Política
Abílio: presos têm que receber comida
| ODILON RIOS Repórter Depois que a Gazeta mostrou, ontem, que presos em delegacias do interior e capital passam fome e muitos são obrigados a dividir restos de comida com outros presos, o governador em exercício, Luis Abílio (PDT), disse que vai convocar uma reunião com a cúpula da Secretaria de Defesa Social para discutir o problema. Abílio não contestou as informações apresentadas pela Gazeta. Eu estou tomando conhecimento deste fato e marcando uma reunião com o pessoal para tentar equacionar. Depois, o governador em exercício se declarou surpreso diante das condições dos presos: Isso não é possível, afirmou. Não há como dizer que não há dinheiro ou não há orçamento. Isso tudo aí é possível. Precisamos resolver e vamos resolver, declarou. As declarações do governador em exercício foram dadas pouco antes da assinatura, no Palácio Floriano Peixoto, de um convênio para a construção de cisternas no semi-árido alagoano. Ver abaixo Cerca de 500 presos enfrentam carência de alimentação nas delegacias. A situação foi reconhecida ontem pelo secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, que afirmou não ter recursos para cumprir a decisão do presidente do Tribunal de Justiça, Estácio Gama, que determinou que o Estado garanta a alimentação diária de presos sob custódia do Estado. Em outubro passado, o Ministério Público denunciou que presos em delegacias de São Miguel dos Campos passavam fome. Também um dia depois de a Gazeta mostrar as dificuldades enfrentadas pelos delegados e policiais civis de alimentar presos sob custódia, a reportagem entrou em contato com o 5º Distrito Policial, no Tabuleiro do Martins. Lá, a detenta Maria Aparecida dos Santos, presa no dia 17 de dezembro depois de furtar três conjuntos infantis de uma loja na Feirinha do Tabuleiro, declarou que estava passando fome na delegacia. O delegado Cícero Rocha confirmou a situação e disse ter dado vinte reais para ela comprar comida. Na conversa, por telefone, com um funcionário da delegacia, que pediu para não ser identificado, ele disse: Nada mudou, está tudo a mesma coisa. Essa mulher não tem ninguém. Tinha uma irmã em Sergipe, que trouxe comida para ela há muito tempo, mas não veio mais. Quando os presos daqui recebem comida, eles dividem com ela, contou. ### Vice reclama de indefinição de Renan A demora do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), para declarar se disputará o governo alagoano incomoda o governador em exercício, Luis Abílio (PDT), que se declara pré-candidato, se Renan não quiser concorrer. Ontem, durante solenidade no Palácio, Abílio disse que a espera é ruim e incômoda. Olha, não diria que está cansando. Não cansa, mas infelizmente essa é a regra do jogo político. Depois, Abílio classificou a espera de ruim: Agora, é ruim. Posso dizer que essa indefinição por parte de uma candidatura começa a pesar. Enquanto isso, tem adversários correndo a estrada, de forma que é para nós uma situação incômoda, para o grupo de apoio ao governo, para a aliança que é feita politicamente por esse governo, completou o governador em exercício. Dinâmica Uma das articuladoras políticas do PDT no interior, a secretária extraordinária Genilda Leão, disse ainda acreditar que Renan Calheiros vai disputar o governo este ano. Perguntada se no governo alguém ainda acredita na candidatura de Renan à sucessão, ela respondeu: O governador Ronaldo Lessa acredita. Claro que lançamos o Luis Abílio porque a política é dinâmica. O senador não se definiu e é preciso que mesmo assim tenhamos a obrigação de lançar outros nomes. |OR