Política
Decisão denigre Judiciário, diz Lessa
| ODILON RIOS Repórter A libertação do ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes Barros, que estava no presídio Cirydião Durval, acusado na morte do professor de Educação Artística Paulo Bandeira, em junho de 2003, não foi bem recebida no Palácio Floriano Peixoto. O governador Ronaldo Lessa (PDT), ontem, durante café da manhã com a imprensa, repudiou a libertação do ex-prefeito. Avalio isso com muita tristeza. Tenho certeza de que essa notícia vai indignar o País. Já soube que hoje o senador Cristovam Buarque [PDT-DF, ex-ministro da Educação] se pronunciou. Acho que outras entidades ligadas ao magistério, e depois a sociedade como um todo, vão reprovar isso, analisou Lessa. De acordo com ele, a Justiça precisa ser reformulada. Ele disse que o episódio denigre a imagem do Judiciário, mas não citou nomes. A Justiça precisa olhar essas atitudes. Não se pode culpá-la como um todo, mas pela peculiaridade que o poder tem de cada magistrado, é assim que a Justiça é formulada. Um caso desses, é correto que um homem solte? Veja só: será que essa forma de ação do Judiciário está correta? Será que em um caso como esse só uma Corte pode decidir? São perguntas que a gente deixa e, com certeza, servem para contribuir para que o Judiciário possa efetivamente ter na sociedade o prestígio que merece, não com essas atitudes. Isso só faz denegrir a imagem do Judiciário, argumentou. Adalberon foi solto na noite de quarta-feira por determinação do desembargador Orlando Manso. Ele estava preso havia dois anos e seis meses. Mesmo na prisão, o ex-prefeito, até o ano passado, recebia o salário mensalmente como prefeito. Seu atual grupo político conseguiu eleger a atual prefeita de Satuba, Cícera do Bar (PL), mas há quatro meses, o grupo se dividiu. O governador comentou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), que devolveu o mandato do vereador Paulo Corintho (PV). A decisão saiu na quinta-feira. Lembrando das críticas que fez em junho, logo depois da decisão da Justiça Eleitoral que cassou o mandato de Corintho, Lessa disse: Quando faço a crítica, eu faço pela ação. Acho que ontem o tribunal fez justiça àquilo que eu disse, que eu fui considerado atrevido, porque botei ele [Corintho] como secretário. Todas as coisas que eu disse eu reafirmo. Até que enfim o tribunal fez justiça. ### No café com a imprensa, a despedida O governador Ronaldo Lessa (PDT) reuniu ontem a imprensa, em um café da manhã no Palácio Floriano Peixoto, fazendo um balanço dos sete anos do seu governo e prometendo que em 90 dias vai zerar a relação de débitos do Estado. Não explicou como fará nem detalhou quais débitos seriam esses. O discurso foi transmitido por rádios de todo o Estado. O governador prometeu também que até o dia 23 de dezembro pagará o décimo-terceiro salário aos servidores públicos que ainda não receberam. O Estado já pagou o 13º aos servidores que recebem até R$ 1.600. ÚLTIMO NATAL Também em seu discurso, o governador falou em despedida porque, no próximo Natal, não estarei no governo, mas o Luis Abílio, adiantou, referindo-se ao seu vice. Começo a minha despedida hoje, ela vai até março, se Deus quiser. Este é o último Natal que passamos juntos. O próximo será o Luis Abílio com vocês. Avaliando seu governo, Lessa afirmou que, em 1998, havia 700 jovens concorrendo ao vestibular vindos da escola pública. Segundo o governador, este ano são 18 mil. Fizemos mais que o dobro da soma de todos os governadores que passaram aqui, comemorou. O governador afirmou ainda que foram criados 200 mil novos postos de emprego em sete anos, construído um aeroporto, o Internacional Zumbi dos Palmares, e o Centro Cultural e de Exposições do Estado, em Jaraguá. Os dados da saúde no Estado também são fantásticos, apesar dos caminhos que ainda se tem para percorrer, afirmou. |OR