Política
Fim da verticalização agrada em Alagoas
| LUIZA BARREIROS Repórter O fim da verticalização das alianças eleitorais, aprovado em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira, conseguiu agradar a políticos de várias tendências em Alagoas. Do deputado João Lyra (PTB) ao governador em exercício Luis Abílio de Sousa (PDT), passando por Renan Calheiros (PMDB) e Teotônio Vilela Filho (PSDB), a opinião é uma só: a derrubada da obrigatoridade de repetição das coligações nacionais nos estados facilita e abre um leque muito maior de alianças para a eleição de 2006. O liberou geral que permite, por exemplo, que o PSDB e PMDB tenham candidatos próprios a presidente, mas apóiem um único candidato ao governo de Alagoas, deverá dar um novo rumo às negociações. Para o deputado João Lyra pré-candidato ao governo do Estado o fim da verticalização foi uma grande vitória para a classe política. Segundo ele, nacionalmente o PTB já descartou a possibilidade de lançar candidato a presidente, o que não prejudicaria as coligações que serão feitas em Alagoas. Mas sou favorável a mais liberdade para conversar com os partidos, avaliou. Lyra disse que a tendência é que o PTB dispute a eleição mantendo a aliança com PP, PPS, PFL e PTdoB, feitas na eleição municipal. Até agora, a negociação de aliança nova mais adiantada é com o PMN do deputado Celso Luiz, disse. PDT O vice-governador Luis Abílio (PDT) disse ser favorável à verticalização, mas só dentro de uma reforma política. Sou um produto da verticalização, comentou. Se não fosse isso, eu não teria sido o vice na eleição passada. Para a eleição deste ano, Abílio que é pré-candidato ao governo disse que o fim dessa regra era um clamor da classe política. Para ele, com o fim da verticalização, o PDT poderá ampliar o leque de alianças, com efeitos práticos, por exemplo, no tempo de propaganda no rádio e TV. Na eleição passada tivemos uma aliança branca com PSDB e PMDB, mas isso não aumentou o tempo da TV, lembrou. Agora, facilitou muito o jogo político. Se vamos enfrentar o poder econômico e temos mais tempo na TV, podemos ter vantagem com a aliança, complementou. Abílio acha que o PDT deverá se aliar ao PMDB, PT, PSB e PCdoB. Ele não descartou a aliança com o PMN do deputado Celso Luiz, mesmo com a recente aproximação de Celso com João Lyra. Acredito que o Celso vai se manter fiel à aliança conosco, mesmo reconhecendo que grande parte do grupo dele prefere se juntar ao PTB, afirmou. Quanto ao PSDB, Abílio disse considerar difícil uma aliança. Lessa O governador, que está afastado do governo e é pré-candidato ao Senado, disse por meio de sua assessoria que o fim da verticalização foi melhor para o PDT, já que não houve uma reforma política séria que fortalecesse os partidos. Segundo ele, seu partido deve manter as alianças feitas nas últimas eleições, tentando ampliá-las para o PSDB e PMDB. ### PFL elogia mudança; PT vai se adaptar PETRÔNIO VIANA Repórter O vice-presidente da Câmara Federal, deputado José Thomaz Nonô (PFL), disse ontem acreditar que a derrubada da verticalização nas coligações partidárias para as eleições deste ano traduz a necessidade de manter a independência e as características próprias dos partidos em cada Estado brasileiro. A realidade política é diferente nos estados. Como homogeneizar as coligações?, questionou Nonô. Para o deputado, a verticalização foi derrubada porque era regida por uma interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantida por uma decisão que não havia sido tomada pelo Poder Legislativo. Quando o legislativo é usurpado de suas funções, a lei é torta, argumentou. Segundo Nonô, de qualquer forma, as composições locais do PFL estão de acordo com a realidade política do partido em nível nacional. O único problema é o PSDB, que caminha lado a lado com o PFL em Brasília, mas apóia o governo do Estado, observou. O PFL, em Alagoas, faz oposição ao governo do Estado e está aliado com o grupo que venceu a eleição para a Prefeitura de Maceió, comandado pelo PTB do deputado João Lyra. O PFL está aberto a conversas com os partidos, menos, é claro, com o PT e com o governo do Estado. Nonô informou que pretende conversar com o presidente do PSDB em Alagoas, Alexandre Toledo, mas pareceu descrente que uma aliança local possa ser concretizada. As alianças preferenciais para o PFL alagoano, segundo Nonô, são mesmo o PTB e o PPS. Está sendo muito interessante essa parceria na Prefeitura de Maceió. É natural que ela seja mantida nas eleições deste ano. Desastre Na avaliação do vice-presidente do PT em Alagoas, vereador Judson Cabral, a derrubada da verticalização, mesmo aumentando a possibilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na concepção do partido, foi um desastre, uma vez que os partidos voltarão a fazer alianças a partir de interesses meramente eleitorais, e não por compromisso ideológico ou por um projeto de desenvolvimento para o Brasil e para os estados. De acordo com Judson, o PT terá que se adaptar à legislação, mas deverá compor alianças com os partidos de centro-esquerda, apesar de manter-se ao lado do PDT, do governador Ronaldo Lessa, que faz oposição ao governo federal. Os outros partidos apontados por Judson como prováveis aliados do PT são o PSB, o PMDB, o PCdoB e o PV, além de outros partidos pequenos. Judson confirma que o PT certamente não fará aliança com o PTB, o PSDB e o PFL nessas eleições, por apresentarem conflitos de concepções. |PV