Política
Uveal: briga e divisão de poder em 2006
| ODILON RIOS Repórter A União dos Vereadores de Alagoas (Uveal) começa o ano de 2006 desunida e sob ameaça de perda de poder para uma entidade rival, programada para surgir após o carnaval: a União dos Vereadores do Sertão. Isso aconteceu porque a Uveal, no ano passado, ficou sem seu vice-presidente, Afonso Gaia (PMN), vereador de Santana do Ipanema. Gaia é um dos principais articuladores do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN). O sertanejo diz que, ao sair da Uveal, conseguiu o apoio de 30 câmaras municipais, totalizando, segundo diz, 270 vereadores. A foto de Gaia foi raspada de uma placa que anuncia um clube que está sendo construído em Barra Nova pela Uveal. Do outro lado, o presidente da Uveal, Cláudio Roberto Costa (PHS), vereador de Marechal Deodoro, reclama do ex-vice-presidente e diz ser impossível a formação de uma associação no interior nos moldes da Uveal. Em toda essa história, estão políticos considerados poderosos que influenciam a Uveal, como o próprio Celso Luiz, o deputado federal João Lyra (PTB), o governador Ronaldo Lessa (PDT) e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Otávio Lessa, irmão do governador. ### Entidade rival terá sede em Santana O ex-vice-presidente da Uveal, Afonso Gaia, pretende, depois do carnaval, abrir as portas da União dos Vereadores do Sertão. Objetivo: fazer cursos de capacitação dos parlamentares, facilitar o acesso de informações sobre a função, além de cursos de oratória. Engloba tudo, tudo, resume o vereador. A sede da rival da Uveal, que terá a sigla UVS, será em Santana do Ipanema. Na entrevista, o nome do presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz (PMN), é repetido por Gaia várias vezes. O encontro com o vereador foi no gabinete do deputado. Afonso Gaia garante que, após a sua saída da Uveal, outras câmaras optaram por acompanhá-lo. A maioria esmagadora no Sertão, como diz. Ele lista Penedo, São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela, Canapi, Inhapi, Mata Grande, Água Branca, Delmiro, Pariconha, Olho d?Água do Casado, Cacimbinhas, Dois Riachos, Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco, Olivença, Olho D?Água das Flores, Monteirópolis, Jacaré dos Homens, Batalha. Ele diz que todas estão com ele. Segundo o sertanejo, Celso Luiz não influenciou na sua saída da Uveal: Ele me deixou à vontade. Celso é meu amigo, voto na família de Celso desde meu primeiro voto, apontou Gaia, um dos principais articuladores políticos de Celso no Sertão. A Uveal nunca foi uma entidade acesa, de luz, nunca. Acho que as pessoas chegavam lá e se acomodavam. Nessa última eleição, movimentamos o Estado. Todo mundo queria ser presidente da Uveal, e me chamaram, já de última hora. Eu era vice do Cláudio, fiquei, dei a minha palavra, afirmou, referindo-se ao presidente da União. As eleições da Uveal aconteceram no ano passado. |OR ### Antecipação da eleição virou golpe O ex-presidente da União dos Vereadores de Alagoas (Uveal), Afonso Gaia, tem na boca a palavra traição, ao se referir ao atual presidente da União, Cláudio Roberto Costa. A vaidade toma conta das cabeças dos tolos, mas é só uma vez, filosofa. A saída de Gaia da Uveal foi motivada, segundo ele, por uma festa em Santana do Ipanema, pelo não-cumprimento da promessa de construção de alojamentos para vereadores na sede da Uveal, no Farol, e pela prorrogação, de dois para quatro anos, da permanência do presidente da Uveal no cargo. O ex-vice reclama que em Santana não teria participado como anfitrião de uma reunião, que teve a presença do deputado federal João Lyra (PTB), do desembargador do Tribunal de Justiça, Washington Luiz, e do prefeito de Piranhas, Inácio Loiola. No caso dos alojamentos, ainda segundo Gaia, eles foram prometidos pelo presidente Cláudio Roberto, mas nunca oferecidos aos