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Vânia: prisão tem motivação política

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| PETRÔNIO VIANA Repórter A prefeita de Rio Largo, Vânia Paiva (PMDB), declarou à Gazeta acreditar que as denúncias de envolvimento de seu marido, Edson Ricardo Schavuzzi, no incêndio que destruiu a Secretaria de Finanças do município, em 2004, e em uma série de crimes praticados por uma quadrilha comandada pelo vereador Alexandre Cardoso da Silva, o Júnior Pagão, teriam motivações políticas. É possível que tenha acontecido [influência política na operação da Polícia Civil] porque a razão é a prefeitura. Razão jurídica não houve. Então qual foi o motivo? A prefeitura, acusou a prefeita. Schavuzzi e outros 13 acusados foram presos na madrugada da última terça-feira. A prefeita não quis citar nomes, mas disse que não vê outro motivo para as acusações contra seu marido. Vânia Paiva voltou a defender Schavuzzi e o vereador Junior Pagão. Segundo ela, a família do vereador é muito conhecida pela sociedade riolarguense. Ela disse que teria começado a manter contato com ele depois que Junior Pagão entrou para a política. Um dos membros dessa família ganhou as eleições para vereador. Daí o nosso conhecimento, da família com a prefeita, justificou. Vânia Paiva declarou que nunca tinha ouvido falar do envolvimento do vereador em atividades criminosas. Eu fiquei sabendo quando aconteceu esse fato agora, com essa operação, que o vereador estava envolvido nesses assaltos, nesses seqüestros, disse. Por outro lado, a prefeita comentou que os crimes cometidos no passado pela família Pagão eram de conhecimento notório em Rio Largo. A família Pagão realmente andou envolvida em alguns ilícitos anteriormente. Ultimamente a gente não tem ouvido falar nada, não teve conhecimento de nada da família Pagão, explicou Vânia. A prefeita nega o envolvimento dela e de seu marido no incêndio da Secretaria de Finanças de Rio Largo, supostamente provocado para esconder irregularidades na administração municipal. Isso é um absurdo. Estamos indignados com o que está acontecendo com ele [Schavuzzi]. Eu não sei quem teria interesse em provocar aquele incêndio. Eu sei que eu e meu marido não provocamos nenhum incêndio. Outras gestões que não teriam acesso aos documentos, aí eu não sei, afirmou Vânia Paiva. Segundo uma testemunha ouvida pela polícia no dia 24 de janeiro, Ricardo Schavuzzi teria planejado a prática do incêndio, com Carlos Jorge Cardoso da Silva, o Jorge Pagão, tio de Junior Pagão, e mais um homem conhecido como Dema. Os dois últimos, de acordo com a polícia, teriam sido os executores do plano. ### Justiça foi induzida a erro, diz advogado O advogado de Vânia Paiva e Edson Ricardo Schavuzzi, Adriano Soares, critica a postura da polícia e considera que a prisão do marido da prefeita foi ilegal e que a polícia teria cometido excessos. Para Soares, o depoimento que incriminou Schavuzzi não justificaria a prisão. Além disso, segundo Adriano Soares, não foi constatada a participação de Ricardo Schavuzzi nas atividades criminosas da quadrilha comandada pelo vereador Junior Pagão. Ele [Schavuzzi] está sendo acusado apenas de provocar o incêndio na secretaria. A ligação com a família Pagão seria somente essa, o que não justifica o pedido de prisão provisória. A Justiça foi induzida ao erro, reclamou o advogado. Nós passamos dois dias sem acesso às acusações ou ao processo. Para a nossa surpresa, a decisão menciona que apenas uma testemunha afirma que Jorge Pagão e Dema provocaram o incêndio, sem que o nome de Schavuzzi fosse citado. Colocaram o inquérito contra ele com todos os outros da família Pagão, alegou Soares. De acordo com o advogado, a prisão provisória de Schavuzzi também é irregular, uma vez que a medida pode ser aplicada em crimes hediondos e determinados outros delitos, mas não neste caso. O pedido de habeas-corpus em favor de Schavuzzi deu entrada sexta-feira no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AL) e foi distribuído ao desembargador Orlando Manso. Na opinião de Soares, até a próxima terça ou quarta-feira, o magistrado deverá tomar uma decisão. |PV ### Soares culpa crise na segurança pública Os advogados que cuidam da defesa de Edson Ricardo Schavuzzi e de sua esposa, a prefeita de Rio Largo, Vânia Paiva, apontam outra questão peculiar no caso da prisão efetuada pela polícia civil na última terça-feira. Segundo os advogados, já existe um inquérito que investiga o incêndio na Secretaria de Finanças do município, em 2004. Esse inquérito, por envolver o nome de dois deputados estaduais e da prefeita, possui foro privilegiado, ou seja, só poderia ser conduzido pelos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AL), e não por um juiz de primeiro grau, como o que determinou a prisão de Schavuzzi. O inquérito que tramita no TJ está nas mãos do desembargador José Hollanda Ferreira. Para Adriano Soares, a Justiça foi ludibriada pela polícia, que envolveu deliberadamente o nome de Schavuzzi, para que a prisão pudesse ser efetuada e o processo pudesse transcorrer sem a necessidade de encaminhamento à instância superior. Pegaram seis inquéritos diferentes e misturaram de tal forma que colocaram o Schavuzzi atrelado ao caso da família Pagão, como se fosse uma coisa só. A polícia induziu a Justiça ao erro, insistiu o advogado. Para a defesa de Schavuzzi, o contexto vivido pelos órgãos de segurança pública do Estado, com as mudanças no comando da Secretaria de Defesa Social (SDS), também influenciou a ação da polícia. De acordo com Soares, o mandado de prisão determinava que o acusado fosse levado à 3ª Vara de Execuções Penais de Rio Largo, o que nunca aconteceu. Ricardo Schavuzzi encontra-se no presídio Rubens Quintella e não está recebendo visitas por iniciativa própria. Segundo familiares, o marido da prefeita Vânia Paiva está muito constrangido com a situação. |PV

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