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Alagoanos não devolvem salário extra

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| PETRÔNIO VIANA Repórter Os deputados federais alagoanos ouvidos ontem pela Gazeta não cogitam abrir mão dos salários extras pela convocação extraordinária do Congresso Nacional. Até ontem, 43 deputados federais e quatro senadores, de vários estados, haviam anunciado que vão recusar, devolver ou doar o dinheiro. Cada deputado deverá receber, brutos, aproximandamente R$ 25,6 mil. A convocação começou no último dia 16 e deverá se estender até 15 de fevereiro. Deveriam estar em pleno funcionamento as comissões permanentes da Câmara e do Senado, as CPIs e o Conselho de Ética mas este continua em férias e nas outras, tem faltado quórum por ausência de parlamentares. NONÔ: dE JEITO NENHUM O vice-presidente da Câmara, deputado José Thomaz Nonô (PFL), foi um dos que declararam não ter intenção de devolver o dinheiro. O parlamentar explicou que o pagamento de salários extras foi um dos motivos que o levaram a discordar da convocação extraordinária, mas, como ela acabou sendo feita, os salários extras devem ser pagos. Eu, devolver meu dinheirinho? De jeito nenhum, Isso é uma hipocrisia! Eu faço caridade o ano inteiro e não coloco no jornal, não faço propaganda. Sou deputado, trabalho e não me sinto tentado a devolver, afirmou Nonô. O deputado João Caldas (PL), que ocupa a 4ª secretaria da Mesa Diretora da Câmara, também não pretende devolver os salários extras aos cofres públicos. Não vou devolver porque nunca fiz isso. Estou trabalhando. Hoje [ontem] é quinta-feira e estou na minha secretaria, exercendo as minhas funções. Não tem por que devolver nada, argumentou Caldas. O deputado do PL atribui a decisão de alguns deputados de devolver os salários às eleições do ano que vem. Esse dinheiro é legal e transparente. Devolver é uma demagogia, ainda mais tão próximo de um período eleitoral. O problema do Brasil não vai ser resolvido com o pagamento ou não desses salários, alegou João Caldas. DEMAGOGIA COM DINHEIRO O coordenador da bancada alagoana na Câmara, deputado Benedito de Lira (PP), concorda com Nonô e João Caldas. Lira também critica os parlamentares que decidiram devolver os salários. Esses deputados deviam fazer demagogia com outra coisa, não com dinheiro. Se a convocação e o pagamento vieram em um momento oportuno ou não, não compete aos deputados analisar. Não há ilegalidade no pagamento dos salários extras. É uma prerrogativa constitucional, acima de qualquer suspeita, justificou Lira, observando que menos de 10% dos 594 membros do Congresso Nacional pretendem devolver os salários. Não tenho nenhuma motivação para devolver esse dinheiro. Não vou fazer demagogia dizendo que vou devolver, mas essa é uma decisão pessoal, arrematou Lira, informando que o pagamento dos salários extras deverá acontecer na semana que vem. Na verdade, a primeira parcela sai hoje. ### Helenildo recebe e dá a quem precisa O deputado Helenildo Ribeiro (PSDB) também não vai devolver os dois salários extras da convocação extraordinária do Congresso Nacional. O deputado declarou que, com o dinheiro, vai ajudar os habitantes de Palmeira do Índios e dos municípios da região. Não vou devolver os salários de jeito nenhum. Nessa época do ano, a minha casa está sempre cheia de gente precisando de dinheiro para remédios, caixões, todo tipo de coisa. Vou fazer o que faço com o meu salário normal de deputado: ajudar essas pessoas, disse Ribeiro. O deputado concorda com João Caldas (PL) e Benedito de Lira (PP) e se refere à devolução dos salários como uma demagogia. Ribeiro também levanta dúvidas sobre o destino dos salários que serão devolvidos. Não vou devolver porque também não sei para onde vai esse dinheiro, nem o que a Câmara vai fazer com ele. Vou dar para o pessoal que precisa, explicou. O parlamentar disse ainda não precisar do salário de deputado federal, que chega a quase R$ 13 mil, sem contar a verba para manutenção dos gabinetes. Não vivo do salário de deputado. Sou promotor de Justiça e minha renda vem daí, comentou Ribeiro. TEÓFILO INDECISO O deputado Rogério Teófilo (PPS) foi único parlamentar alagoano ouvido ontem pela Gazeta que declarou ainda não ter tomado uma decisão sobre a devolução dos salários extras. De acordo com Teófilo, uma reunião entre a bancada do partido vai definir o encaminhamento que será dado à questão. Vou sentar com o partido, mas a decisão vai ser individual. Os deputados do PPS estão trabalhando, mas ainda não têm uma definição sobre os salários, informou Teófilo. O deputado critica a convocação extraordinária e questiona os procedimentos para a devolução dos salários extras. Ainda não sei ao certo o meio jurídico para fazer essa devolução, se existe algum procedimento. O certo era não ter havido essa convocação. Ela está criando dificuldades desnecessárias para os deputados. |PV

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