Política
Depredação volta a opor Lessa e Almeida
| ODILON RIOS Repórter A depredação da sede da Prefeitura de Maceió, na quinta-feira, que teria sido praticada por estudantes, membros dos movimentos sociais que lutam pela terra e partidos políticos, voltou abalar as relações políticas entre o prefeito Cícero Almeida (PTB) e o governador Ronaldo Lessa (PDT). Ontem, a prefeitura publicou uma nota oficial na imprensa repudiando o que chamou atentado provocado por vândalos e atacou o governo Lessa. Embora acionadas a tempo pelos funcionários municipais, nenhum efetivo, seja da Polícia Militar ou da Polícia Civil de Alagoas, fez-se presente ao local, expondo claramente a estarrecedora omissão do governo estadual na manutenção da ordem pública constitucional, diz a nota. Em Rio Largo, durante inspeção a um hospital em construção, Lessa atacou, mas não citou o nome do prefeito. Ao mesmo tempo, negou omissão. O papel da Guarda Municipal é defender o patrimônio público. Quer dizer, se a Guarda dele [Almeida] não funciona, o problema é dele, disse Lessa, continuando: Nós procuramos saber se houve negligência. Se houver negligência, ou seja, uma solicitação que não foi atendida, tomo as minhas providências. Mas aquilo ali me parece que é uma forma de fazer de conta que não está vendo. Quer dizer, uma manifestação na porta e ele [Almeida] não fez qualquer referência à Guarda Municipal dele? O problema é dele, a negligência foi da estrutura dele. Não houve pedido para interferência do Estado em nada. Eu quero saber se houve qualquer participação da Guarda Municipal no sentido de proteger o patrimônio público, desafiou Lessa. Em um programa de rádio, horas antes da declaração do governador, Almeida falou, mas em tom bem mais comedido que o da nota oficial, dando ênfase a aliados do governo que defenderam Lessa. Estiagem Ontem, o governo encaminhou projeto de lei à Assembléia Legislativa do Plano Plurianual 2004/2007. A ênfase maior do plano é o Fundo do Microcrédito do Estado, que no plano tem R$ 21.901.020. O programa do governo orienta a escolha de ações voltadas à multiplicação dos micro e pequenos negócios para gerar emprego e renda para o governo. O dado foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado (DOE). No mesmo DOE, o governo homologou os decretos de situação anormal, ou seja, o período de estiagem considerado longo nos municípios de Água Branca, Inhapi e Mata Grande. Região considerada com baixos indicadores sociais (dados do IBGE) os reservatórios de água na região estão sofrendo rápida evaporação, segundo vistoria realizada pela Defesa Civil. ### Mudanças na segurança não são cogitadas O governador Ronaldo Lessa não descartou mudanças na cúpula da segurança pública de Alagoas, mas disse não haver cogitação. A resposta veio após se perguntar se o diretor geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, sairia do cargo. Pode até haver mudanças. Não há nada permanente. Não vou dizer que não vai haver mudança no governo. Isso não existe. Se for necessário, muda amanhã. Agora não existe sequer cogitação de mudança, não sei de onde sai, não sei qual o interesse de certas notícias, disse Lessa. Davino vive hoje situação de isolamento na cúpula da SDS, que estaria sendo provocada por outros membros da cúpula. Uma lista com possíveis substitutos circula nos bastidores. O governador também comentou levantamento do Ministério da Saúde, baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), que apontou Maceió como a 12ª cidade brasileira num ranking de 100 localidades com maior número de mortes violentas. Aí tem uma incidência enorme de trânsito. Isso aí é uma proporcionalidade entre a população e o tipo de morte. E a gente há de convir, o trânsito é um elemento pesado. O governador afirmou que em dezenas de municípios alagoanos não se registram homicídios há anos. A gente fica com a impressão de que a pobreza é sinal de violência e não é verdade, afirmou. Hoje, a violência em Alagoas é concentrada em mais ou menos 15 municípios, disse Lessa. |OR ### Almeida evita citar Lessa, mas ataca Em tom mais comedido que a nota oficial emitida pela prefeitura da capital, o prefeito Cícero Almeida (PTB) falou por volta das 7h30 em uma rádio na capital e reclamou não do governador Ronaldo Lessa mas de governistas, sem citar nomes, que não querem o bem de Maceió. Almeida justificou que estava ligando para a rádio porque até os opositores reconheciam o ato de vandalismo na prefeitura. Logo depois, disse que estava indo trabalhar. Durante a entrevista, falava, quase ininterruptamente, dos estudantes que depredaram a prefeitura e dos sem-terra. Racha As discórdias entre Almeida e Lessa começaram no ano passado, quando os dois pertenciam a grupos políticos divergentes, como até hoje a situação permanece. Porém, durante a campanha, o Palácio Floriano Peixoto era blindado dos ataques, mas em alguns momentos a proteção vinha abaixo. Ataques Com a vitória de Almeida, os dois grupos tentaram uma aproximação. Lessa visitou uma vez a prefeitura, e atacou membros da coligação do prefeito. O prefeito também esteve no Palácio. O racha entre o prefeito e o governador se agravou ainda mais após uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) que tornou Lessa inelegível por três anos, por unanimidade. A ação foi movida pela coligação de Almeida no ano passado e, segundo informações da coligação, a ação poderia ser retirada, mas não haveria interesse dos políticos ligados ao prefeito. O governador tenta a subida do recurso para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Inelegível A decisão do TRE-AL confirmou a sentença do juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães, que saiu em junho e decidiu pela inelegibilidade de Lessa. Um vídeo gravado em 2004, dois dias antes das eleições, mostrava Lessa em uma reunião com servidores de cargos comissionados. Supostamente, a gravação foi feita sem autorização. A guerra política entre Almeida e Lessa ainda teria como pano de fundo os desentendimentos entre o governador e o deputado federal João Lyra (PTB), pré-candidato ao governo estadual nas eleições do ano que vem. |OR