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Escalada de crime banca campanhas

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| ODILON RIOS Repórter O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB-AL), Marcos Mello, disse ontem, pouco antes da reunião do Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública, no final da manhã, que a escalada da violência no Estado está ligada à proximidade das eleições que acontecem no ano que vem. Segundo ele, assaltos e seqüestros realizados em Alagoas bancam caixas de campanha de candidatos a cargos eletivos. Está na cara que é caixa de campanha, enfatizou. Quando há eleição, o crime toma conta. Assaltos, seqüestros, tudo o que diz respeito a dinheiro, eles vão buscar. São bandidos que querem entrar na política e precisam de dinheiro. Isso não é novidade. Por que não tomar as providências imediatas?, perguntou o presidente da Ordem. Unânime Na reunião realizada ontem pelo Conselho, no Palácio, ficou decidido, por unanimidade, que será enviada uma recomendação ao governador para que sejam tomadas as medidas cabíveis para a transferência do traficante Fernandinho Beira-Mar do Estado, completou Mello, ao se referir ao megatraficante carioca, que está preso na sede da Polícia Federal, no bairro de Jaraguá. Também de acordo com o presidente da Ordem, não foi dado prazo para a transferência do traficante. Há dois dias, a OAB enviou ofício ao governo relatando preocupações. Para o presidente da OAB/AL, os seqüestros e as rebeliões em presídios alagoanos viraram coisa vulgar no Estado, e ele argumentou: Sabemos que há recrudescimento da violência em Alagoas, apesar do esforço das autoridades. Isso não se discute. Se, por um lado, a OAB reconhece o aumento da violência no Estado, mas não acredita que o governo alagoano perdeu o controle sobre a situação, o diretor geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, nega que os índices preocupem. Não reconheço a escalada da violência em Alagoas. A violência é crescente no País todo. Em momento nenhum eu disse que não era. Inclusive o próprio Ministério da Justiça reconhece isso, analisou. Segundo ele, há estados em que a violência é crescente. Em Alagoas, não está nesse nível e nós temos que trabalhar para evitar que chegue a esse nível. Davino também participou da reunião do conselho. ### Bancada não ajuda, diz Savastano Na última reunião do Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública, realizada ontem, o secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, reclamava que a bancada federal alagoana pouco fazia para trazer recursos de Brasília, por intermédio de emendas parlamentares para a área de segurança pública. Em discurso de uma hora, Savastano batia na mesa do Salão de Conselhos, do Palácio, reclamando da oposição, sem citar nomes, mas em clara referência a membros da bancada federal. Ao invés de essas autoridades lutarem na esfera federal para a liberação de recursos, eles preferem atacar a causa prática da insegurança, quando deviam ajudar, afirmou. Mais adiante, apontou: A bancada poderia ser mais atuante. Depois, justificava aos membros do Conselho que os recursos federais não saíram porque houve contingenciamento do governo federal. Periferia Para Savastano, os criminosos ainda estão localizados nas áreas mais pobres do Estado, justificando a ação dos policiais nessas áreas. É da periferia, é de lá que partem os agressores mais ousados, de caráter mais diário, os que incomodam mais a população. Porém, entrou em contradição ao ser questionado sobre a ação das quadrilhas de fora do Estado. Não há como apontar um núcleo mais agressivo. Sobre a afirmação do presidente da OAB-AL, ligando aumento de violência e eleições, Savastano parecia não aceitar a relação: A questão da criminalidade também é explorada politicamente. |OR ### Cochilos e proposta para limpar quartel A última reunião do Conselho de Segurança foi presidida pelo secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, começou com 30 minutos de atraso, às 10h, e quase sem o quórum mínimo. Com 26 membros, o exigido seria a presença de, pelo menos, 15 membros. Havia 17. Além disso, havia ausências sentidas na longa reunião, que durou mais de três horas: da Secretaria de Direitos Humanos, do Conselho Estadual de Direitos Humanos e da Assembléia Legislativa, que não enviaram representantes. Cochilo e trabalho Alguns membros, durante a reunião, cochilavam mas despertavam em seguida, cutucados por assessores que os alertavam para a presença da imprensa; outros conversavam pelo celular. O comandante do Corpo de Bombeiros, Jair Cordeiro, reclamava do traficante Fernandinho Beira-Mar, chamando-o de bandido. Não gostaria de citar o nome deste bandido e pedia que bandidos pudessem ir para o Corpo de Bombeiros. Explicava: Meu Corpo de Bombeiros está sujo e precisa de trabalho, e eu queria bandidos para fazerem a limpeza do quartel. Depois, acrescentou: Damos comida e trabalho. Câmeras Na reunião do Conselho, foi apresentado um programa de monitoramento, por câmeras, do Centro da cidade. O projeto será analisado pelo secretário. Propõe uma parceria entre o governo do Estado, Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e Aliança Comercial. A idéia é que os comerciantes pagariam uma mensalidade para a manutenção do sistema. No projeto, reconhece-se que o crime cresce na região, os efetivos das polícias são reduzidos e há baixo índice de atendimento às necessidades de segurança. Segundo o plano apresentado, o investimento inicial seria de R$ 1.432.031,40, a manutenção custaria R$ 369.522,60 e, ao todo, vai custar, caso seja aprovado pela secretaria, R$ 6.205.554. |OR

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