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Sem Renan, Abílio é o ás no jogo de carta eleitoral

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| PETRÔNIO VIANA Repórter As negociações em torno da escolha do candidato ao governo do Estado dentro do grupo político do governador Ronaldo Lessa (PDT) tornaram-se mais intensas depois da confirmação, ocorrida no dia 3 deste mês, da aliança entre o PTB, do deputado federal João Lyra, pré-candidato ao cargo majoritário em Alagoas, e o PMN do presidente da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), deputado Celso Luiz, provável vice na chapa de Lyra. As articulações tornaram-se mais difíceis depois da suposta desistência do presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB), em disputar as eleições no Estado. Calheiros continua tendo a preferência do grupo palaciano, mas a demora do senador em tomar uma decisão poderá atrapalhar os planos de Lessa. Renan não teria tanta pressa em definir seu rumo político porque tem ainda quatro anos de mandato pela frente. Dessa forma, caso Celso Luiz e João Lyra não tivessem formado o acordo, uma decisão em torno do nome governista para a disputa pelo Palácio Floriano Peixoto só sairia, no mínimo, em abril ou maio. A movimentação iniciada pelo PTB e pelo PMN, como declarou na semana passada o vice-presidente da Câmara Federal, deputado José Thomaz Nonô (PFL), deflagrou o processo e agora o grupo palaciano precisa escolher seu candidato com mais urgência. Outras alternativas ao nome de Renan Calheiros já estão sendo discutidas, como o vice-governador Luis Abílio de Sousa (PDT) que havia sido lançado no ano passado como o candidato do PDT e do PSB, e o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que encontra resistência por parte de muitos aliados do palácio, como o PT e o PCdoB. Alheio às indefinições, o vice-governador, em exercício desde o mês passado, vem trabalhando sua imagem perante o eleitorado, inclusive comparecendo a inaugurações e solenidades. A crise nos órgãos de segurança pública do Estado, que resultaram na substituição de toda a cúpula da Secretaria Coordenadora de Justiça e Defesa Social (SDS), foi uma boa oportunidade para Abílio mostrar trabalho. O vice-governador chegou a responder, através de uma mensagem veiculada nas emissoras de rádio e TV do Estado, às críticas feitas pelo procurador-geral do Ministério Público (MP), Coaracy Fonseca à segurança pública. Luis Abílio nega que a freqüente exibição de sua imagem tenha o objetivo de conquistar o eleitorado. A minha preocupação não é trabalhar a minha imagem. Eu tenho procurado cumprir o meu papel constitucional, que é substituir o governador nos entendimentos. Eu sei da dificuldade que é substituir uma liderança como o Ronaldo Lessa, mas tenho feito um esforço para cumprir isso da melhor maneira possível, argumentou Abílio. Não estou fazendo, com isso, nenhum jogo de imagem ou jogo político, completou o vice-governador. De qualquer maneira, Abílio acredita que é necessário conquistar a confiança da sociedade para quando assumir o mandato em definitivo, no final do mês de março. Para as ações do governo, sim. Nós precisamos merecer a confiança da sociedade para executar um bom trabalho, avalia o governador em exercício. Segundo Abílio, o governador Ronaldo Lessa mantém a credibilidade em sua candidatura ao governo do Estado. Minha candidatura está posta com outras. Existem vários nomes, como o do senador Renan, o da senadora Heloísa Helena (P-Sol) e do senador Téo Vilela, onde o meu está incluído. Mas não temos nenhuma decisão, pondera. Na avaliação de Abílio, a definição do nome governista que disputará o governo deverá sair, no máximo, na semana após o carnaval. De acordo com o secretário de Comunicação Social do Estado, Joaldo Cavalcante, a freqüente exibição da imagem de Abílio não faz parte de uma estratégia do governo para as eleições deste ano. Não há estratégia. Não trabalhamos ainda nesse nível. É preciso respeitar o calendário da Justiça Eleitoral. Estamos preocupados com o momento de transição, afirma o secretário, negando que o afastamento de Lessa seja definitivo. Ele (Lessa) deve reassumir, por orientação médica, no dia 22. Para Cavalcante, uma desistência do senador Renan Calheiros em disputar a eleição fortaleceria a candidatura de Luis Abílio. Algumas pesquisas têm apontado o crescimento da popularidade de Abílio. No caso da ausência de Renan, a candidatura de Abílio sairia fortalecida, observa. Sobre a possibilidade de Abílio abrir mão da candidatura em prol do senador Teotônio Vilela, a secretária coordenadora de Articulação, Fátima Borges, disse apenas que Abílio é um conciliador. Para a secretária, o aumento da visibilidade do vice-governador coincidiu com a crise na segurança pública. Para ela, o governador Ronaldo Lessa continua acreditando na candidatura de Luis Abílio. Enquanto Renan não se definir, Luis Abílio continua sendo candidato, enfatiza Fátima Borges.

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