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Petista acusado de ter dupla filiação

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| ODILON RIOS Repórter Depois das denúncias do recebimento de R$ 160 mil do publicitário Marcos Valério, dinheiro convertido para campanha eleitoral de membros petistas no Estado, o Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas enfrenta sua mais nova crise. Um de seus militantes, indicado pelo PT nacional para o cargo federal de delegado regional da Pesca, Paulo Nunes, é acusado de ter abandonado o partido e se filiado a outra legenda, considerada de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Prona, do deputado federal Enéas Carneiro. O caso chocou os membros do PT e o presidente do diretório estadual do partido, deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, estava ontem em Brasília para estudar uma forma de retirar Nunes do cargo, que foi indicado por petistas. O delegado regional da Pesca nega a troca partidária. De acordo com o secretário estadual de Finanças do partido, Marcelo Nascimento, Nunes se filiou ao Prona em 30 de setembro de 2005. Ele concorria à presidência estadual petista, mas perdeu para o deputado Paulão. As eleições aconteceram em 9 de setembro do ano passado. Tomamos conhecimento da filiação do delegado da Pesca no final de fevereiro, mas não era oficial. Consultamos o TRE e na semana passada tivemos a resposta positiva, explicou. Dupla filiação Documento assinado pelo coordenador de eleições do tribunal, Rodrigo Ferreira Moura, encaminhado ao PT, do dia 9 de março deste ano, atesta que Paulo Roberto Nunes Calaça encontra-se na condição de sub judice por estar filiado a dois partidos políticos (PT e Prona), segundo consta no cadastro do sistema de filiação partidária da Justiça Eleitoral. Porém, para o PT, Nunes não é mais filiado ao partido de Lula. Ele manteve essa informação em sigilo para se manter no cargo, que foi indicado pelo PT daqui, disse Nascimento. Um dos membros mais antigos do PT alagoano e compadre do presidente Lula, Adelmo dos Santos, aconselhou: Acho que o Paulo deveria sair do cargo. Houve quebra de confiança. Houve má-fé, contou. Há duas semanas, a Executiva Estadual do PT esteve reunida e decidiu formar uma comissão, com três membros, para conversar pessoalmente com o delegado regional da Pesca sobre o assunto. Nunes não foi encontrado, de acordo com Nascimento. Além do secretário estadual de Finanças, integram a comissão o superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César, e Adelmo dos Santos. Temos feito várias tentativas, deixamos recados para ele. Mas não alcançamos êxito. A reportagem apurou que uma nova reunião está marcada para esta semana, possivelmente na quinta-feira, para decidir o destino de Paulo Nunes. ### Tudo não passa de mentira; serei candidato pelo PT Localizado pela Gazeta, o delegado regional da Pesca Paulo Nunes disse estar em Brasília, e informado sobre o assunto disse que tudo não passa de uma mentira e não quis entrar em detalhes sobre a sua suposta entrada no Prona. Não quero falar nesse assunto. Quero que eles peguem o documento de filiação. Estou irritado com isso tudo, atestou. Ele disse ainda que vai sair da Delegacia Regional de Pesca no dia 31 de março para concorrer às eleições neste ano. Sou candidato pelo PT, resumiu. Perguntado quem estaria interessado em sua queda no PT, evitou dar nomes. Paulo Nunes foi deputado estadual e considerado um dos membros mais ativos do PT alagoano. Major da Polícia Militar, ele tentou a reeleição para a Assembléia Legislativa em 2002, mas perdeu. O major da PM ganhou fama em um momento histórico no Estado: a queda do então governador Divaldo Suruagy, em 17 de julho de 1997, quando, na função de representante dos militares, que não recebiam o salário há seis meses, o militar foi preso por defender a greve dos policiais. |OR

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