Política
PMDB tenta atrair Paulo Hartung e Lessa
Brasília - O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), intensifica as negociações para atrair à legenda, com a benção do Palácio do Planalto, dois governadores do PSB, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Ronaldo Lessa, de Alagoas, além do senador Leomar Quintanilha (PFL-TO). A cúpula do PSB reclamou ao Planalto, mas nada feito. Para garantir o apoio do governo à movimentação, Calheiros convenceu o articulador político e chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que ter no PMDB um quadro de peso, com perfil mais de centro-esquerda, é fundamental para ?solidificar? a base pró-governo dentro do partido. Sem ministério na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PMDB aposta mesmo é no peso do governo para engordar as bancadas na Câmara e Senado. Dissidências à parte, todos concordam com a avaliação de que só será possível pensar num projeto próprio de poder se houver um partido forte para sustentá-lo. Além de se firmar como o maior legenda no Senado, a cúpula peemedebista espera comandar, em breve, a segunda maior bancada na Câmara, atrás apenas do PT. Hoje, o PFL, com 72 deputados, está à frente da bancada peemedebista na Câmara, que reúne 69 parlamentares. Uma vez consumado o fato da parceria PMDB/PT, com a presença do novo líder do governo no Congresso, senador Amir Lando (PMDB-RO), na reunião ministerial de segunda ?feira (19), a cúpula peemedebista do Senado perdeu a pressa de sacramentar a união. Com isto, foi adiada para a próxima semana a reunião da executiva nacional que oficializaria o apoio do partido ao governo petista hoje. ?Oposição light? Até lá, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), seguirá negociando um acordo de procedimento com os dissidentes, em torno de uma ?oposição light? ao governo. Nada de gritaria contra as reformas, ao estilo dos radicais que o PT ensaia banir da legenda. Em contrapartida, a dissidência fica com a garantia de que não será punida por não aderir ao governo petista. Os rebeldes também negociam para que o apoio oficial não passe de uma manifestação da executiva nacional. Argumentam que o governo fez mesmo a opção pelo varejo na distribuição de cargos federais nos Estados, e que deve prosseguir nela, negociando caso a caso com os parlamentares.