parlamentares. A Gazeta apurou que, na sede da Uveal, em Maceió, existem seis alojamentos, com beliches, que no passado teriam servido até como point para orgias de vereadores com garotas de programa. Hoje, estão desativados porque a madeira está apodrecida e o teto de gesso desabou. O terceiro motivo, talvez o principal, foi a mudança no estuto, no artigo 25, aumentando de dois para quatro anos o mandato do presidente. A reunião para a mudança do estatuto ocorreu no dia 20 de outubro. Para Gaia, a prorrogação foi um golpe. Em todo governo, seja bom ou ruim, a instituição é séria. Pena que haja uma pessoa que não honra compromissos, e uma coisa pior ainda: ele [Cláudio] tinha me falado que queria alterar o estatuto de dois para quatro anos. Eu disse: tudo bem, mas que consultasse todos os vereadores, não deixasse o primeiro vereador do lado de fora, e tudo documentado. Ele alterou sem comunicar a ninguém, acusou Gaia. Ele disse que foi operado na Santa Casa de Misericórdia, uma dia antes da reunião. Afonso Gaia aponta outra vereadora, que entra na conversa Tânia, de Santana do Ipanema e ela reclama também da Uveal. Quando a Gazeta ouve Cláudio Roberto, na Uveal, a mesma vereadora participa da conversa e é apontada como aliada do presidente da Uveal. OR ### Falta sinceridade no ex-vice, acusa presidente O presidente da Uveal, Cláudio Roberto, repudiou as acusações do ex-presidente da União, Afonso Gaia, reclama da falta de sinceridade do parlamentar e diz ter documentos comprovando que a mudança no estatuto foi legal. Disse ter compromisso na construção dos alojamentos para os vereadores e que apenas cinco câmaras e não 30, como disse Gaia, saíram da Uveal. Citou quatro: as de Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia, Maravilha e Dois Riachos. Foi uma decisão pessoal. Ele não estava no senso da sua normalidade, afirmou, sobre a saída do vice da Uveal. Na documentação, mostrou que houve publicação da convocação da Assembléia, para mudança de estatuto, no Diário Oficial do Estado, e a ata da assembléia, estendendo de dois para quatro anos o tempo de permanência na presidência da Uveal. Ele insistiu em mandar a ata para a casa dele e ele assinaria a ata de presença na Assembléia. Não fiz isso, informou Roberto. Segundo ele, a Uveal passa por período de inadimplência entre as câmaras: das 102, só 55 pagam entre R$ 100 e R$ 250 de mensalidade. Além disso, a Uveal recebe ajuda mensal, segundo Roberto, de R$ 10 mil do governo alagoano. Mas trabalha de maneira dinâmica, com uma diretoria inquieta. Ele afirmou ainda que a atual diretoria tem apoios como do conselheiro do Tribunal de Contas, Otávio Lessa, de 14 deputados mais o presidente, Celso Luiz (PMN), e do deputado federal João Lyra. O que pedimos aos deputados, eles nos ajudam. Realizações Cláudio falou de realizações, sem o vice Afonso Gaia, na sua gestão, como a doação de tijolos por um parlamentar para a construção do Clube do Vereador, em Barra Nova, da Sala do Vereador, com ar-condicionado, TV a cabo e jornais, além do adesivo, que permite aos vereadores não pararem seus carros nas barreiras policiais. Estamos em contato com a Polícia Rodoviária Federal e a Secretaria de Defesa Social para entregar o disquete para que em todas as barreiras policiais eles tenham uma identificação do veículo. O vereador é uma autoridade, tem que ser respeitado também, afirmou o presidente da Uveal. Contou ainda que os vereadores têm abatimento, em sua gestão, de 3% no abastecimento de gasolina, além de farmácias, churrascarias, hospitais, e tenta firmar acordo também para abater, em 20%, a mensalidade em faculdades para vereadores, esposas e filhos. Claúdio Roberto foi eleito no início do ano passado para a Uveal por 346 votos. Ganhou do grupo político do governador Ronaldo Lessa (PDT), encabeçado por Toninho Lins. Seu atual vice é Paulo Urbano, do Pilar. OR