar água a lugar nenhum. Além disso, eles mentem. Não tem nada de 12 milhões de habitantes naquela região, observa, manifestando-se favoravelmente à realização de um plebiscito sobre a questão nos estados envolvidos no projeto. Sobre o referendo que decidiu pela manutenção do comércio de armas de fogo e munição no Brasil, realizado no domingo passado, Célia Rocha avalia que o resultado não representa uma derrota pessoal do senador Renan Calheiros (PMDB) que defendia a proibição mas uma resposta do povo brasileiro ao governo federal. O povo brasileiro disse assim: ?Eu não entrego a segurança da minha família, da minha empresa, não entrego a minha vida a um governo em que eu não acredito, que não investe em segurança, em saúde, que de um orçamento de não sei quanto, investe só 8%?, diz. |PV ### Célia diz que PSDB deve ficar unido com o PMDB A ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), confirma a tendência de seu partido e do PMDB para caminharem juntos nas eleições gerais de 2006, principalmente na disputa pelo governo estadual. Ela aponta o senador Renan Calheiros (PMDB) como um possível nome de consenso para o cargo. O senador Renan é um nome, hoje, imbatível, aponta. Por outro lado, a ex-prefeita demonstra preocupação com o fato de a candidatura do senador Renan Calheiros ainda não ser realidade. Minha preocupação é justamente essa: que não está aparecendo, isso não está claro. Ele [Renan], evidentemente, tem uma conjuntura nacional para avaliar, tem problemas de uma dimensão maior que os do nosso Estado, mas ele tem que parar para pensar em Alagoas também, provoca Célia Rocha. No caso de o senador Renan Calheiros não se candidatar, a ex-prefeita defende o nome de um tucano, como o do senador Teotonio Vilela Filho, com o respaldo do PMDB. Quem quer que seja o candidato, tem que ter um compromisso. Ele tem que ter o apoio da sociedade, mobilizada e cobrando, de uma Assembléia Legislativa que tenha responsabilidade, e governar o Estado em cima de uma proposta clara. Vamos perseguir isso, argumenta Célia Rocha. Célia Rocha cobra também o engajamento da sociedade, dos setores da economia estadual e dos políticos alagoanos no sentido de modificar a situação crítica vivida atualmente pelo Estado. Eu acho que tinha que dar uma sacudida nesse Estado. Alguma coisa muito forte precisava acontecer para dar uma guinada, para mudar, comenta. A população tem que dizer: ?Eu também sou responsável, também faço parte disso e quero um governo com visão estratégica, com a visão de crescimento econômico. Quero uma Assembléia participativa em busca desse crescimento, quero que o Tribunal de Contas apure essas prefeituras, oriente os prefeitos a trabalhar corretamente, quero um Poder Judiciário convicto da sua responsabilidade?. Ou o povo grita dizendo o que quer ou então..., cobra Célia Rocha. PV