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PF prende primo de deputado acusado de liderar quadrilha

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GILVAN FERREIRA Repórter A Polícia Federal prendeu ontem o primo e ex-segurança do deputado estadual Francisco Tenório (PMN), Gilberto Júnior dos Santos, o Júnior Tenório ou Júnior Cicatriz, acusado de liderar a maior quadrilha de roubo de cargas do Estado, assaltos, homicídios e latrocínios. A prisão de Júnior Tenório foi decretada pelos juízes do Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCCO). Júnior Tenório, que também é acusado de planejar os assassinatos da delegada de Pilar, Paula Franchinneti, e do inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Jota Edson, foi preso em um dos seus imóveis. Júnior Tenório foi preso em um de seus locais de esconderijo, um apartamento localizado na Rua Belo Horizonte, no Farol, próximo ao Caldinho do Vieira. Segundo os policiais federais, Júnior Tenório foi encontrado no seu quarto, ainda dormindo, ele foi rendido e não reagiu à prisão. Os policiais federais encontraram um pente (9mm), usado em pistolas e metralhadoras, e munições de igual calibre, além de um grande número de documentos considerados sigilosos. Segundo os policiais federais, no momento da prisão, Júnior Tenório não reagiu e chegou a mostrar surpresa com a ação da Polícia Federal. Um dos policiais da equipe da Polícia Federal disse que Júnior Tenório afirmou que o homem iria resolver a sua situação. O policial federal disse que Tenório não chegou a revelar o nome do seu protetor, mas deixou a entender que ele teria forte influência em Alagoas. O delegado federal Joaci Avelino, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da PF, disse que Júnior Tenório também teria envolvimento com a quadrilha liderada pelo vereador de Rio Largo, Júnior Pagão. Ele é cúmplice do Júnior Pagão, o vereador de Rio Largo que está foragido e acusado de seqüestros, declarou. Segundo Avelino, Júnior Tenório tem vários decretos de prisão preventiva da Justiça alagoana. No entanto, o que resultou na operação da Polícia Federal da manhã de ontem foi assinado pelos juízes no NCCO do Tribunal de Justiça, que decidiu manter em sigilo a decretação após o vazamento de informações que facilitaram as fugas do sargento Raimundo Medeiros e do assessor parlamentar Luiz Henrique Oliveira, acusados de envolvimento em mais de 30 homicídios em Alagoas. Ligação anônima O delegado Joacir Avelino disse que chegou até o local do esconderijo de Júnior Tenório por intermédio de uma ligação anônima. ### Ele usa o meu nome, rebate deputado Júnior Tenório negou a sua participação com roubo de cargas, assaltos e latrocínios, mas assumiu a sua participação em um homicídio. Júnior Tenório alegou que sabia que a Justiça tinha decretado a sua prisão, mas negou que estivesse foragido. Tenório evitou falar do seu parentesco com o deputado Francisco Tenório e fez críticas à Polícia Civil de Alagoas. O que acontece é que a Polícia Civil está querendo me culpar por outros crimes. A única coisa que existe contra mim é um homicídio. Tive uma briga no passado e matei para não ser morto. Eu já a sabia que estava sendo procurado, mas não estava foragido, continuei no meu apartamento e andava normalmente em Maceió. O problema é que em Alagoas quando você pega a fama tudo sobra pra você, defendeu-se Tenório. DEPUTADO NEGA PARENTESCO Em entrevista à Gazeta, o deputado Francisco Tenório negou ter relação com Júnior Tenório. Ele disse que tinha a informação que Júnior Tenório vinha utilizando o seu nome há muito tempo. Eu não tenho nada com esse rapaz, ele é um mentiroso, e vem utilizando meu nome para fazer as safadezas dele. Ele não é meu primo ou sobrinho como falaram para vocês, mas não quero mais me referir a isso, se você quiser falar sobre qualquer outro assunto eu falo, mas sobre esse rapaz... Não tenho mais nada a dizer, mas a polícia está investigando e vai descobrir a verdade, concluiu Francisco Tenório. Muitos crimes Júnior Tenório vinha sendo investigado pelas polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil, é apontado como líder da mais violenta quadrilha de roubo de cargas em atuação em Alagoas. A quadrilha teria sido responsável pelo assassinato do caminhoneiro Edval Alves Peixoto, 34, o ajudante José Carlos de Oliveira, 31, e Francilene Zerba, 33, executados durante um assalto na BR-101. Segundo os policiais que participaram das investigações, Júnior Tenório teria autorizado a morte das três pessoas depois de perceber que o grupo tinha cometido um erro na escolha da carga. Tenório tinha sido informado que o caminhoneiro transportava uma carga de charque, mas, durante o ataque, perceberam que era batata doce. Além desses três homicídios, Júnior Tenório teria participado de assaltos a agências dos Correios, entre elas, a do município de Tanque d?Arca, em novembro do ano passado. O grupo de Júnior Tenório estaria sendo investigado por suspeita de envolvimento no assassinato do pistoleiro Cícero Belém, executado em novembro do ano passado na Avenida Durval de Góes Monteiro. Belém teria participado de várias ações do grupo de Júnior Tenório, que também seria formado pelo capitão PM Fortes, ex-comandante do Batalhão de Pilar; os tenentes Júnior Rocha, filho do ex-comandante da Polícia Militar, Nilton Rocha; os PMs Aldo Tenório e Fred; o caminhoneiro Chapolim; os assaltantes Cícero Pitú e Salém, além do assessor parlamentar Henrique Oliveira. |GF

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