Política
Renan promete lutar pela equalização
| PLÍNIO LINS Editor de Política O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), se comprometeu ontem, em Maceió, a intermediar uma audiência do setor sucroalcooleiro do Nordeste com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para negociar a retomada do pagamento da equalização de custos da cana-de-açúcar o chamado subsídio da cana para o Nordeste paralisado desde janeiro de 2002. Renan disse à Gazeta que hoje deve acertar com o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), uma agenda de votações para o fim do ano, e entre os pontos a serem votados estaria a Reforma Tributária, na qual a equalização poderia ser incluída. Renan foi o principal convidado de uma ampla reunião, ontem pela manhã, no Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL), em que foi discutida a urgência da volta do subsídio à cana, principalmente diante de duas quebras de safra consecutivas 10% em 2004/2005 e previsão de 15% em 2005/2006 em Alagoas e no Nordeste devido à insuficiência de chuvas. A reunião chegou a ser classificada de histórica pela representatividade: estavam presentes, além de praticamente todos os donos de usinas de Alagoas, representantes do setor sucroalcooleiro de outros quatro estados nordestinos Pernambuco, Paraíba, Bahia e Sergipe , o secretário estadual de Desenvolvimento, Arnóbio Cavalcante (que representou o governador Ronaldo Lessa), o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PTB), a vice-prefeita Lourdinha Lyra (PTB) numa rara aparição dos dois num mesmo evento, embora não tenham se falado, já que estão politicamente rompidos , os deputados federais alagoanos Benedito de Lira (PP), João Lyra (PTB) e Rogério Teófilo (PPS), o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), representantes das três federações empresariais de Alagoas (Indústria, Agricultura e Dirigentes Lojistas), OAB, Exército, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar e Álcool e o delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho. Participou também o deputado federal e líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), principal articulador político do setor sucroalcooleiro nordestino no Congresso. Lonas pretas O presidente da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, Pedro Robério, chamou a atenção para a presença do prefeito Cícero Almeida na reunião. Robério constatou que é raro um prefeito de Maceió participar desse tipo de encontro, mas lembrou ilustrando com uma comparação de cores que a crise da cana tem reflexos graves não só no interior, mas também em Maceió: Quando o verde dos canaviais fica amarelo, o resultado imediato são as lonas pretas em Maceió, disse Robério, referindo-se às levas de famílias pobres que migram para a capital em busca de trabalho ou esmola, quando há seca na zona canavieira. O programa de equalização do custo da cana-de-açúcar existe há cerca de 30 anos. Trata-se de um subsídio federal para compensar os produtores nordestinos, que têm um custo de produção maior que os do Centro-Sul, principalmente São Paulo, por causa do clima, solo e topografia. O pagamento foi interrompido em janeiro de 2002. ### A ministra Dilma deve ser nossa aliada A principal reivindicação exposta na reunião dos produtores de cana, açúcar e álcool com os políticos e que consta de documento entregue por eles a Renan é a retomada imediata do pagamento da equalização de custos, inclusive com a possibilidade de adiantamentos de emergência, securitização para os produtores do setor, devido às perdas significativas na safra anterior e na atual. O setor sucroalcooleiro responde por cerca de 300 mil postos de trabalho, além dos 15 mil fornecedores de cana. O presidente da Cooperativa, Pedro Robério, comparou a situação de prosperidade do setor sucroalcooleiro do Centro-Sul, principalmente de São Paulo, com o quadro de crise na atividade no Nordeste. Ele lembrou que com a predominância no mercado automobilístico dos motores flex-power (movidos a álcool ou gasolina), a demanda por álcool cresceu expressivamente, mas o Nordeste, com custo de produção maior, fica sem competitividade se não tiver o subsídio. Neste exato momento, em algum lugar de São Paulo, produtores estão reunidos pensando em expansão. E nós, aqui, tentamos a sobrevivência. Até 2010, será necessário produzir mais 50 milhões de toneladas de cana para atender à demanda de álcool. Pois bem, nesta festa do álcool, o Nordeste está tentando ver se consegue chegar na calçada. COMPROMISSO Depois de ouvir os diagnósticos dos produtores e um relato do deputado José Múcio sobre as negociações políticas para a volta da equalização, Renan concordou que a audiência com o presidente Lula é necessária. Eu me comprometo a marcar essa audiência com o presidente, seja com o ministro Palocci presente ou num segundo momento. E acrescentou: A ministra Dilma Rousseff [da Casa Civil] será uma grande aliada nessa questão. Dilma tem tido atritos públicos com Palocci.|PL ### Quero disputar o governo; não depende só de mim Ao falar aos produtores de açúcar e álcool, Renan fez severas críticas à política econômica conduzida pelo ministro Palocci, principalmente aos juros altos e às restrições aos investimentos públicos em infra-estrutura. Não defendo a gastança irresponsável, mas não dá para manter uma política econômica que não investe no crescimento do País, afirmou. Voltando à questão da equalização dos custos da cana nordestina, o presidente do Senado disse que vem defendendo a volta do subsídio em todos os momentos, e que vai ser necessário retomar essa reivindicação e convencer o presidente da República e a equipe econômica. Temos que percorrer todos os caminhos. Vamos entrar nessa briga para ganhar. Depois, em entrevista, Renan disse à Gazeta que o presidente Lula lhe prometeu liberar R$ 40 milhões para o Canal do Sertão. Mas Renan reconheceu que o Estado enfrenta outro problema para receber recursos federais dessa e de outras obras, como o Aeroporto, a macrodrenagem do Tabuleiro, a ponte de Barra de Santo Antônio, a Adutora do Agreste e outras: o Estado está no cadastro de inadimplentes da União, por causa de um decreto do governo federal que incluiu dívidas de empresas de economia mista controladas pelos Estados como é o caso da Casal em Alagoas como de responsabilidade do Estado. O governo do Estado terá que resolver isso, afirmou. Candidaturas Indagado pela Gazeta sobre seu futuro político-eleitoral e uma eventual candidatura a vice-presidente numa chapa e reeleição do presidente Lula, Renan descartou essa possibilidade. Primeiro, disse que ser vice não o atrai é um cargo decorativo e depois lembrou que o PMDB deve lançar candidato próprio à Presidência. Vai ser difícil uma coligação com o PT, inclusive nos estados, porque haverá candidatos dos dois partidos. Ele disse ser a favor do fim da verticalização das coligações em 2006. Sobre sua possível candidatura ao governo do Estado, Renan repetiu os termos de recente entrevista a um jornal do Sul: Minha intenção é disputar o governo de Alagoas, que é um privilégio para qualquer alagoano. Mas isso depende de outros segmentos e não da minha exclusiva vontade. Se dependesse só de mim, já estava em campanha. |PL