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Para eleitor, o que vale é biografia e credibilidade

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| PETRÔNIO VIANA Repórter As discussões sobre quem será o candidato do grupo político do governador Ronaldo Lessa (PDT) na disputa pelo governo do Estado se afunilaram, na semana passada, em torno do nome do senador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Em entrevista à Gazeta, mesmo sem confirmar abertamente sua indicação, Vilela não escondeu o entusiasmo pela possibilidade real de disputar a eleição majoritária. O senador tucano falou sobre a conjuntura nacional, comentou a disputa pela vaga de vice em sua chapa e avaliou as dificuldades que podem ser provocadas pela manutenção da verticalização das coligações partidárias. Gazeta - Como o senhor avalia o crescimento das intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostrado nas últimas pesquisas de opinião? Teotônio Vilela - A minha impressão é de que a exposição constante do Lula nesses últimos dois meses tem contribuído para essa recuperação. Ele está na mídia de manhã, de tarde, de noite. Acho que esse é o principal fator para a recuperação dele, o que não significa que isso seja uma posição definitiva, consolidada. O embate da campanha eleitoral, que agora vai se iniciar, certamente influenciará muito. No caso do Geraldo Alckmin (PSDB, governador de São Paulo), por exemplo, que teve sua candidatura lançada recentemente, agora que está entrando em cena. Ou seja, tem muita água ainda a rolar por baixo da ponte. Na sua opinião, Alckmin é o nome certo para enfrentar o presidente Lula? Eu sempre disse que tanto o José Serra (PSDB, prefeito de São Paulo) quanto o Alckmin estavam e estão preparadíssimos para assumir a Presidência da República, pela história de vida política de cada um, que já demonstraram isso de forma eloqüente. O Alckmin no governo de São Paulo e o Serra nos vários cargos que exerceu, como ministro, como secretário da Fazenda de São Paulo. Isso associado a uma postura ética muito comprometida com os maiores interesses da população. Pessoalmente, eu sou amigo de ambos e, nas enquetes que foram feitas pelos jornais, eu sempre colocava o meu voto para os dois e escrevia ao lado unidade. Essa sempre foi a minha preocupação. O partido dividido era o pior que podia acontecer. Felizmente, não aconteceu. O partido vai sair unido e o Alckmin tem tudo para crescer, porque ele vai mostrar na campanha a competência com que exerceu o governo de São Paulo. A tendência do PSDB hoje é mesmo pela aliança com o PFL nacionalmente? Sim. O PFL é o partido hoje mais próximo do PSDB. Fizeram oposição juntos, existe uma identidade, no momento, muito grande. Não é ainda uma coisa definitiva, mas é provável. O senhor concorda com essa aliança? Concordo. Acho que essa aliança é importante para o programa que nós pretendemos implantar, o que não significa que não devamos ampliar essa aliança, além do PFL, com outros setores da sociedade, outros partidos. A verticalização das alianças partidárias deverá mesmo ser mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF)? É provável. O meu sentimento é de que a verticalização irá valer esse ano também. Nessa conjuntura, da aliança nacional, do PSDB com o PFL, com a verticalização mantida, além de uma candidatura própria do PDT à Presidência da República, como ficaria a situação do governador Ronaldo Lessa? Ele pode ser alijado da aliança com o PSDB? O cenário hoje é muito incerto porque o PDT não sabe ainda se lançará ou não candidato à Presidência. Não sabe também se coligará ou não, apoiando o candidato de outro partido. Do mesmo modo, o PMDB também é uma interrogação. Então, o sensato é aguardar para ver como isso vai ficar, o que não impede uma aliança entre esses partidos aqui em Alagoas. A aliança branca feita em 2002, entre o senhor, o governador e o senador Renan Calheiros (PMDB) pode ser reeditada? Pode. Poderá ser reeditada. Já houve alguma conversa nesse sentido? Sim. Eu, o Renan e o Ronaldo Lessa temos conversado com freqüência sobre um projeto que convirja nossos partidos em torno de um programa de desenvolvimento para o Estado de Alagoas. E essas conversas têm prosperado. O nosso candidato é o Renan Calheiros. Ele reúne hoje as melhores condições, na minha opinião, para comandar um programa de desenvolvimento para Alagoas. No entanto, em função das suas responsabilidades como presidente do Congresso Nacional, que o ocupa muito, se ele não puder ser candidato, o meu nome está posto e há uma convergência nesse sentido dentro desse grupo. Quais as chances de Renan Calheiros ainda ser candidato? Essa pergunta você tem que fazer ao Renan. Ele é, digamos assim, a ?bola da vez?. O Renan, se disser hoje que é candidato, terá o nosso apoio de pronto como, aliás, eu venho dizendo há mais de um ano. Quais as chances de uma composição entre o PFL e o PSDB para a disputa pelo governo do Estado? A Executiva Nacional do PSDB pode