Política
Lyra e Nonô articulam aliança em Barra Nova
| ODILON RIOS Repórter Apesar do mistério sobre quem será o escolhido como candidato ao Senado no grupo do deputado federal João Lyra (PTB), ontem, em clima discreto, aconteceu um almoço, em Barra Nova, entre Lyra e o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), pré-candidato ao Senado. Lá também estavam a vice-prefeita de Maceió, Lourdinha Lyra (PTB), o presidente da Câmara Municipal da capital, vereador Arnaldo Fontan (PFL), parlamentares da Câmara e Assembléia Legislativa (inclusive de outros partidos) e correligionários políticos. O prefeito da capital, Cícero Almeida (PTB) não foi ao encontro, e ninguém informava o motivo da ausência nem se ele havia ou não sido convidado para o almoço. O deputado estadual Antônio Albuquerque (PFL) estava doente, por isso não compareceu ao encontro. A justificativa para o encontro foi uma confraternização do PFL, que deveria ter acontecido em dezembro, mas foi transferida para ontem à tarde. Entrevista O encontro de Lyra e Nonô aconteceu depois de entrevistas concedidas à Gazeta, em que Lyra citou três nomes ao Senado: o secretário de Educação da capital, Regis Cavalcante (PPS), Nonô e a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB). Não lancei Nonô ao Senado. Só existe uma candidatura que se coloca hoje, que é a minha, ao governo do Estado, disse ontem Lyra, insistindo em dizer que é candidato a candidato ao governo. Renan Perguntado se acredita que o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), pode ser candidato ao governo, Lyra sorriu e desconversou: Renan é imprevisível, mas é um grande amigo. O deputado Nonô também negou que estivesse sendo lançado ao Senado. Nem discurso houve, resumiu. Sobre a disputa para o Senado, Nonô analisou: Não há candidatura ao Senado imbatível. Hoje, o mais forte é o governador Ronaldo Lessa (PDT), sem dúvida, mas depende da Justiça Eleitoral. Perguntado se toparia a candidatura, respondeu: Topo ser candidato, sem constrangimento. São 24 anos de mandato parlamentar em Brasília. Em junho do ano passado, o governador foi declarado inelegível por três anos, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O processo foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aguarda julgamento. Se não for revertida a decisão, Lessa poderá ficar até 2007 sem se candidatar a qualquer cargo eletivo. Congresso O vice-presidente da Câmara dos Deputados analisou as sessões extraordinárias vazias no Congresso Nacional, que foi convocado pelo presidente, Renan Calheiros, em dezembro. Nonô disse que desde o começo foi contra tudo isso, a respeito da convocação extraordinária. A partir do dia 16 de janeiro, o Congresso estará cheio. O Congresso foi convocado para o funcionamento das comissões, CPIs e Conselho de Ética. Tudo isso está no ato convocatório. A imprensa mostrou uma imagem, mas já se sabia daquilo, argumentou o vice-presidente da Câmara dos Deputados. ### Em 60 dias, Lyra escolhe vice; Celso deve ser pensado O deputado João Lyra não revelou ontem se vai apoiar ou não José Thomaz Nonô, um dos maiores rivais políticos do governador Ronaldo Lessa (PDT) para a única vaga no Senado. Mas Lyra disse que no início de março vai escolher quem será seu vice. Em 60 dias, estará tudo desenhado, afirmou, incluindo a decisão para o Senado. O tudo do deputado não incluiu candidaturas a estadual e a federal. Tudo, tudo, não pode ser. Até junho muita coisa pode mudar, afirmou. As mudanças, a que se referiu Lyra, são as convenções dos partidos, a serem realizadas naquele mês. A partir delas, são definidos todos os nomes a concorrer a algum cargo eletivo nas eleições de outubro deste ano. Prazo A data citada por João Lyra coincide com o prazo dado pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB), que marcou para depois do carnaval a data-limite para a decisão de concorrer ou não ao governo alagoano. Mesmo se Renan aceitar disputar a vaga, Lyra garante que não recua na decisão de concorrer nas eleições deste ano ao Palácio Floriano Peixoto. Celso Apesar da insistência da Gazeta em perguntar se o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), será seu possível vice para o governo alagoano, João Lyra sorria, disfarçava, olhava para os assessores e dizia: Meu filho, essas coisas têm de ser pensadas, discutidas. Celso e Lessa teriam rompido por causa da aproximação de Lyra com o presidente da ALE. A Gazeta apurou que um ponto discutido na chapa para deputados federais seria o destino do deputado Antônio Albuquerque (PFL), da coligação de Lyra. Francisco Tenório (PMN), nome de Celso para a vaga, pode ganhar no embate interno para a Câmara Federal. Albuquerque é desafeto político de Celso. |OR