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Renan: discurso duro contra parasitas

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| ODILON RIOS Repórter Em discurso lido ontem, diante do vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), surpreendeu a platéia e o próprio Alencar ao criticar duramente o atual quadro político brasileiro. Sem citar nomes, Renan condenou os parasitas que existem no Brasil. A sociedade quer punições porque está cansada de parasitas, atacou. Sobre a crise no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan detalhou: Toda crise é pedagógica. Saímos de lá melhores do que entramos, criamos anticorpos. Falou ainda que democracia não existe sem transparência. Por pelo menos duas vezes, o vice-presidente baixou a cabeça. O presidente do Senado foi aplaudido pelo público que acompanhou a inauguração do Memorial à República, na Praia da Avenida. No começo, Renan falou do governo do alagoano Floriano Peixoto (1891-1894), presidente da República, e citou um discurso que teria sido feito pelo marechal. Nada mais aumenta as despesas do Estado que as despesas sem pretensão, disse Renan, citando Floriano. Como todo bom governante, Floriano tinha visão de futuro. A partir daí, o senador citava, de maneira indireta, o governo Lula. Povos com dívidas nunca foram felizes. No Brasil, gasta-se muito e gasta-se mal, analisou o presidente do Congresso Nacional. Radiografia Renan disse que, segundo ele, recentemente está traçando uma radiografia, como classificou, das obras inacabadas do Brasil. Novamente elevando o tom do discurso e ainda de maneira mais dura, sentenciou: É dinheiro público no ralo. O senador reclamou da burocracia brasileira que, para ele, criou o imposto indigesto que pagamos às pessoas apenas para aumentar a burocracia e adiantou, novamente de forma endurecida, dirigindo-se ao vice-presidente: Sei, presidente Alencar, que Vossa Excelência deve estar farto de ouvir esse discurso. E mais uma vez, apontou: Povos onerados de dívidas nunca foram felizes. ### Aliança nacional PMDB-PT é difícil PETRÔNIO VIANA Repórter O senador Renan Calheiros (PMDB), antes e depois da solenidade de inauguração do Memorial da República, fez declarações sobre as eleições gerais de 2006. Calheiros reafirmou que só deverá ter uma definição sobre sua candidatura ao governo do Estado no ano que vem. Eu acho que essa decisão terá que acontecer não agora, mas no fim de janeiro, começo de fevereiro, repetiu o senador. No caso de sua candidatura não vir a se confirmar, Renan acredita que o PMDB tem quadros para lançar um outro candidato próprio ao governo estadual, ou mesmo partir para o apoio a um candidato de outro partido, dentro do que chama de união por Alagoas. Nós temos grandes quadros políticos que podem ser governador de Alagoas. A abertura do PMDB é muito grande, no sentido de que nós possamos fazer a união por Alagoas. Reunamos todas as forças políticas sadias, que querem desenvolver o Estado, para escolher em torno dessas forças, um candidato, argumentou Renan. Renan comentou o bloqueio, na semana passada, do repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) para Alagoas. Durante a semana eu tive que falar mais duro com a equipe econômica porque Alagoas não poderia ter os seus R$ 47 milhões bloqueados, mas isso foi uma circunstância, contou. Na avaliação do senador, a possibilidade de uma coligação entre o PMDB e o PT nas eleições de 2006 é pequena. É muito difícil uma aliança formal com o PT. Ela teria que levar em conta as circunstâncias regionais, e os estados é que acabam decidindo. O ideal é que o PMDB tenha um candidato próprio à Presidência da República, afirmou Renan. ### Abílio é condecorado por Lessa na festa do Memorial O vice-governador do Estado, Luis Abílio de Sousa (PDT), comemorou a inauguração do Memorial da República, ocorrido na manhã de ontem. Na opinião de Abílio, a obra é simbólica. Se você considerar que, na sexta-feira passada, um decreto presidencial tombou a cidade de Marechal Deodoro como patrimônio histórico da União, a inauguração do Memorial definitivamente aponta o foco das comemorações republicanas, a cada ano, para Alagoas. rota da proclamação Abílio acredita que, a partir de agora, os próximos presidentes do Brasil terão que passar pelo Estado de Alagoas durante os festejos da Proclamação da República, em 15 de novembro de cada ano. A exemplo do que se faz em Minas Gerais, comemorando a Inconfidência, a República vai ser comemorada aqui, que é o berço dos nossos dois primeiros presidentes, observou. Provável candidato O deputado federal Givaldo Carimbão (PSB) apontou o vice-governador como provável candidato ao governo, dentro das articulações comandadas pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). A relação com Lessa e Abílio é a mais estreita possível. E o Abílio é o provável candidato a governador, disse, deixando a dúvida sobre a candidatura do vice-governador e do apoio do PSB a essa candidatura. Segundo Carimbão, um acordo firmado pela Mesa Diretora da Câmara Federal deverá aprovar, na sessão de amanhã, o projeto que acaba com a verticalização das alianças partidárias, que força as direções estaduais acompanhar as alianças formadas nacionalmente. |PV

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