Política
Dívida do Estado vira discussão no PFL
| ODILON RIOS Repórter A dívida pública alagoana e a possibilidade, ainda não descartada, da retenção de R$ 45 milhões dos cofres estaduais para o Tesouro Nacional foram os principais temas de uma reunião ontem no PFL, com a presença do vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô, que também é presidente estadual da legenda. Exatamente uma semana depois de ter manifestado apoio ao governador Ronaldo Lessa (PDT) para a solução do impasse na retenção e renegociação da alíquota de 22% da receita bruta do Estado para pagar a dívida, pelo menos ontem, na sede do PFL, o clima era de acusação, contra o governador Lessa, que foi esta semana a Brasília tentar um acordo com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sem sucesso. Acordo O presidente da Associação Nacional dos Procuradores de Estado, Omar Coêlho, filiado ao PFL, disse que o grande responsável pela situação financeira do Estado é o próprio governador. O repasse era de 15% que seria até o fim do contrato com o governo federal. Naquele período, do governo Mano [1995-1998], a folha de pagamento era paga no mês trabalhado ou até o décimo dia, como determinava a legislação. O primeiro ato dele [Lessa] foi jogar a folha de pagamento para o dia 23 e hoje está na casa do dia 21. E o que acontece? A dívida de Alagoas, que ele reclama hoje, é exclusivamente por responsabilidade dele. Quando houve a rolagem das letras podres do Tesouro, no governo passado, do qual eu era procurador-geral, fomos contra a rolagem porque não pagaríamos essas letras nunca. Auditoria Pedindo auditoria na rolagem da dívida para saber quanto foi negociado e qual o deságio na época da assinatura do acordo, em 2002, com o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, Coêlho afirmou que o Congresso Nacional tem responsabilidade por aquelas letras, lembrando das chamadas letras podres do Tesouro Estadual, na época negociadas para acelerar a entrada de dinheiro novo no Estado. O escritório Levy & Salomão foi contratado sem licitação para fazer essa avaliação [rolagem das letras]. Depois se faz tudo isso chega aqui e diz: ?Conseguimos uma grande coisa?. E omitiu da população que durante dois anos continuaria pagando os 15%, mas depois que o restante, os 7% da rolagem das letras seriam incluídos. Hoje, quando ele [Lessa] fala que está apavorado, que o Estado está quebrado, nós, como oposição, temos de dizer que está quebrado, mas por sua culpa. Ainda tem os R$ 400 milhões que sumiram. Então, essa é a realidade. Neste ponto é que temos de atacar. Ele continua informando que quem acabou com a gangue fardada foi ele, quando na verdade esse governo só fez se omitir na área policial, detalhou o presidente da Associação Nacional dos Procuradores. Albuquerque critica Lessa Inimigo político do governador, o deputado Antônio Albuquerque ressaltou que Lessa, na época da rolagem dos títulos, chegava na Assembléia com a justificativa de sanear o Estado pagando os servidores. Fui contra a rolagem, argumentou. ### Solução para o racha sai até 5 de dezembro As reuniões do PFL acontecem na primeira sexta-feira de cada mês, na sede do partido, na Ponta Verde. Em duas horas de encontro, mais da metade atacando os governos Lula e Lessa, o racha do PFL na Câmara de Vereadores foi discretamente lembrado pelo presidente do partido, José Thomaz Nonô. Não tem nada disso. O partido é tão bom que muitos quadros querem presidir a Câmara, afirmou. Os grupos políticos dos vereadores Cristiano Matheus e do atual presidente da Casa, Arnaldo Fontan, travam uma verdadeira guerra para assumir a cadeira da presidência do Legislativo da capital. O presidente entrou com projeto para adiantar a eleição da Mesa Diretora, mas foi impedido por outro grupo, liderado por Matheus. Na reunião, Nonô deu o prazo de 30 dias. Nas contas do próprio deputado, os parlamentares terão até o dia 5 de dezembro para decidir o assunto Durante 30 dias isso não deve virar mais assunto para jornal nenhum, esclareceu Nonô. Há uma semana, Nonô chegou a avisar: Na primeira conversa que eu tiver com eles, essa crise vai acabar Porém, o racha na Câmara era evidente, pelo menos na reunião do PFL ontem. Fontan chegou próximo ao final da reunião, foi anunciado por Nonô Matheus sequer olhou para trás. Econômico nas palavras com a imprensa, o atual presidente da Câmara falava em tom profético ao mencionar a eleição. A maioria vence. Inquirido de qual lado estaria a maioria, Fontan respondeu: Quem viver verá. Porém, no mesmo discurso, destacou, ao se perguntar se abriria mão da disputa. Não, por que vou abrir? Vai sair no consenso. Não há traição, cada um tem seu grupo, explicou. |OR ### Ronaldo vai morrer do próprio veneno Os problemas na área econômica do Estado foram apenas uma parte do rosário de reclamações dos líderes pefelistas. O empresário Jorge Toledo, do setor sucroalcooleiro, também presente à reunião no PFL, apesar de evitar dar nomes, dirigia o foco de críticas ao governo Lessa. Há o ocaso do socialismo, afirmou o empresário. Nesses oito anos não houve projetos na área de empreendedorismo. Tudo foi um engano, falso, um engodo, disparou. Apesar de não ter explicado, a lembrança do termo socialismo veio mesmo do antigo partido do governador, o PSB. A capacidade deste governo foi a de enganar a opinião pública, atacava. Segundo o discurso de Toledo, falava-se em uma crise, segundo ele, do setor açucareiro no Estado e que este ano a safra de cana-de-açúcar cairia 30% em relação ao ano passado, por causa da falta de chuva. Citando uma brutal crise, segundo ele similar à que existiu em 1998, na área canavieira, o empresário não descartou efeito semelhante nesta safra. Estamos há 111 dias sem chuva. Uma cultura não suporta isso, analisou. LOURDINHA E O papeLzinho A vice-prefeita Lourdinha Lyra, também na reunião, dizia que em Maceió há 115 favelas, disse que não há investimentos do Estado, lembrou que quando passeia pelas grotas volto com os bolsos cheios de papelzinho, do povo pedindo emprego e sugeriu uma mobilização mais intensa do PFL, incluindo levar as idéias do partido às rádios comunitárias. As rádios têm grande penetração nas grotas e favelas na capital. Mas era o deputado Antônio Albuquerque quem falava mais acidamente sobre o governo Lessa. Falava da entrega de nomes de supostos criminosos à área de Segurança Pública do Estado, chamou o governador de imperador, causou embaraço a Nonô e ao empresário Jorge Toledo ao citar as campanhas políticas que, possivelmente, ajudavam a eleger Lessa. Aqui em Alagoas acontece que o Ronaldo chama os usineiros de ladrões e nas eleições eles gastam dinheiro na sua campanha e, a certa altura do longo discurso, foi enérgico: Ronaldo Lessa vai morrer no próprio veneno. Depois da reunião, Nonô afirmou que o programa do partido, na TV, poderá mostrar os problemas de Alagoas. |OR