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Renan é importante para o governo de Alagoas

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| ODILON RIOS Repórter As prévias vão acontecer no dia 19, com grande presença do PMDB. Esse é o diagnóstico do governador afastado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que se encontra hoje em Maceió com os convencionais do PMDB. Em plena campanha para as prévias do partido, antes de embarcar ao Piauí, em peregrinação pelos estados nordestinos, ele conversou com a Gazeta sobre o partido, Lula e o senador Renan Calheiros. Gazeta - O PMDB vai para as prévias de 19 de março praticamente dividido e ameaçado de uma rasteira por membros do Palácio do Planalto e do próprio PMDB. Essa situação preocupa? Germano Rigotto - Não, não preocupa. Primeiro porque eu acredito que as prévias vão acontecer. É importante que o partido tenha o seu projeto nacional, a sua identidade própria, recupere suas bandeiras. O partido tem perdido essa identidade ou não tem ficado com uma identidade muito clara, com sua cara e bandeiras, exatamente porque abdicou de ter esse projeto, ficou atrelado a outros projetos. E o PMDB, como um grande partido nacional, não pode mais cometer esse erro. Parece que o PMDB perdeu o bonde da história, abdicou de ter candidatos à Presidência da República, nos últimos anos... Não tenho dúvida que foi. Agora, não adianta chorar o leite derramado. Temos que recuperar o tempo perdido. E recuperar esse tempo é ter um projeto nosso, alternativo ao PT, ao PSDB, dois projetos que estão aí polarizando. Que projeto é esse exatamente? O de um país que cresça mais do que tem crescido. Observa-se que o Brasil, nos dois governos do PSDB e neste do PT, tem crescido em média 2,4% ao ano, quando poderia ter crescido 25%. Então, temos que ter essa reversão do quadro, com uma proposta alternativa que signifique que o País cresça, com uma política monetária, cambial, menos conservadora, os juros deveriam ter caído mais rapidamente porque os indicadores permitiam essa queda da taxa de juros, inflação baixa. Tudo isso facilitava que tivesse uma redução da taxa de juros, mas o conservadorismo da política econômica impediu isso. Então, temos um país crescendo menos do que deveria, ficando dependente dos programas de renda mínima, enquanto não gera os empregos que deveria gerar. Podemos então apresentar uma proposta séria, viável, com desenvolvimento, enfrentando questões deixadas de lado tanto pelo PSDB quanto pelo PT. Eu citaria as reformas tributária e política. Reformas que não foram feitas nestes governos, inclusive novo pacto federativo. Existe uma centralização dos recursos da União, de poder, enfraquecimento dos estados e municípios. Isso é crescente, não vem do governo Lula, mas desde Fernando Henrique Cardoso. Continua no governo Lula. Mas o PMDB participa do governo Lula, por que continuar no governo, se há tantas críticas? Participa sim, mas de funções menores, secundárias. Não participa do núcleo de decisão do governo. O PMDB, ao longo dos anos, nos governos do PSDB e PT, sempre ficou em posição secundária, acessória, menor dentro do governo. Não participou do núcleo de decisão, nunca participou de funções na área econômica, que é quem conduz os reflexos na política social. O PMDB optou, e aí foi um erro que ele cometeu, em ficar em posições menores. Foi um erro da ala governista do PMDB? Não gosto de ficar falando de ala governista ou não governista. O partido ao longo destes 12 anos teve um comando nacional que optou por isso. Um erro, trazendo problemas para o partido. Ficou sem projeto seu mesmo, nacional, sem bandeiras identificando o partido. Na verdade foi uma decisão equivocada que veio lá desde o governo Fernando Henrique Cardoso. O partido optou em não apresentar uma proposta alternativa, por isso se enfraqueceu nacionalmente. Ele se fortaleceu nos estados, mas perdeu a referência nacional. As prévias recuperam esse passado histórico do PMDB, o partido das Diretas Já, de Ulysses Guimarães, enfim? É uma tentativa de que o PMDB recupere essa sua identidade própria. O maior partido nacional, com o maior número de prefeitos (mais de mil), mais de 8 mil vereadores, nove governadores. A maior bancada do Senado, a segunda maior da Câmara, 140 deputados estaduais. Não tem porque o PMDB ficar a reboque de outros projetos, sem ter o seu projeto nacional. Isso é o que está em jogo, o PMDB ter um projeto seu. Ter sua cara e identidade mais recuperada. Há clima de hostilidade dos membros peemedebistas mais próximos ao Palácio do Planalto? Não vejo isso. Estou indo a Maceió, conversei com o senador Renan Calheiros, pedi a presença dele, ele disse que faria o possível. Mas, serei recebido pelo PMDB alagoano, não tem porque haver esse perigo de hostilidade. Pode ter alguns que tenham dúvidas se o PMDB deve ter candidatura própria ou deve se coligar no primeiro turno. Tenho certeza que iremos conseguir reunir o partido, passar por cima de possíveis divergências ou de posições contrárias a candidatura própria. Há negociação atualmente em curso entre Renan e o presidente Lula para que o senador assuma