Política
Lessa diz estranhar débito do Ipaseal
| ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) estranhou ontem que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tivesse detectado, semana passada, após o julgamento das contas do Estado relativas ao exercício financeiro de 2004, uma dívida de R$ 351,3 milhões no fundo de aposentadorias e pensões do Estado, o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Alagoas (Ipaseal). As declarações do governador foram dadas em entrevista ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta. Não sei quais os valores que ele [o TC] tomou, se considerou todos os poderes, a partir de quando, porque, como podem ter chegado a este valor se os poderes só começaram a contribuir há pouco tempo? Pode estar havendo informações equivocadas para o conselheiro. Eu realmente não posso ratificar esses dados, disse Lessa, referindo-se ao conselheiro-relator das contas, Isnaldo Bulhões. Sobre as dívidas, reconheceu que o Ipaseal tem R$ 14 milhões em débitos, que será saldada com novo projeto enviado à Assembléia Legislativa, por meio do fundo das carteiras, pertencente ao Instituto. Durante sessão do tribunal, semana passada, o conselheiro Bulhões chegou a externar preocupação com a situação do Ipaseal. Para ele, não se sabe se no futuro os servidores conseguirão se aposentar e receber os vencimentos depositados no fundo de previdência. Para o governador, os piores dados do Ipaseal existiam nos governos passados. Lessa não se responsabilizou pelo rombo, como classificou, do fundo de previdência: Antes é que não havia nenhuma esperança, toda a cobertura do Ipaseal era feita pelo Tesouro naquele mês, quer dizer, quando houve, no passado, governos que atrasavam salário, todos os aposentados estavam ameaçados. Não sei a avaliação desse rombo que foi colocado, ou quem fez. Só posso dizer que hoje existe um fundo de previdência e, qualquer que seja o atraso, é muito mais seguro do que o que existia no passado. Para Lessa, o Ipaseal Saúde, que também atravessa uma crise, estará absolutamente regularizado em 90 dias, prazo oferecido pelo governador. Ontem de manhã, Lessa, o vice Luis Abílio e a secretária de Saúde, Kátia Born, inauguraram, na Maternidade Santa Mônica, a primeira etapa da ampliação e reforma da Enfermaria Mãe Canguru, que passou de seis para 12 leitos para recém-nascidos prematuros e com baixo peso. ### Provas do mensalão: É muito difícil Seis meses depois de ter denunciado um suposto esquema de mensalão no Judiciário alagoano, o governador Ronaldo Lessa (PDT) reconheceu ontem, na entrevista ao Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, que não conseguiu reunir provas que apontassem a existência do suposto esquema, que classificou de propina. É muito difícil, não consegui. Ninguém passa recibo de propina. É preciso um esforço muito grande do Judiciário para poder provar isso. O Judiciário, de maneira geral, age de forma corporativa e se protege, apontou. Para ele, apenas uma fiscalização externa poderá atingir essas pessoas e limpar o poder, no caso, o Judiciário, conforme declarações dadas ontem na entrevista. Em junho, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) determinou, por unanimidade, que o governador se tornaria inelegível por três anos. Foi acusado de abuso de poder político e econômico, mas a decisão só é válida depois de passar por todas as instâncias da Justiça Eleitoral. O processo está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última instância jurídica. Sobre as conseqüências, Lessa disse não temer ficar de fora das eleições do ano que vem. Garantiu que ainda não pensou em um eventual substituto na candidatura ao Senado, caso perca no TSE. Vou fazer política o resto da minha vida. Sou professor e engenheiro, lembrou. O governador falou ainda da crise no sistema de segurança pública, especialmente nos presídios, e reconheceu o crescimento da violência no Estado. Inclusive com a sofisticação de coisas que a gente não tinha no passado, completou. |OR