Política
Lessa: Gama é de extrema confiança
| ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) reconheceu ontem que o sistema penitenciário alagoano está em crise, mas afirmou ter extrema confiança no secretário de Ressocialização, Valter Gama, que teve mandado de prisão expedido na sexta-feira passada e até ontem estava foragido da Justiça. Gama é citado como suspeito de envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, no presídio Baldomero Cavalcanti, em 28 de outubro. Lessa também afirmou que a cúpula da Segurança Pública não será demitida, e criticou a condução das investigações do Ministério Público Estadual. Enquanto não houver qualquer coisa que possa configurar a participação dele [Gama] nesse episódio, ele é uma pessoa da extrema confiança do governo, afirmou o governador. Lamentavelmente, acho que houve um erro na condução desse processo. Ele [Gama] está tendo o direito de se salvaguardar, até as coisas ficarem mais esclarecidas. Lessa determinou ontem a exoneração do diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, delegado Jair Macário, que também está com prisão decretada e até ontem estava igualmente foragido, e do diretor de disciplina, Mário Jorge Gomes Bezerra, que também estava com mandado de prisão, mas se apresentou ontem na Polícia Federal (ver a cobertura completa nas páginas A13 e A14). Perguntado se Valter Gama acertou ao fugir da prisão decretada pela Justiça, Lessa respondeu: É uma questão de foro íntimo dele. Acho que ele ainda merece nossa total confiança. Para o governador, tanto o Ministério Público quanto o secretário Valter Gama estão equivocados. Ele fez um mea culpa do governo. Na minha avaliação, há equívocos dos dois lados. Acho que até a gente cometeu erro, na minha avaliação. O diretor do presídio, por uma questão ética, deveria ter sido afastado imediatamente. Acho que o Gama poderia ter feito isso logo. Por outro lado, nem a promotoria, nem o Ministério Público estão agindo corretamente, nem a Justiça está agindo como devia, destacou. Inquirido se um membro da Segurança Pública estaria acobertando outro membro, Lessa negou. Não existe isso. Nunca existiu em Alagoas um governo tão transparente, nem eu permito esse tipo de coisa. Aqui não tem essa proteção, não há esquema. Se estiver havendo isso, vou na ferida. Não foi isso que deu a entender o secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano. ### Idelva assume e desagrada antecessor Além do discurso em defesa dos membros da cúpula da segurança pública estadual, o governador Ronaldo Lessa (PDT) também empossou ontem a procuradora Idelva Ferreira Pinto, que retorna à chefia da Defensoria Pública, e o novo secretário-geral de Governo, Marcus Vasconcelos (ver detalhes abaixo). Idelva era procuradora-geral do Estado, mas foi exonerada do cargo, a pedido, há três semanas. Alegou que estava cansada, mas, até ontem, outra explicação que prevalecia nos bastidores era de que a procuradora teria sido afastada por ter dado parecer contrário à orientação do Estado na licitação da conta-salário dos servidores e da sua possível transferência para um banco privado. Conversando com a imprensa, Idelva disse ontem que foi convocada pelo governador para a nova função, com alegria. Racha Não foi isso que foi apurado pela Gazeta. A posse de Idelva na Defensoria teria causado um racha com o antecessor, Pedro Rego, que teria recusado a proposta de ser subchefe. Rego não estava ontem na posse, apesar de constar na lista do cerimonial do Palácio Floriano Peixoto. Rego teria confessado a amigos que o Gabinete Civil do Palácio teria ligado para ele, já anunciando sua demissão e a condução ao cargo de subchefe da Defensoria. Ele teria recusado e respondido: Empossem a Idelva. Eu não fico. Além disso, a saída de Idelva da Procuradoria-Geral teria uma explicação pela maneira de se conduzir os trabalhos: o novo procurador-chefe, Wilson Protásio, participaria de todas as reuniões no Palácio, especialmente tentando resolver pontos polêmicos, segundo informações, pouco dominados pela ex-procuradora-geral do Estado. Minha vida Ontem, porém, Idelva falava que a Defensoria é a minha vida e que acumulou uma experiência muito boa na PGE, elogiando ainda o corpo técnico dos procuradores, e falou sobre sua saída. Achei que tinha cumprido a minha função. Era transitório. |OR ### Vasconcelos aproxima Renan e Lessa O novo secretário-geral de Governo, Marcus Vasconcelos, assumiu ontem o cargo com a tarrefa de ser o articulador do governo em Brasília, além de aproximar o Palácio Floriano Peixoto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). A sentença foi dada ontem pelo próprio governador, em discurso: Ele será o interlocutor junto ao Renan. À imprensa, Lessa negou que a indicação de Vasconcelos tenha sido planejada pelo senador e falou que o novo secretário também irá conversar com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Não é uma ação institucional, se bem que o senador Renan Calheiros está informado. O Marcus faz papel importante, não só junto a ele, mas junto ao Aldo, em Brasília, de um modo geral. Essa é que é a idéia de ter o Marcus Vasconcelos. Já que tenho o Pedro Alves [gestor de Articulação Colegiada] na posição política aqui, precisava ter uma pessoa em Brasília, mais do que aqui, explicou Lessa. Alves e a secretária de Articulação, Fátima Borges, continuam nas funções. Alves tentará uma relação melhor com movimentos sociais. Borges cuida da articulação no interior alagoano. Porém, nos bastidores, a idéia que prevalecia ontem era de que o presidente do Congresso estaria voltando ao governo Lessa, do qual estava afastado desde as eleições do ano passado, quando o PMDB e o PSDB retiraram seus indicados do governo Lessa e lançaram o médico-cardiologista José Wanderley Neto à prefeitura da capital. Wanderley perdeu a eleição no primeiro turno, mas os senadores Renan e Teotônio Vilela Filho (PSDB), no segundo, decretaram neutralidade, ou seja, não apoiariam o PSB, na época o partido do governador. José Wanderley estava ontem na posse de Vasconcelos. Renan era aguardado, mas não apareceu. LIMINAR NO STF Até a meia-noite de ontem, o governador, segundo ele mesmo disse, aguardava a decisão do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), para um pedido de liminar do governo alagoano, que tenta evitar a cobrança de R$ 45 milhões do Estado pela União. A decisão não saiu ontem: só deve ser anunciada amanhã. |OR