orientar a direção local a compor uma chapa com o PFL? A Executiva Nacional respeita muito as decisões locais. Há uma tradição nesse sentido. No entanto, se eu for candidato, irei trabalhar para uma harmonia ou mesmo uma coligação com o PFL aqui. Eu tenho uma amizade muito grande e um respeito imenso pelo deputado federal José Thomaz Nonô. Politicamente, hoje, não estamos muito próximos, mas há uma relação pessoal de décadas e isso facilita o diálogo. O senhor não vê problemas em compor com o PFL? O PFL chegando para essa composição que estamos fazendo aqui. Mas isso depende de conversas que ainda não aconteceram. Nas conversas que o senhor tem mantido com o governador Ronaldo Lessa e com o senador Renan Calheiros, o que vocês observam em relação aos outros grupos políticos, como o PTB e o PMN? Eu acho que cada pólo de disputa trabalha no sentido de agregar em torno de si partidos e líderes comprometidos com o seu programa. Acho que eles estão fazendo o papel deles e nós estamos fazendo o nosso papel O grupo tem pensado em conversar com o bloco dos partidos considerados nanicos, como o PTN, o PAN, o PSC? Todos os partidos, independentemente do seu tamanho, das funções que ocupe e dos seus líderes, que estiverem dispostos a marchar em torno de um programa de desenvolvimento do Estado, onde nós aprofundemos e ampliemos o que já foi feito pelo governaor Ronaldo Lessa, será muito bem-vindo. Nós vamos trabalhar para agregar ao máximo. Como o senhor vê hoje a pré-candidatura da senadora Heloísa Helena (P-Sol) à Presidência da República? Eu acho natural e, no caso dela, que fundou um partido, e que pretende consolidar esse partido, eu vejo a candidatura dela até como uma necessidade do momento. Ela hoje representa um grupo muito significativo do pensamento político de esquerda no Brasil e há um chamamento grande para que ela seja candidata. E ninguém duvide: a Heloísa vai ter uma montanha de votos. O senhor acredita que ela ainda pode vir a disputar o governo do Estado? Essa pergunta você vai ter que fazer à senadora. Mas ela está capacitada para disputar qualquer mandato no Brasil. Heloísa é uma política respeitada, competente e comprometida com as questões sociais. Se o seu nome for confirmado na disputa pelo governo, a eleição pode colocar um usineiro contra outro. O que isso significa? Como o senhor avalia isso? Acho que essa questão não deverá pesar muito. A população hoje quer saber quem fez e quem poderá fazer mais. Acho que o eleitor está cada vez mais consciente de que o voto dele pode e irá determinar o futuro da sua vida, da sua família, através da geração de emprego, do desenvolvimento do Estado, da segurança. O eleitor vai pesar essas questões. Se um candidato ou outro é um empresário ou é um usineiro, vai pesar menos, no meu entendimento. Vai valer a biografia, vai valer o que é que foi feito, como foi feito e a capacidade e a credibilidade para fazer. Acho que esse vai ser o peso do eleitor, o parâmetro. Existe ainda um grupo, dentro do PSDB, que defende a candidatura da ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, tendo como vice o médico José Wanderley (PMDB)? Ainda existe. Até ser definida de fato uma candidatura desse grupo, há toda uma especulação, até porque esses nomes, Célia e Wanderley, são importantíssimos dentro desse espectro onde nós pretendemos avançar com esse projeto. Então, é natural que o nome deles venha à tona, porque são dois nomes muito importantes, de duas pessoas altamente preparadas. Isso tem sido discutido dentro do partido? Sim. O presidente do PSDB em Alagoas, Alexandre Toledo, disse que Célia Rocha poderia até ser vice na sua chapa, caso a verticalização dificultasse muito as alianças no Estado. O senhor já pensou nisso? A Célia está preparada para exercer qualquer mandato público aqui em Alagoas. Ela tem biografia política, foi uma grande prefeita de Arapiraca e está andando o Estado inteiro, de modo que ela certamente irá participar mas, no momento, não está nem confirmada a minha candidatura, então fica muito precoce essa discussão. Quais os fatores que levariam o PSDB a optar por uma candidatura de Célia Rocha, em detrimento da sua? Se o Renan Calheiros não for candidato, o meu nome está posto para o governo do Estado. A própria Célia Rocha já me disse que, nesse caso... Aliás, ela sempre aguardou esse desfecho no governo para ver a melhor forma de contribuir nesse projeto. Como está o seu ânimo para disputar o governo do Estado? Como o senhor vê essa possibilidade tão clara? Com muito entusiasmo. Plenamente estusiasmado, mas também com humildade. É uma responsabilidade imensa e eu me sinto preparado para assumir essa responsabilidade. Eu sinto que minha vida inteira foi uma escola para esse momento. Estou plenamente preparado. ### Nome: Teotônio Brandão Vilela Filho Idade: 55 anos Cargo: Senador da República Partido: PSDB Formação: Economista Hobbies: Caminhadas, ginástica e literatura.

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