a presidência da República por quinze dias no mês de abril. O PMDB aceita isso? Acho natural o senador Renan, como presidente do Congresso Nacional, ser convocado para assumir a presidência, no afastamento do presidente Lula. Não vejo nisso problemas ou que isso interfira na questão interna do PMDB. Institucionalmente, existe essa possibilidade de ele assumir a presidência. Coisa natural, desde que isso não interfira na decisão interna do partido. Ou pelo menos ajude a acirrar os ânimos... Não, não acredito nisso. O sr. sabe que o senador Renan pode sair candidato ou não ao governo alagoano este ano. Qual o conselho que o sr. daria a ele? Acho que temos que ter candidato, o presidente Renan tem a liderança que tem no conceito nacional. Eu defendo que o PMDB tenha candidato em todos os estados, o que seria o melhor. E Alagoas tendo uma liderança como o presidente Renan Calheiros, com certeza é um nome importante, na possibilidade de ele vencendo a eleição ser governador de Alagoas. Renan seria consenso no PMDB para ser vice do presidente Lula, em uma possível reeleição do presidente, ou então para se candidatar a presidente da República? Não, por favor. Não existe essa possibilidade de vice-presidência. Não estou citando nomes, não existe possibilidade, do meu modo de ver, do PMDB ser vice do PT ou do PSDB. Acabou esse tempo. Existe uma posição da base do partido que é a candidatura própria. Não estou nem falando do presidente Renan Calheiros, estou falando de qualquer nome do PMDB que quer concorrer à presidência. É importante, e ainda dá tempo de se inscrever nas prévias, que acontecem no dia 19 de março, que definirão um candidato a presidente da República. Há espaço de tempo para que qualquer nome se inscreva. Agora, fora da prévia, não. Não estou respondendo para o Renan, falo de qualquer nome. O Renan é um nome excelente, um grande quadro do PMDB para qualquer função, só que o PMDB vai ter candidato próprio, saindo das prévias. Não passa pelo partido a questão da vice-presidência. Vamos supor que o pré-candidato Anthony Garotinho vença as prévias, o sr. será o vice? Não. Decidimos que aquele que ganhar as prévias apóia o outro. Não se fala em vice porque ele tem que ser decidido depois de se escolher o candidato a presidente. Acredito que vou ganhar as prévias. O vice virá quando formar coligação. É muito prematuro dizer isso agora. Quais os partidos ideologicamente afinados com o PMDB que poderiam ser vice do partido em uma eleição presidencial? PDT, PPS, PTB, PP. Mas, eu diria que o PDT e o PPS são dois partidos que reúnem todas as condições de formar uma coligação com o PMDB para o primeiro turno. PDT e PPS eram partidos que pertenciam à base aliada do presidente Lula. O sr. acredita que há um sentimento de traição ao Brasil? Lula traiu o Brasil? Partidos como PDT e PPS, o próprio PMDB, hoje tendo pessoas no governo, isso não significa que não se pode a partir de agora buscar um novo projeto, alternativo ao PT e ao PSDB. Analisando o quadro, é natural que o presidente Lula esteja na frente das pesquisas, está fazendo uma campanha maciça de publicidade em nível nacional. Agora, quando começar a campanha eleitoral, com os candidatos e coligações definidos, na televisão e no rádio, quando fizermos as proibições da publicidade oficial, aí vamos ver quem é quem. Eu, por exemplo, começo com um pequeno percentual, porque não tive visibilidade nacional, não andei pelo Brasil como pré-candidato por estar governando o Rio Grande do Sul, como José Serra [prefeito de São Paulo-PSDB], Anthony Garotinho [pré-candidato a presidente pelo PMDB], o próprio Geraldo Alckmin [governador de São Paulo]. Vamos aparecer como novidade na televisão para quebrar a polarização entre PT e PSDB. O PMDB não vive hoje uma crise de liderança, alguém com densidade eleitoral suficiente para encarar uma eleição presidencial? Eu diria que eu vencendo a prévia, não tenho resistência em nenhum setor do partido. Quando eu fui candidato a governador no Rio Grande do Sul, em junho, tinha 13%. E ganhei em cima do rádio, da televisão. Isso tranqüilamente vai acontecer em nível nacional. Terei condições de, vencendo as prévias, unir o PMDB. Uma candidatura própria pode dar um rumo para o partido. O que pode acontecer até o dia 19 no PMDB, data das prévias? Uma grande mobilização. Devo ir a seis capitais do Nordeste: São Luiz (MA), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Maceió (AL) e Salvador (BA). Novos nomes podem entrar na disputa até o dia 10 de março? Não sei, mas se entrar não há problema nenhum. Nesse momento tem dois nomes, que estão mobilizando o partido. O senhor se aborrece com os supostos esquemas para inviabilizar as prévias do partido? Não, tenho certeza que aqueles que não acreditam na candidatura própria vão terminar acreditando. Não estou preocupado. As prévias vão acontecer no dia 19, com a grande presença do PMDB. ### QUEM É Nome: Germano Antônio Rigotto Idade: 56 anos Cargo: Governador afastado do Rio Grande do Sul para a campanha pelas prévias Partido: PMDB Formação: Odontologia e Direito pela UFRGS

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