Política
Bancada dividida sobre verticalização
| ODILON RIOS Repórter As discussões em torno do fim ou não da verticalização no País divide os parlamentares alagoanos da bancada federal. Em fevereiro de 2002, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) baixou norma estabelecendo que os partidos não podiam fazer, nos estados, coligação diferente da realizada nacionalmente. O TSE interpretou dispositivo da Constituição segundo o qual os partidos, apesar de sua autonomia, têm caráter nacional. O termo verticalização se deveu ao fato de que a instrução do TSE verticalizou a deliberação do partido de cima para baixo, do órgão nacional para os estaduais. Paralisia A indefinição em torno do assunto praticamente paralisou as articulações dos partidos nos estados. Em Alagoas, ela divide membros da bancada federal. A senadora Heloísa Helena (P-Sol), por exemplo, é a favor da verticalização. Recentemente, em Alagoas, durante encontro de Tribunais Regionais Eleitorais, Heloísa foi dura nas críticas sobre a reforma política que está sendo discutida no Congresso Nacional. Claro que é importante o debate. Mas não existe ninguém debatendo reforma política; estão debatendo reforma eleitoral trazendo detalhes sobre a construção partidária, as fidelidades, as questões relacionadas à campanha, apontou. Para o P-Sol, a continuação da verticalização não chega a se transformar em um bicho-papão. O partido conversa com o PSTU, mas a intenção é de que os psolistas saiam sozinhos no ano que vem na disputa eleitoral, tentando puxar a senadora como candidata a presidente. Já o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), é favorável ao fim da verticalização. Diferentemente do P-Sol, o PMDB teria sérios entraves com a verticalização. O partido discute, insistentemente, o lançamento de uma candidatura própria à Presidência da República, mas, ao mesmo tempo, está na base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da saraivada de críticas que Renan vem fazendo contra o governo. Nos estados, uma aliança com o PT pode gerar polêmica. ### Partidos têm interesse em aliança local Se os senadores alagoanos estão divididos sobre a verticalização, os deputados federais do Estado também não se entendem quando o assunto é seguir as coligações propostas pelas cabeças de seus partidos. Apesar de não declararem diretamente isso, alguns parlamentares acreditam que, caso a verticalização seja mantida, a decisão sobre candidatos próprios ou não à Presidência da República será dos estados do Centro-Sul, mais poderosos do ponto de vista político, com maiores bancadas e mais capacidade de pressão e articulação no Congresso Nacional. Em plena campanha no interior e na capital ao governo do Estado, o deputado federal João Lyra (PTB) não é a favor da verticalização e acha que só o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidirá o assunto ano que vem. Acho que isso não deveria nem existir. Fica tudo preso às decisões federais. As condições de cada Estado são diferentes, analisou. Perguntado sobre como votará em Brasília, resumiu: Meu filho, não sei se vou votar. A sessão do Legislativo acabou esse ano. Quando voltar, no dia 15 de janeiro, vai haver 90 assuntos em pauta. Só o TSE, acredito, é que vai decidir, mas as coisas são imprevisíveis, analisou. Para o PTB, a verticalização não seria cômoda, por causa da aliança com os petistas, apesar de o partido não estar discutindo uma candidatura à Presidência da República. Em Alagoas, PT e PTB são rivais políticos, e os governistas do Palácio Floriano Peixoto preferem não se aproximar do deputado federal. O deputado federal Helenildo Ribeiro (PSDB) também é contra a verticalização. Sou contra porque os partidos não estão fortes. Mas eu defendo se houver, primeiro, a reforma política, esclareceu Ribeiro. Nacionalmente, PSDB e PFL são aliados sólidos. Em Alagoas, quase se desconhecem. |OR ### Lira: leque fechado e sem afinidade O deputado federal Benedito de Lira (PP) é contra a verticalização. Isso dificulta até a vida parlamentar, afirmou. Ficaria obrigado a ficar coligado com quem não tem afinidade política. O leque fica fechado, afirmou. Nacionalmente, o PP é da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não terá candidatura própria à Presidência e tem um acordo fechado: Se a verticalização continuar, o PP não se coligará nacionalmente. Se for derrubada, terá a possibilidade de coligar. O deputado federal Maurício Quintella (PDT) vai votar contra a quebra da verticalização. Argumentou, por intermédio de sua assessoria, que a Constituição não pode ser mudada ao bel-prazer, não pode ser alterada por oportunismo. Quintella colocou-se, porém, favorável à reforma política. Para os pedetistas, que tentam lançar candidato próprio à Presidência da República, a idéia é uma candidatura contrária ao projeto de Lula. Em Alagoas, o quadro fica confuso, já que o PDT é aliado do PT e agüenta, sem reação, as críticas do governador Ronaldo Lessa ao governo petista. O deputado federal João Caldas (PL) surpreende na resposta sobre a verticalização. Não sou contra nem a favor, disse. Não há regra estabelecida no Brasil. O PL articula não lançar candidato próprio à Presidência da República. Envolvido em supostas denúncias de corrupção, perdeu o vice-presidente José Alencar, que agora está no PMR. Em Alagoas, o PL é coligado ao governo Lessa e tenta fazer três deputados estaduais no ano que vem. Os nomes são mantidos em segredo por Caldas. Por aproximação política, de acordo com ele, pode ficar com o PSDB. |OR